Alerta Rojo!
Houve um tempo em que o Independiente era uma equipe imponente, respeitada e vitoriosa. Mas já faz tanto tempo que nem o próprio clube parece recordar. O atual panorama é complexo e pouco estimulante. Os Rojos não conseguem apresentar um futebol convincente, marcar gols e nem vencer. Ademais, sofre na questão financeira e social. A derrota no clássico de Avellaneda, ante Racing, foi o estopim para mais uma crise.
Dizer que a temporada está apenas no início não é mentira, – afinal, está na terceira rodada -, mas não avaliar o peso que os resultados já obtidos representam é mergulhar de cabeça no descenso. Aliás, afirmar que a equipe não estreou é até coerente. Em três jogos empatou dois em zero a zero, ante Newell’s Old Boys e Vélez Sarsfield, e perdeu para seu maior rival, por 2 a 0. O que por si só já seria motivo de tensão da parte vermelha de Avellaneda.
Contudo, o problema é ainda maior. Os Diablos flertam com o descenso há duas temporadas. Nesta, encontra-se na última colocação na tabela de promedios – somando 92 pontos em 79 partidas, pior: marcou apenas 89 gols. Lembrando: acabou a promoción, são rebaixados os três últimos.
Se acha que a média de pouquíssimo mais de um gol por partida é deprimente, vale ressaltar que o último gol da equipe foi marcado por Patito Rodríguez, agora no Santos, pela última fecha do Clausura, no empate em 2 a 2, com o Tigre. Se marcar gols não é algo simples para o Independiente, imagina vencer uma partida? A última vitória foi há dez jogos, na 12ª rodada do Clausura, ante Banfield, 2 a 0.
Se marcar gols está sendo complicado, vencer é uma missão quase impossível, o que dizer sobre vencer fora de casa? Soma-se 17 jogos, e a vítima foi o Boca Juniors, 5 a 4. Aqui vale um adendo: uma partidaça, com duas viradas e direito a triplete de Ernesto Farías, aquele que o Cruzeiro comprou sem saber quem era e se desfez sem o conhecer.
Mas a problemática não se restringe ao campo. O Rojo está no vermelho. Segundo o presidente do Indep’te, Javier Cantero, a dívida gira em torno de 320 milhões de pesos. Herança do ex-presidente Julio Comparada, “testa de ferro” de Don Julio Grondona, o Ricardo Teixeira da Argentina.
Saldo este que prejudicou a estreia de Patrício Rodríguez pelo Peixe, pois o clube havia sido notificado pela Associação de Futebol Argentino (AFA), por causa de dívidas com a entidade, e ela não quis liberar o Certificado de Transferência Internacional (CTI). Com a entrada da Justiça Comum na confusão, as coisas se resolveram.
Ademais, a derrota no último domingo provocou a ira nos torcedores, que incendiaram a fachada da sede do clube e entraram em confronto com a polícia. Ameaçaram o técnico Cristian Díaz. Segundo o presidente, tentaram roubar computadores e carros. Trazer a verdadeira torcida de volta ao Estádio faz-se necessário, assim como o bom futebol.
O lado vermelho de Avellaneda está em chamas. A equipe disputa o campeonato futebolístico, o financeiro e o social, com poucas, porém existentes, chances de se salvar de algum. O time segue em queda livre rumo a B Nacional e o injusto sistema de promedio pouco pode ajudá-lo. Enfim, o alerta vermelho está ligado.
Copa Sul-Americana
Para Boca Juniors e Independiente, a Copa Sul-Americana começa nesta quarta-feira, na Bombonera. A partida de volta será no dia 29. Se tratando de torneios internacionais, o Indep’te tem vantagem sobre os Xeneizes. Das 14 partidas disputadas – oito pela Libertadores e seis pela Sul-Americana -, os de Avellaneda venceram cinco, perderam três e empataram seis.
Colón e Racing se enfrentam nesta quinta-feira, no Cementerio de Elefantes, em Santa Fé. O jogo de volta será dia 30.
Enquanto Argentinos Jrs e Tigre disputaram na última quinta-feira, no Estádio Diego Armando Maradona, a primeira partida: melhor para o Matador, que venceu por 2 a 1. O jogo de volta será dia 30.
Transações
Administração Federal de Ingressos Públicos (AFIP) intimou a Associação de Futebol Argentino (AFA) para explicar a situação de diversas transações. Suspeita-se de evasão de divisas e lavagem de dinheiros, entre outros delitos. Creio que Don Julio deve está surpreso com essa suspeita.
Até que as dúvidas sejam sanadas, ou melhor, até que outras dúvidas sejam aumentadas para nós, mas resolvidas entre eles, River Plate e San Lorenzo não terão Jonathan Bottinelli e Ignacio Piatti, respectivamente, habilitados.
Ironicamente, os jogadores em questão constam como procedentes de equipes as quais não jogaram e, segundo a AFIP, a transação financeira remete a possíveis paraísos fiscais. Bottinelli, embora defendesse o San Lorenzo, constava como Unión San Felipe, do Chile, e o Piatti, defendia o Lecce, da Itália, mas foi transferido do Sud América, da segundo divisão uruguaia. Parabéns aos envolvidos.



