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Após fracasso no Japão, será que Forlán ainda tem condições de jogar no exterior?

O presidente do Cerezo Osaka, Masao Okano, estava eufórico no final de janeiro. Depois de falhar na tentativa de contratar Kaká, o Cerezo Osaka anunciava com todo orgulho o atacante uruguaio Diego Forlán. A intenção era muito maior do que apenas reforçar o time: colocar o futebol japonês no mapa do futebol mundial. Outro objetivo era se transformar em um clube importador de jogadores, não mais exportador (Kagawa, Kiyotake, Inui, todos revelados ou com passagens pelo clube). A expectativa sobre o uruguaio, atualmente com 35 anos, era enorme, mas ficou terrivelmente longe de se concretizar.

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Forlán fez sua estreia com a camisa do Cerezo Osaka na Liga dos Campeões da Ásia, entrando no segundo tempo do empate de 1 a 1 contra o Pohang Steelers (Coreia do Sul). Ao final da primeira fase, o time japonês ficou no segundo lugar de sua chave, com oito pontos, dois a mais que o Buriram United (Tailândia) e três de vantagem para o lanterna Shandong Luneng (China). A caminhada do Cerezo Osaka terminou nas oitavas de final, com humilhação de 5 a 2 (placar agregado) para o Guangzhou Evergrande. Forlán atuou seis vezes, cinco como titular, marcando dois gols.

O desempenho do outrora importante jogador – dentro de campo – no Campeonato Japonês foi apenas um pouco melhor. Forlán participou de 26 das 33 partidas do Cerezo Osaka até aqui (falta uma rodada para o fim), sendo 18 como titular. Foram sete gols marcados. Atuou os 90 minutos em apenas 13 oportunidades, seja na LC da Ásia ou na liga japonesa. Se no início de sua passagem o uruguaio era substituído no segundo tempo, já com a briga diante do rebaixamento difícil de vencer, Forlán passou a ser reserva e entrar na etapa final.

Entre 29 de abril e 17 de maio, o veterano atleta conseguiu sua maior sequência, de cinco partidas completas. Muito pouco para alguém que foi contratado para ser o grande condutor do Cerezo Osaka na temporada. E não há espaço para a justificativa de desentendimento com o técnico: o time japonês teve três comandantes na temporada, mas nem Ranko Popovic, Marco Pezzaiuoli e Yuji Okuma escalaram Forlán do jeito que se esperava quando da contratação.

Um dos poucos momentos de alegria do uruguaio foram os dois gols anotados no empate de 2 a 2 diante do rival Gamba Osaka, na sétima rodada da liga, em 12 de abril. O rebaixamento vergonhoso veio à tona no último dia 29 de novembro, na penúltima rodada, quando o Cerezo Osaka levou de 4 a 1 do Kashima Antlers, em casa. Forlán não esteve em campo e nem no banco de reservas. O astro não joga desde 2 de novembro, talvez numa tentativa de se descolar do rebaixamento.

Faltando um jogo para o fim, o Cerezo Osaka tem apenas 31 pontos (7v, 10e, 16d), na 17ª e penúltima posição, quatro atrás do Shimizu S-Pulse, o primeiro fora da zona da degola. Evidente que os problemas do Cerezo Osaka são muito maiores do que Diego Forlán, que não é o único culpado pela queda – a venda de Kakitani para o Basel também atrapalhou.

Mas é fato que a contratação do uruguaio se mostrou totalmente equivocada. Forlán não tem condições físicas de jogar no exterior e talvez seu futuro esteja reservado para sua terra natal. Um encerramento de carreira no Peñarol se faz possível. É o que ele ainda consegue fazer em campo – e com ressalvas.

Desespero japonês

Em agosto, o Cerezo Osaka vivia a segunda metade do Campeonato Japonês e já estava ameaçado pelo rebaixamento. Na 21ª rodada, o time somava 20 pontos em 21 jogos, um atrás do Ventforet Kofu, quando resolveu contratar mais um estrangeiro em fim de carreira. O brasileiro naturalizado alemão Cacau, 33 anos, sem jogar desde maio de 2014, foi anunciado para colocar fim aos problemas de balançar as redes adversárias. Mais uma aposta errada do Cerezo Osaka. Cacau participou de 15 partidas com a camisa do clube, oito como titular, anotando apenas cinco gols, todos na liga nacional. O único jogo no Campeonato Japonês em que Cacau atuou os 90 minutos foi na 31ª rodada.

Curtas

– O volante Takahiro Ohgihara, 23 anos, é revelado no Cerezo Osaka e defende o time desde 2010, tendo uma convocação para a seleção principal japonesa. Há cinco anos atuando profissionalmente, o jovem atleta sonha em jogar na Europa, assim como seus ex-companheiros de clube. A vontade deve ter aumentado após o rebaixamento.

– Desde a profissionalização da liga japonesa, em 1995, o Cerezo Osaka já disputou quatro vezes a segunda divisão nacional. Entre 2007 e 2009, a equipe esteve relegada ao segundo nível, quando somou 104 pontos em 51 jogos (31v, 11e, 9d), ficando com o vice-campeonato e sendo promovida à elite.

– Coincidência ou não, Levir Culpi treinou duas vezes o Cerezo Osaka. Chegou em maio de 2007, na segunda divisão, e deixou a equipe na elite em dezembro de 2011, quando encerrou sua primeira passagem. De volta oito meses depois, o atual técnico do Atlético Mineiro ficou até dezembro de 2013. Após a saída do brasileiro, o Cerezo Osaka perdeu o rumo.

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