ArgentinaEliminatórias da Copa

Argentina depende demais de seu ataque. Para sorte deles

A Argentina não foi em La Paz a seleção avassaladora dos últimos jogos das eliminatórias. O empate por 1 a 1 veio a custo de muito oxigênio e de uma situação atípica para a equipe de Alejandro Sabella na competição: o gol foi marcado por Ever Banega. Pela primeira vez, o autor do tento não foi alguém do Quarteto Fantástico – apelido dado no país ao conjunto ofensivo formado por Lionel Messi, Gonzalo Higuaín, Sergio Agüero e Ángel Di María – ou Ezequiel Lavezzi, o reserva imediato dos “super-heróis”.

A diferença de qualidade entre os jogadores disponíveis para o setor defensivo e o ofensivo da albiceleste é visível, mas os números ajudam a evidenciar ainda mais. É óbvio que a responsabilidade pelos gols recai sobre os homens de frente, mas a dependência é ainda maior entre os argentinos.

Dona do ataque mais positivo do torneio, a Argentina tem seus 24 gols divididos entre seis jogadores. As únicas seleções com variedade inferior na América do Sul balançaram as redes menos da metade das vezes: Peru, com cinco jogadores e 11 gols; Venezuela, com cinco jogadores e nove gols. Mesmo se considerados os amistosos com o time principal, somente Federico Fernández e Nicolás Otamendi se incluem entre os argentinos.

Gonzalo Higuaín e Lionel Messi são os maiores responsáveis por essa concentração criativa da Argentina. A dupla aparece como artilheiro e vice-artilheiro do qualificatório, com nove e oito gols, respectivamente. Nada menos que 70,8% dos tentos acabam saindo dos pés dos dois, que também foram responsáveis por 49,1% das finalizações – o blaugrana só não arrematou contra o Peru, enquanto o merengue só passou em branco contra a Bolívia, quando não jogou.

Incluindo Agüero, Di María e Lavezzi nas estatísticas, a concentração permanece gigantesca: 72,9% das finalizações foram realizadas por eles. Excluindo o quinteto, somente três jogadores chutaram duas ou mais vezes em uma mesma partida das eliminatórias – Javier Pastore, contra a Bolívia; Walter Montillo, contra a Venezuela; e Ever Banega, contra a Bolívia.

A situação, no entanto, está longe de ser prejudicial à Argentina. Ao contrário do que acontece com frequência no Barcelona, Messi conta com jogadores com poder de definição ao seu lado, o suficiente para que o camisa 10 não seja a preocupação única dos adversários. Além disso, o alto nível dos homens de frente permite uma variação ofensiva desfrutada por poucas seleções do mundo.

O ponto-chave para Sabella é encontrar um equilíbrio entre ataque e defesa, dando liberdade para os homens de frente sem sobrecarregar quem fica na retaguarda. Pelo menos nas eliminatórias, o sistema tem funcionado bem, com média inferior a um gol sofrido por jogo. E, enquanto o ataque continuar mantendo o saldo positivo, não há do que reclamar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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