Argentina

“AEEA, yo soy Sabalero!”: Colón amassa o Racing e é campeão da Copa da Liga, o primeiro título de elite de sua história

Com direito a dois lindos gols, o Colón mandou na final contra o Racing e conquistou um título de enorme significado

O Colón havia se preparado para uma apoteose na final da Copa Sul-Americana em 2019. A proximidade de Santa Fe e Assunção permitiu uma invasão de 40 mil torcedores no Defensores del Chaco. O clima das arquibancadas era contagiante – e eu sei que, caso você se lembre do show antes do apito inicial, já ficou com o “yo soy sabalero” na cabeça. Porém, o Independiente del Valle colocaria água no chope dos santafesinos, ficando com a taça continental. Os sabaleros precisaram esperar um ano e meio para, enfim, soltar o grito de campeão da garganta. Nesta sexta, o Colón ganhou o primeiro título de elite de sua história. Na decisão da Copa da Liga Argentina, os rubro-negros não deixaram dúvidas sobre sua superioridade e derrotaram o Racing por 3 a 0, em partida única realizada na cidade de San Juan. Uma pena que a pandemia limite a festa, mas a canção de Los Palmeiras certamente ecoará a noite toda em Santa Fe.

O Colón soma 40 temporadas na primeira divisão do Campeonato Argentino. Passou 15 anos consecutivos de 1966 a 1981, depois voltou em 1995 para ficar até 2014 e, com o último rebaixamento, voltou de imediato para não sair da elite desde 2015. Porém, nunca os sabaleros conquistaram a competição. No máximo, tinham sido vice-campeões no Clausura de 1997. Também possuem o troféu da segundona em 1965, mas parecia pouco a um dos clubes mais tradicionais do interior da Argentina. A história mudaria, enfim, com a ascensão dos santafesinos durante os últimos anos.

O Colón vinha de uma sequência de campanhas relevantes. Tanto é que pintou duas vezes na Copa Sul-Americana desde 2018. Na primeira destas participações, os sabaleros caíram nas oitavas de final, após eliminarem o São Paulo. Já em 2019, os argentinos foram algozes do Atlético Mineiro para chegar na inédita decisão. Entretanto, o sonho de ganhar o título continental diante de sua massa de torcedores em Assunção virou uma grande frustração, com a derrota para o Independiente del Valle. De qualquer maneira, os santafesinos não demoraram tanto a emplacar.

O Colón ficou entre os últimos colocados no Campeonato Argentino 2019/20, mas faria uma campanha boa na Copa Diego Maradona, avançando à segunda fase. Ainda assim, nada comparado ao que aconteceu nesta Copa da Liga. Desde as etapas iniciais, o Colón brilhava. E contava com uma fase esplendorosa de Pulga Rodríguez, craque no vice da Sul-Americana, que desandou a marcar golaços na competição nacional desta vez. Os sabaleros fecharam a fase de classificação com a liderança do Grupo A e a segunda melhor campanha geral. Era a prova concreta de que jogavam por algo grande. Já nos mata-matas, o Colón dependeu dos pênaltis para superar o Talleres nas quartas de final. Depois, na semifinal, despachou o Independiente com uma segura vitória por 2 a 0.

O Racing podia ter mais tradição na final em San Juan. No entanto, por bola, o Colón era o favorito. E isso se cumpriu com uma vitória incontestável da equipe dirigida por Eduardo Domínguez. O primeiro tempo já teve uma atuação superior dos sabaleros, que buscaram mais o gol, mas não balançaram as redes. Já na segunda etapa, os santafesinos tiraram a barriga da miséria e marcaram logo três. O primeiro seria de Rodrigo Aliendro, aos 13 minutos, completando de carrinho o cruzamento de Facundo Mura. Aos 27, Cristian Bernardi ampliou com uma pintura, tabelando e dando um toquinho na saída do goleiro Gastón Gómez. Por fim, Alexis Castro fechou a contagem aos 41 com outro lance belíssimo. Deixou o marcador no chão, antes de concluir no cantinho. Neste momento, o banco rubro-negro já cantava, só à espera do apito final.

Pulga Rodríguez não faria uma boa final e sairia lesionado, mas foi a grande figura do Colón na campanha. O meia gastou a bola ao longo da Copa da Liga e terminou não só como artilheiro, mas também como o maior garçom. O maestro somou oito gols e seis assistências em 13 partidas. Aos 36 anos, o atacante conquistou o título de elite que não tinha conseguido pelo Atlético Tucumán, onde é lenda. Em compensação, também escreve uma história gigantesca em Santa Fe e tem o gosto de ficar eternizado como capitão desta façanha. Uma pena que o veterano tenha anunciado às vésperas da final que deixará os sabaleros.

O Colón conquistou a Copa da Liga reunindo medalhões com garotos. Pulga Rodríguez é a principal face da “velha guarda”, que ainda teve o goleiro Leonardo Burián e o meia Cristian Bernardi como outras referências. Mas os pratas da casa também ajudaram, como Facundo Farías, Tomás Sandoval e Santiago Pierotti. Já o técnico Eduardo Domínguez chega ao ápice de uma carreira relativamente curta, mas bastante ligada aos sabaleros. Durante a comemoração, o comandante não segurou as lágrimas.

Com a conquista da Copa da Liga, o Colón se confirmou na Libertadores de 2022. Será a terceira participação do clube na competição continental, alcançando as quartas de final em 1998 e parando nas preliminares em 2010. A oportunidade, logicamente, tem um grande significado aos sabaleros. Mas é o gosto do ouro que realmente fica depois deste troféu. A Copa da Liga é um campeonato transitório e muito provavelmente seria esquecida na sala de troféus do Racing. Em Santa Fe, a nova taça reluzirá e servirá para marcar uma equipe memorável dos rubro-negros – dentro de suas limitações, claro. Serão lembrados com carinho também pelo resto da Argentina, indo além do amargor pelo vice da Sul-Americana. É dia de ser sabalero com muito orgulho.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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