AlemanhaCopa da Alemanha

Viradas, milagres, quatro gols na prorrogação: O Bremen enche o peito após o épico em Dortmund

Quem teve o prazer de assistir ao jogo do Signal Iduna Park nesta terça-feira não se esquecerá tão cedo do espetáculo. Borussia Dortmund e Werder Bremen ofereceram um confronto eletrizante pela Copa da Alemanha. Nem sempre os 90 minutos contaram com o maior empenho das equipes, apesar das chances de gol e do empate parcial em 1 a 1. A taquicardia maior ficou guardada para os instantes finais, assim como para a prorrogação de quatro gols. O duelo terminou em 3 a 3 no marcador e o jovem goleiro Eric Oelschlägel ia se transformando no grande responsável pela sobrevivência do BVB. Mas aí veio a disputa por pênaltis e Jiri Pavlenka se consagrou. Pegou duas cobranças e, com o triunfo por 4 a 2, colocou os Verdes nas quartas de final. Jogaço.

O Borussia Dortmund entrou em campo sem alguns de seus titulares, com as ausências notáveis de Roman Bürki e Jadon Sancho. O titular na meta aurinegra era Oelschlägel, goleiro de 23 anos que fazia sua estreia pelo time principal. Antigo jogador do próprio Werder Bremen, o reserva da seleção alemã nos Jogos Olímpicos de 2016 chegou nesta temporada ao Signal Iduna Park e vinha disputando a quarta divisão com o time B. Pois nesta noite, o novato seria fundamental à sua equipe, apesar da frustração nos penais.

Logo aos cinco minutos, Oelschlägel não teve muito o que fazer quando o Werder Bremen abriu o placar. Max Kruse cobrou uma falta rasante e Milot Raschica desviou no meio do caminho, estufando as redes. Os Verdes começaram em ritmo forte e dificultavam a vida dos aurinegros com sua pressão alta. Aos poucos, no entanto, o Dortmund começou a encontrar seus espaços e a criar chances. Mario Götze quase marcou de letra e dava trabalho à defesa adversária. Depois, seria a vez de Reus errar o alvo. Do outro lado, Raschica era quem mais incomodava. E quando Max Kruse poderia ter ampliado, Oelschlägel se agigantou pela primeira vez.

O empate saiu no apagar das luzes, às portas do intervalo. Axel Witsel sofreu uma falta na entrada da área e Reus partiu para a cobrança. O camisa 11 demonstrou toda a sua precisão para bater na bola, mandando no ângulo. O chute cheio de curva mal deu tempo para Pavlenka reagir. Uma pena que aquele também tenha sido o último ato do capitão. Sentiu uma lesão na coxa, dando lugar a Paco Alcácer no segundo tempo.

A etapa complementar foi disputada em ritmo mais lento. O ataque do Dortmund pouco funcionou e, quando o Bremen poderia ter matado o jogo, parou em Oelschlägel. O goleiro voltou a negar o tento para Max Kruse logo nos primeiros minutos e faria milagre contra o veterano no fim do tempo regulamentar. Outra cobrança desviada de Kruse parecia seguir rumo às redes, mas o jovem goleiro mudou de direção no meio do caminho e operou o milagre. Já nos acréscimos, a virada só não aconteceu porque Thomas Delaney carimbou o travessão.

Tudo parecia aberto à prorrogação. E a insanidade se confirmou quando Christian Pulisic anotou seu gol aos nove minutos. O americano não fazia boa partida, mas iniciou uma arrancada do meio-campo. Na entrada da área, tabelou com Paco Alcácer e recebeu o passe redondo para bater por baixo de Pavlenka. A noite, de qualquer maneira, teria outros heróis. No início do segundo tempo extra, do alto de seus 40 anos, seria a vez de Claudio Pizarro aparecer. Em meio à confusão na área, o centroavante se antecipou, igualando tudo novamente.

Depois de uma série de boas chances, o Dortmund parecia ter matado o jogo a oito minutos do fim, assinalando o terceiro gol. Após uma jogadaça de Maximilian Philipp pela ponta direita, Achraf Hakimi apareceu na área para completar. Só que os Verdes não esmoreceriam. Davy Klaasen chutou da entrada da área, exigindo outra enorme intervenção de Oelschlägel. Por fim, acabaram decretando o empate no último minuto da prorrogação. Mais uma vez Kruse participou, cobrando escanteio para Martin Harnik desviar de cabeça. A bola quicou no chão e matou Oelschlägel, que até tocou nela, sem conseguir salvar. A montanha-russa de emoções levou aos pênaltis.

Na marca da cal, Pavlenka se agigantou. O goleiro do Bremen assumiu o protagonismo e pegou os pênaltis mal batidos por Alcácer e Philipp. As defesas deram tranquilidade ao Werder Bremen, apesar das conversões seguintes do Dortmund. Ao final, o triunfo por 4 a 2 foi mais do que merecido aos Verdes. Tiveram uma atuação mais consistente ao longo da noite e vão com sede às quartas de final da Pokal. Aos aurinegros, resta uma competição a menos na sequência do trabalho.

A DFB Pokal teve outras surpresas. Mais cedo, a grande zebra aconteceu na Voith Arena. Brigando pelo acesso à primeira divisão, o Heidenheim eliminou o Bayer Leverkusen, que havia superado o Bayern de Munique na rodada passada da Bundesliga. Julian Brandt até abriu o placar, mas Nikola Dovedan e Maurice Multhaup comandaram a virada por 2 a 1. O Hamburgo, que despachou o Nuremberg, e o Paderborn, algoz do Duisburg, também representarão as divisões de acesso nas quartas de final da Copa da Alemanha.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo