América do Sul

Em um jogaço contra o México, Vidal deixou evidente toda a sua importância ao Chile

A Copa América teve uma rodada inicial bastante morna. Para começar a esquentar bastante nesta segunda, com dois jogos de alta intensidade no Grupo A. Depois da surpreendente vitória da Bolívia, Chile e México fizeram uma partida eletrizante para fechar a noite. E, apesar de toda a vontade dos chilenos, virando o placar e buscando a vitória até o último minuto, os mexicanos conseguiram arrancar um importante empate por 3 a 3 em Santiago. Uma noite em que, apesar dos erros na defesa, La Roja mostrou bem mais suas credenciais. Especialmente pela maneira como Arturo Vidal liderou o time de Jorge Sampaoli.

O México surpreendeu duas vezes, ao se aproveitar de uma velha fraqueza do Chile: o jogo aéreo. Vuoso e Raúl Jiménez deixaram El Tri duas vezes em vantagem antes dos 30 primeiros minutos, em duas jogadas pelo alto. E o estrago só não foi maior porque Claudio Bravo ainda realizou grande defesa, pouco antes do segundo gol. Já do outro lado, os chilenos não faziam uma partida tão ativa, mas já eram melhores do que na nervosa estreia contra o Equador, sendo mais diretos no ataque. Conseguiram diminuir o prejuízo duas vezes, também em bolas alçadas na área. Aránguiz cruzou para Vidal buscar o primeiro empate aos 22, enquanto o meia da Juventus deu a assistência para Eduardo Vargas levar o 2 a 2 já no final do primeiro tempo.

Vidal, especialmente, é o grande diferencial do time de Sampaoli. Por mais que Alexis Sánchez incomode demais para abrir espaços no ataque, enquanto Aránguiz e Marcelo Díaz ditam o ritmo no meio de campo, o camisa 8 é o elo entre os dois setores. Suas projeções são fundamentais à pressão que o Chile de Sampaoli costuma exercer, tabelando com os companheiros. Mais do que isso, ele possui uma capacidade física acima do comum, assim como bastante qualidade nos passes e nas conclusões. A melhora do time em relação à estreia, sem dúvidas, passou por seus pés.

Até porque o próprio Vidal se encarregou da virada no início do segundo tempo. Ele sofreu um pênalti e se encarregou de cobrar, anotando o seu terceiro tento na Copa América. A atuação do Chile na volta da segunda etapa, aliás, era excelente. O time de Sampaoli era bastante agressivo, encontrando espaços na área e sem medo de arriscar a gol. Tanto que o quarto gol poderia ter saído sem maiores dificuldades. Valdívia (que fez ótimos 45 minutos finais) e Sánchez até chegaram a balançar as redes, mas tiveram os seus tentos anulados pela arbitragem. Já na lateral direita, Mauricio Isla infernizava os mexicanos.

Só que o Chile acabou pagando o preço por sua ofensividade. Os muitos espaços deixados às costas da zaga mostraram o caminho para Vuoso marcar novamente. Após ótimo lançamento de Aldrete, o atacante saiu de frente para o gol e fechou a conta. Nos minutos restantes, o Chile encostou os mexicanos contra a parede e até mereciam o quarto gol, diante do bom número de oportunidades que criaram. Mas, na melhor delas, o chute de Valdívia, após passe de Vidal, passou a centímetros da trave.
Para o que se espera do Chile, o segundo tempo agradou, por mais que o resultado não tenha vindo. Mas já é possível ver o time se soltando mais na competição, em que carrega a obrigação de jogar em casa e as expectativas pela ótima fase. Vidal, por sua vez, assume o papel de liderança na equipe de Jorge Sampaoli. Com sua intensidade, as esperanças de uma grande campanha aumentam, tanto pela forma como chama a responsabilidade quanto pela contribuição que traz ao sistema coletivo como um todo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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