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Vidal renova as ambições do Bayern como um diferencial necessário à equipe

O anúncio com mais pompas depende apenas dos exames médicos, mas, neste momento, é pura formalidade. O Bayern de Munique já confirmou a contratação de Arturo Vidal junto à Juventus, em seu principal negócio na temporada. Sonho de consumo antigo dos bávaros, desde os tempos de Bayer Leverkusen, o meio-campista chega à Allianz Arena por estimados € 35 milhões. Um valor condizente ao futebol do chileno e ao peso com o qual desembarca no clube. Afinal, mais do que renovar as forças da equipe de Pep Guardiola, o craque também vem para assumir uma enorme responsabilidade de ser o diferencial no meio de campo dos bávaros. Uma missão e tanto, especialmente após a saída de Bastian Schweinsteiger.

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É no meio que Pep Guardiola possui as melhores opções de seu elenco – até porque costuma mesmo deslocar os seus laterais para o setor. Só que nenhum dos nomes disponíveis tinha o diferencial de Schweinsteiger. As lesões e as preferências do técnico tiraram um pouco do espaço do antigo camisa 31, é verdade, mas ele era o nome mais completo na posição. Contribuía na marcação, preenchia diferentes espaços do campo, passava com eficiência e também aparecia para decidir. Dono de um arremate poderoso, de competência nas bolas paradas e mesmo de presença de área, o veterano ajudava demais quando só a pressão ofensiva dos bávaros era insuficiente – resumindo, era um dos caras que assumia a bronca para balançar o barbante. O que o time também conta com Vidal.

O chileno também faz as vezes de “todo-campista”. Pela idade, aos 28 anos, até mesmo com mais vigor do que Schweinsteiger. Está presente em todos os lugares e em todos os momentos, seja defendendo ou atacando. E possui como virtude exatamente esta capacidade de surgir como elemento extra na finalização. Para uma equipe que depende muitas vezes de alguém que rompa as retrancas adversárias, Vidal aparenta ser um reforço cirúrgico – mesmo que outras necessidades permaneçam, especialmente na defesa. O novato apresenta um estilo de jogo mais vertical do que o tradicional com Pep Guardiola. E essa renovação de atitude que o Bayern necessita. Embora a Bundesliga tenha se tornado obrigação, só ela já não é mais suficiente. A necessidade é a Champions. O novato precisa ter consciência deste seu peso e lidar com isso, já que nos últimos tempos demonstrou certo destempero em momentos de maior cobrança – como, por exemplo, a própria final do torneio continental contra o Barcelona e a Copa América.

Enquanto esteve na Juventus, Vidal se manteve como referência no tetracampeonato italiano. Teve alguns problemas físicos, de fato, mas sua importância na equipe é inegável. Em um time que dependia demais da força do meio-campo, Vidal dava o resguardo necessário a Pirlo e o apoio fundamental a Tevez. Ainda que Pogba (por enquanto) permaneça, e o setor tenha boas opções com Marchisio e Sturaro, o chileno deixa uma lacuna em Turim. Exatamente porque cumprir sua função de maneira tão completa é missão para pouquíssimos.

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Completado o ciclo na Juve, enfim, Vidal também dá um passo importante dentro das perspectivas de sua própria história. Com a camisa bianconera, se tornou um dos melhores do mundo em sua posição, brilhando em uma grande sequência de títulos da Velha Senhora. Neste intervalo, também assumiu o protagonismo ao lado de Alexis Sánchez e Claudio Bravo na melhor seleção chilena de todos os tempos. Já em Munique, caminha para se transformar em um jogador memorável. Tem a chance de ser líder de um terceiro grande time em sua carreira. Elenco, aliás, é o que não falta para este Bayern ser lembrado assim. Porém, são necessários os títulos que ratifiquem esta condição. Sobretudo, a Champions.

Vidal já vem com o peso de líder. Com a expectativa de que assuma o papel de estrela, que se perde entre as lesões de Robben e Ribéry, a venda de Schweinsteiger e o protagonismo difuso em uma equipe que se valoriza demais pelo coletivo. Mas que depende, e muito, das individualidades para dar um passo além. E o meio de campo ganha exatamente o craque para ajudar no funcionamento do todo, mas também assumindo a responsabilidade de decidir sozinho.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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