A primeira eleição democrática na AFA em 36 anos terminou com mais votos do que votantes
Julio Grondona passou longos 35 anos no comando da AFA e só deixou o cargo ao morrer, no ano passado, aos 82 anos. Luis Segura assumiu a posição como presidente interino imediatamente após a morte do dirigente e pretende se manter na presidência. Diante do poder absoluto de Grondona nas últimas décadas, a primeira eleição presidencial da federação aconteceu apenas agora, no início de dezembro de 2015, colocando frente a frente Segura e Marcelo Tinelli. Mas já terá que ser refeita. Contando apenas com 75 votantes, a eleição teve um empate entre os dois candidatos em 38 a 38.
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Luis Segura era o candidato pró-Grondona, enquanto Tinelli, ligado a Mauricio Macri, ex-mandatário do Boca Juniors e eleito presidente da Argentina, era a oposição. O pleito era composto por 75 votantes, entre eles dirigentes de clubes das duas primeiras divisões e de ligas menores do país. Apesar da impossibilidade numérica de empate, ambos os candidatos terminaram com 38 votos.
O presidente do Belgrano de Córdoba afirmou que três dos votos foram duplicados, e a Comissão Fiscalizadora, formada pelos presidentes de Olimpo, Talleres de Córdoba e Estudiantes, conseguiu identificar dois desses casos – cujos equívocos foram reparados –, mas sem saber o nome dos votantes, já que o voto era secreto.
A alternativa de se realizar nova eleição imediatamente após a constatação de voto duplo foi logo impossibilitada, porque dois dos dirigentes, Julio Koropeski, presidente do Crucero del Norte, e Ángel Lozano deixaram o local do pleito logo após a votação. Se tivessem esperado a contagem dos votos, toda a confusão pela qual o futebol argentino passará nos próximos dias e os olhares de desconfiança sob os quais está poderiam ter sido evitados.
Um dos caminhos discutidos a se seguir foi a possibilidade de Segura e Tinelli formarem uma coalizão para comandar o futebol argentino, depois do papelão desta quinta-feira, mas ela foi descartada, e novas eleições serão marcadas. Não há data definida, mas esperam realizá-las antes do dia 20. O site Canchallena fala em 17 ou 18 de dezembro para o novo pleito.
Até lá, uma solução provisória deverá ser anunciada, estendendo os poderes de Segura até a data do novo pleito. Por enquanto, a AFA está “acéfala”, como definiu o Canchallena. No momento da descoberta do resultado, mais de 25 mil pessoas acompanhavam por streaming a transmissão da contagem de votos. A reação de Alfredo Dagna, presidente do Olimpo, resume bem a incredulidade dos fãs do esporte no país. A expressão de inconformismo e desorientação serve como retrato do futebol argentino no momento.



