Ángel Piz é a solução

Claudio Borghi sabe o que é estar no papel de Sergio Batista. Sabe o que é ter por trás de si uma porção de viúvas. Viúvas de Bielsa – em maior número, brinca, do que aquelas deixadas pela segunda guerra mundial. Bielsa de um lado, Maradona de outro, Borghi, porém, não se deixa iludir. Nem mesmo pelo fato de que esse Chile assumido por ele fora formado tempos atrás, num Colo Colo treinado por ele mesmo e que marcou época no futebol do país.
Mati Fernández, Suazo, Alexis Sánchez. Todos eles foram lançados pelo treinador argentino. Voltaram a se reencontrar na seleção, a se deparar com uma dificuldade que Borghi leva desde os seus primeiros passos nos bancos de reservas. “Há mais de 20 jogadores esperando que o técnico diga uma genialidade. Eu para e penso que caralho vou falar a eles na preleção”.
A julgar pelo que já conseguiu até aqui em sua carreira, Borghi se vira. Batista, bem, requer uma reflexão. Desde que assumiu o comando da Argentina, passou de interino a efetivo apregoando sempre o discurso de que o Barcelona é o futebol a ser copiado. Nada demais aí. Não fosse, claro, pelo dado já repetido exaustivamente mesmo por seus jogadores de que o Barcelona não pode ser copiado, de que Messi não pode jogar com a Argentina da mesma forma que joga na Espanha. Incompatibilidade de jogo? Também. Mas não só.
No Camp Nou, Messi conta com vários sócios. Na Argentina, Batista sua para encontrar um. Indica Banega quando o próprio Messi aponta para Pastore. É estranho e fica ainda mais estranho quando se verifica que, nos dois jogos até aqui – empates com Bolívia e Colômbia –, o garoto que, segundo Maradona, olha o marcador nos olhos e passa como se tivesse jogado dois, três Mundiais não entrou em nenhum deles. O mal-educado da bola, novamente grifo maradoniano, foi mantido fora de campo. De lá, viu Léo agachar e mais uma vez colocar as mãos no joelho.
Tal como aconteceu na última Copa do Mundo. Um Messi impotente, que, se tivesse Guardiola em seu ângulo de visão, saberia bem, estaria sendo decifrado. Um Messi “aburrido”, por assim dizer, seria diagnosticado. Cansado desse papo de Barcelona, provavelmente desabafaria ao encontro com Sandro Rosell, presidente do time catalão que passeia pela Argentina. Viu a equipe albiceleste perecer nessas duas primeiras rodadas de Copa América. Mas viu também o seu Barcelona, o código Barcelona onipresente. Sim, a filial argentina do clube esteve em ação nos últimos dias sob os olhares do cartola.
Em seis jogos, o Barcelona Juniors Luján empatou três e venceu três. Agradou Rosell. Agradou Jorge Messi, pai de Lionel que acompanhou o dirigente em sua tarde de futebol. Dali, porém, ninguém poderia sair, ao menos por enquanto, para ajudar o atacante argentino nessa tarefa de superar a tudo e a todos. Talvez dentro de alguns anos, já que cinco garotos já passaram pelas seleções de base. Ou quem sabe numa manobra ousada, pouco afeita a um cara conservador como Batista, com o chamado de Ángel Piz para o seu grupo.
Não conhece? Pois bem, se trata do maior representante da alma blaugrana a correr pelos gramados argentinos. Tem 19 anos, atua como meio-campo e já fez três jogos no Torneio Clausura. É a primeira cria do Barcelona local a chegar até lá. Alguém que carrega esse DNA hoje em dia tão invejado e que desfila o seu talento com o Chacarita Juniors. O primeiro candidato a novo Messi. A solução para a Argentina na Copa América. Piz na seleção, Batista!



