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A emoção que se pune, mas não se condena: O Boca está nas semifinais da Libertadores

O relógio marca 27 minutos do segundo tempo. Seu time vai sendo eliminado em um jogo agonizante. Até que um lançamento perfeito vindo da defesa cai em seus pés. Você arranca, livre de marcação. Então, chuta cruzado para vencer o goleiro, estufar as redes, dar sobrevida ao seu clube. Marcar o gol mais importante de sua carreira, muito para quem tem só 20 anos.

Mas você não defende qualquer equipe, e sim o Boca Juniors. Não joga qualquer torneio, mas a Libertadores, onde toda a mística xeneizes se agiganta. E, depois de ver a bola entrando, a primeira imagem que vem a sua frente é a avalanche de torcedores desmoronando nas arquibancadas da Bombonera. Compreensível que a emoção tome conta da razão, não é? Assim, Cristian Pavón vibrou junto e arrancou a camisa para comemorar o tento, sem se lembrar que havia tomado um cartão amarelo seis minutos antes. Inconsequência que custou sua expulsão, diante de um Héber Roberto Lopes que compreendeu a lamentação do garoto com a expulsão e até pareceu consolá-lo.

Pavón era o melhor em campo pelo Boca. O que mais chamava o jogo no ataque, mesmo antes do gol. Sua expulsão faria falta aos xeneizes nos 15 minutos finais, e por um motivo banal. No entanto, não dá para condenar a atitude do ataque. Que, ainda assim, acabou sendo o salvador de sua equipe na Libertadores. Aquele gol valeu o empate por 1 a 1 contra o Nacional, depois que Daniel Díaz tinha marcado contra no primeiro tempo. Com o placar repetido da ida no Parque Central, a decisão seguiu para os pênaltis. E o goleiro Agustín Orión tratou de finalizar o serviço, defendendo três pênaltis e assegurando a classificação do Boca às semifinais com a vitória por 4 a 3.

O erro de Pavón é inegável. Quando entram em campo, os jogadores precisam ter consciência das regras do jogo. Ainda assim, o caso na Bombonera serve para se discutir a pertinência da punição determinada pela Fifa. Afinal, o jovem atacante nada mais fez do que incorporar a paixão que rege o futebol. Mas que, por vezes, pode infringir o regulamento. Agora, o camisa 7 só pode lamentar a falta que fará nas semifinais.

O Boca Juniors não vive uma Libertadores brilhante, longe disso. Teve dificuldades de enfrentar o bem armado time do Nacional e dependeu do talento individual para buscar o empate. Porém, não dá para negar o peso que os xeneizes impõem na competição. Por mais que o Nacional tenha uma tradição imensa, seus jogadores não souberam lidar com a pressão dos pênaltis na Bombonera. Por essa vibração, aliás, é que os argentinos se põem entre os favoritos. Uma virtude que se evidenciou em Pavón, por mais que sua falta de tato para o momento tenha o tirado de campo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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