Argentina

Almeyda, Passarella e o tempo

Já era 0h30 da madrugada na Argentina (1h30, de Brasília) quando Matías Almeyda recebeu uma singela ligação informando-lhe que já não era mais o treinador do River Plate. Entendo que atitudes como esta devam ser pensadas e repensadas, mas se a ideia do horário seria mostrar que ainda era cedo, por que o anuncio chegou com o lapso de meses? Pior: a duas rodadas do fim do Torneo Inicial.

E mais: não poderia ser mais irônico do que ele ter recebido a notícia em meio a comemoração por ser premiado pelo título da B Nacional na Associação Técnicos. Ademais, ele havia recebido na semana passada o prêmio Alumni de melhor treinador do certame.

Aliás, muito corajoso da parte do presidente do clube, Daniel Passarella, demitir o treinador por telefone, assim como havia feito com Leonardo Astrada, anteriormente.

Logo mais, no início da tarde, o treinador se reunirá com o presidente para definir os últimos detalhes da rescisão contratual. A saída de Almeyda já era iminente, afinal, todos os dirigentes do clube pressionavam por ela, mas o Kaiser lhe bancou até hoje. Entretanto, 2013 é um ano eleitoral para o River, logo, não é válido para o presidente ficar mal com sua comissão, tampouco com os hinchas. Demiti-lo de fato não é o problema, afinal, era questão de tempo isso acontecer. Mas a forma e o momento não foram os adequados.

A pergunta que paira sobre o Monumental neste momento é: quem será o treinador da equipe diante do Lanús, no domingo? Uma das informações que corre nos bastidores é que Passarella quer dirigir a equipe nesta partida. Outra é que o Pelado gostaria de fazer a despedida. Mas ambas as opções não agradam os dirigentes e possuem poucas chances de acontecerem. Neste caso, a opção seria o técnico dos reservas, Chapa Zapata.

Em 60 partidas oficiais, neste quase um ano e meio a frente do clube, o Pelado perdeu apenas dez (cinco na B Nacional, quatro no Torneo Inicial e uma na Copa Argentina), alcançou 60% de aproveitamento, no entanto, em momento algum conseguiu criar uma identidade futebolística. Numa conversa pré-Superclássico, Elías Perugino, editor da revista El Gráfico, observou que o River é tão irregular que poderia golear adversários, como aconteceu contra Arsenal e Godoy Cruz, numa rodada e noutra perder deixando uma péssima imagem, como sucedeu ante Quilmes.

Como técnico, Almeyda se caracterizou por mudar excessivamente a equipe e o sistema tático, passando a imagem de quem não sabia muito bem o que estava fazendo. Talvez não o soubesse de fato. Mas agora pouco importa, pois seu ciclo chegou ao fim.

Sem ele, os nomes já começam a ser ventilados: Ramón Díaz – é o preferido da torcida -, Marcelo Gallardo – que possui experiência e forte ligação com o clube – e Ricardo Gareca – preferido dos dirigentes por seu ótimo trabalho a frente do Vélez Sarsfield. Por ora, a vaga está em aberto. Basta saber até que horas… ou meses.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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