Todo mundo se lembra do erro decisivo. O chute de Rivaldo que Oliver Kahn não segurou, deixando a bola livre para Ronaldo marcar o primeiro gol na final da Copa de 2002. Mas poucos se recordam (ou mesmo sabem) das limitações do goleiro alemão naquela final. O veterano jogava no sacrifício, com uma torção nos ligamentos de um dos dedos da mão direita. Não queria perder por nada a decisão, até porque a Alemanha só chegou tão longe por sua causa. Nada que justifique sua falha, é verdade – algo que ele mesmo preferiu não usar como desculpa após o jogo. Um erro que custou a Kahn a chance de ser campeão, após seis partidas impecáveis na caminhada do Nationalelf.

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Aquele lance marcará a carreira de Kahn. Uma pena. Dá para contar nos dedos os tão bons quanto Kahn nos últimos 30 anos. Não à toa, o alemão é o único de sua posição a ficar mais de uma vez entre os três primeiros na votação da Bola de Ouro. Em 2001, quando defendeu dois pênaltis na final da Liga dos Campeões e deu ao Bayern de Munique o seu primeiro título no torneio em 25 anos. E também no ano seguinte, quando faturou o prêmio de melhor da Copa, votado antes da final – quando, após a falha custosa, Ronaldo ou Rivaldo pareciam mais indicados a recebê-lo.

Kahn nasceu para ser goleiro. Por mais que não fosse tão alto assim (1,88 m), possuía um tempo de reação impressionante. Talvez nenhum arqueiro na história seja tão explosivo sob traves quanto o alemão. A quantidade de defesaças à queima-roupa ressalta isso. Além disso, o craque também contava com boa impulsão e transmitia muita segurança. Capacidade natural aprimorada com muitos treinamentos, e com o melhor professor da melhor escola de goleiros do mundo: seu preparador foi ninguém menos que Sepp Maier, tanto na quanto no Bayern de Munique – com o qual foi campeão alemão oito vezes em 13 temporadas.

O fantasma de 2002 sempre vai perseguir Kahn. Mas sua história não pode se limitar a isso. Especialmente para quem reinou como o melhor goleiro do mundo na virada do século, antes de abrir passagem à ascensão de Buffon, Casillas e Cech. Nesta segunda, quando o alemão completa 46 anos, vale relembrar os seus muitos milagres: