Argentina

Acredite, hoje a Argentina completa 20 anos sem título

Dizem que o tempo passa cada vez mais rápido conforme a gente envelhece. Esse ditado é legitimado especialmente para quem está acostumado a vencer quase tudo que disputa. No caso da Argentina, que não vence um título há 20 anos, cada competição perdida faz parecer que passe um século entre elas.

Foram dois títulos da Copa do Mundo (78 e 86), 14 títulos da Copa América e um na Copa das Confederações, com três participações. Campeã da Copa América em 1993 em cima do México, com dois gols de Batistuta, desde aquele ano a Argentina não sabe o que é levantar uma taça. E a espera está cada vez mais insuportável.

A verdade é que nada parece dar certo para a Argentina nos últimos anos. Mesmo com muita força nas seleções de base (cinco títulos desde 1995 no sub-20 e duas medalhas de ouro nas Olimpíadas) e um domínio na América do Sul junto com o Uruguai (14 títulos, apenas um a menos que os uruguaios e longe do Brasil com 8), a Argentina tem acumulado fracassos inexplicáveis.

As seguidas eliminações em quartas de final de Copas, sem falar na queda precoce ainda na fase de grupos em 2002 são golpes que o torcedor argentino não consegue esquecer. Experimente falar em Copa América então…

Citamos abaixo todas essas derrotas, algumas delas mais emblemáticas:

Copa do Mundo

1994, Romênia: Adeus, MaradonaA derrota para a Romênia nas oitavas de final da Copa de 94 talvez tenha doído menos do que a suspensão de Maradona por doping, antes do jogo final contra a Bulgária. Com atuação decisiva de Dumitrescu, com dois gols, e a genialidade de Hagi, os romenos fizeram 3 a 2 numa já abalada Argentina, carente de seu maior ídolo.

1998, Holanda: O que foi isso, Bergkamp?Foi realmente um belo jogo entre Holanda e Argentina no Vèlodrome, em Marseille, nas quartas de final da Copa de 98. Empatado em 1 a 1 até os 44 do segundo tempo, tudo levava a crer que teríamos penalidades máximas. Não fosse um golaço de Bergkamp, mandando um canudo no alto do gol de Roa.

2002, Primeira fase: o grupo da morteA única vitória da Argentina na Copa de 2002 foi na estreia, diante da Nigéria. Um time tão estelar quanto em 1998 ficou pelo caminho, caiu ainda na fase de grupos e viu Suécia e Inglaterra avançarem. Aliás, a vingança dos ingleses veio com gol de Beckham, expulso e vilanizado após o duelo pelas oitavas de final de quatro anos antes.

2006, Alemanha: Lehmann, o estudioso – Pelas quartas de final, o segundo tempo da Argentina contra os donos da casa em 2006 parecia brilhante. Ayala fez um gol após o intervalo e a albiceleste se segurou com a vantagem. Klose empatou aos 35 e levou para os pênaltis. Aí o mesmo Ayala e Cambiasso desperdiçaram seus chutes no gol de Lehmann, o cara que trazia dentro da caneleira um breve estudo sobre cada batedor argentino. Esperto ele…

2010, Alemanha: freguesia e uma surra –  A Alemanha parecia irresistível em 2010. Um time que começou a jogar bonito e atropelar seus rivais, fez a Argentina como vítima nas quartas de final. Müller, Friedrich e Klose, duas vezes, esmagaram o time treinado por Maradona, que despontou muito bem na primeira fase. 4 a 0 no placar para os germânicos.

Copa América

Brasil x Argentina 1995

1995, Brasil: Túlio salva – Em vantagem durante grande parte do jogo, a Argentina vencia o Brasil nas quartas de final com gols de Balbo e Batistuta até que Túlio empatou aos 36. Nos pênaltis, Simeone e Fabbri desperdiçaram e o Brasil avançou. Perderia a final para o Uruguai, dono da casa.

1997, Peru: queda em Sucre – Foi complicado perder nas quartas de final e ainda diante do Peru, que tinha um time frágil. Pois com gols de Carazas e Hidalgo, a Argentina voltou para casa e viu os peruanos levarem 7 do Brasil na semifinal.

1999, Brasil: de viradaNuma época em que a rivalidade entre Brasil e Argentina teve muito equilíbrio, Rivaldo e Ronaldo desequilibraram para a seleção canarinho. Nas quartas da Copa América de 99, Sorín abriu o placar aos 10 minutos, mas viu o castelo desmoronar logo no início do segundo tempo, com gol de Ronaldo.

2004, Brasil: o diabo dos pênaltis – Um dos jogos mais lendários entre Brasil e Argentina aconteceu em 2004, na final da Copa América. Com 42 do segundo tempo, a albiceleste comemorava o gol tardio de Delgado, que em condições normais garantiria o troféu. Mas o Brasil tinha Adriano, que aos 48 fez um golaço e provocou as penalidades. D´Alessandro e Heinze erraram, dando um título quase inesperado ao rival.

2007, Brasil: um favorito derrubado – A Argentina vinha atropelando todos os adversários até a final, onde um Brasil contestado tentava ter sucesso no primeiro torneio oficial de Dunga como treinador. Julio Baptista e Daniel Alves marcaram, Ayala fez contra e os argentinos mal viram a cor da bola na decisão em Maracaibo.

2011, Uruguai: jogo feio, eliminação feia – Em casa, restou a Argentina participar da recuperação uruguaia. A celeste bateu de frente com os mandantes e conseguiu levar a decisão das quartas de final para os pênaltis.  

Copa das Confederações

1995, Dinamarca: a armadilha dos Laudrup – Completa, a Dinamarca chegou como campeã europeia na Copa das Confederações em 1995, e ao encarar uma Argentina mista, com muitos jogadores que jogavam no seu país de origem, os daneses fizeram 2 a 0 na decisão com Michael Laudrup e Rasmussen.

2005, Brasil: baile em Frankfurt – Adriano e Kaká deram o tom na final da Copa das Confederações em Frankfurt. O Brasil fez 4 a 1 na Argentina, que só olhou o jogo durante todo o tempo e de forma merecida levou uma goleada inesquecível.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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