Argentina

A essência dos clássicos argentinos

Boca Juniors e Racing decidem a Copa Argentina nesta quarta-feira, em San Juan. Duas das “cinco grandes equipes” do País – Boca Juniors, River Plate, Racing, Independiente e San Lorenzo -, mas engana-se quem acredita se trata de um clássico típico argentino. Outrora, o historiador Tiago Melo tentou explicar tal assunto, aqui atrevo-me a discorrer sobre a tal peculiaridade.

Primeiro vale ressaltar que um clube, na Argentina, não é apenas uma agremiação esportiva, mas representantes de uma localidade. Cada uma destas localidades possuem identidades e os clubes são os maiores representantes disso. Logo, o clube do bairro vizinho, por exemplo, não é visto como adversário, mas potencial rival. Mesmo que os tamanhos sejam díspares. Exemplo disso é San Lorenzo e Huracán.

Quando os argentos vão a campo torcer por seu clube do coração, intrinsecamente estão vibrando também por seu bairro. Quando trata-se de clássico, está em jogo também uma disputa por territorialidade, ou supremacia de um sobre o outro.

Enquanto no Brasil, clássico é tratado como toda partida disputada entre grandes equipes de uma cidade (ou região), nossos hermanos não levam em consideração a grandeza, por assim dizer. Boca Juniors e Racing, por exemplo, são grandes, possuem diversos títulos nacionais e internacionais e já proporcionaram partidas épicas, mas não disputam um clássico, por essência.

Embora Avellaneda encontre-se na Grande Buenos Aires, o clássico da Academia é disputado contra o Independiente, cuja sede está a cerca de 200 metros de distância. Boca e River seguem a mesma linha, ao contrário do que muitos imaginam. Xeneizes e Millionarios não são rivais por serem grandes clubes, mas por terem origens no mesmo bairro – La Boca -, embora a Banda Roja encontre-se em Belgrano, apesar de ser conhecido como a equipe de Núñez.

Então, quando você ouvir Boquenses (ou Bosteros) chamando os rivais de Gallinas, ou a parte azul de Avellaneda elogiando os rivais vermelhos de Amargos, saibam que ali há um pouco mais do que provocação, há amor. Afinal, eles “amam odiar seus rivais” e isso é parte da essência dos clássicos.

De árbitro a político: nada muda

Após pendurar o apito, o ex-árbitro Héctor Baldassi pode se candidatar a prefeito da província de Córdoba, sua província natal, com o jogador de basquete Fabrício Oberto, do Washington Wizard, como vice-prefeito. Ambos seriam uma aposta da Proposta Republicana (PRO), partido o qual faz coligação com o Compromisso pela Mudança (CpC), o partido do atual prefeito de Buenos Aires e ex-presidente do Boca Juniors, Maurício Macri.

Baldassi não respondeu ainda. Contudo, no ano passado já havia sinalizado a possibilidade de ingressar na política quando se aposentasse. A hora chegou. Só para constar: um de seus apelidos enquanto árbitro era “el ladrón”.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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