Vangaaladas rumo ao abismo

“Quem não faz, toma”, já diria um dos clichês mais vagabundos, oportunistas e sem-vergonha que existe no futebol. Mas mesmo esses chavões toscos têm o seu lugar, sobretudo quando o time que não faz o gol possui uma defesa que em alguns momentos ultrapassa os limites do ridículo, tanto coletivamente quando individualmente. E esse é, definitivamente, o caso do Bayern Munique que já não brigava pelo título alemão, havia sido eliminado da Copa da Alemanha e nesta terça disse Adeus à Liga dos Campeões ao perder por 3 a 2 para a Internazionale. A casa caiu de vez na Baviera.
Foi, de fato, um Allianzaço, e quanto a isso não há muito o que contestar. Do show de oportunidades no primeiro tempo à eliminação no final do segundo, o enredo da partida soava previsível desde o apito inicial do árbitro Pedro Proença. O gol impedido de Eto’o, a bola de Thomas Müller que ficou em cima da linha, as defesas de Júlio César, que, assim como em Milão, também falhou, não deixam de ser subterfúgios tentadores. Mas o fato é que os bávaros não podem culpar ninguém pelo fiasco a não ser eles mesmos.
Em que pese o cansaço dos jogadores que vieram da Copa do Mundo e a má fase vivida por alguns deles, como Schweinsteiger e Thomas Müller, o maior responsável pelo vexame é, sem dúvidas, Louis van Gaal. Conhecido por criar e alimentar problemas com seus jogadores, ele arrumou briga com alguns e abusou do direito de tomar decisões erradas durante a temporada. Não reforçou o miolo de zaga e seguiu apostando em Van Buyten e Demichelis, e pouco antes da pausa de inverno resolveu barrar os dois, improvisando Tymoshchuk e “ressuscitando” Breno, que retribuiu a oportunidade recebida com a falha gritante no terceiro gol da Inter, marcado por Pandev.
Além de não ter reforçado a zaga, van Gaal também não se preocupou em trazer jogadores para a lateral esquerda, outra posição carente do time, e preferiu seguir apostando em Badstuber e Contento no início. Quando se deu conta de que não ia dar certo, colocou Pranjic no setor e o croata até que foi bem, acertando bons cruzamentos e marcando direitinho. Quando tudo parecia ajeitado, porém, Luiz Gustavo chegou do Hoffenheim.
Desde então, Van Gaal passou a inventar além da conta. Na Bundesliga, usava Luiz Gustavo como lateral esquerdo e Pranjic como volante. Na Liga dos Campeões, invertia os dois. O miolo de zaga também nunca era o mesmo, com Tymoshchuk, Van Buyten, Breno e Badstuber se revezando como titulares. No gol, saiu Hans-Jörg Butt e entrou Thomas Kraft, que até tem feito boas partidas, com exceção do jogo contra o Hannover 96, em que engoliu um frangaço na derrota por 3 a 1.
As mudanças constantes, os problemas de relacionamento e a falta de padrão tático do time fizeram com que nem Robben, que retornou muito bem nesse início de 2011, pudesse resolver os problemas do time no ataque. Sem padrão de jogo na defesa, fica obviamente muito mais difícil vencer competições de alto nível e é necessário que o substituto de van Gaal, que sai no fim da temporada, entenda isso o mais rápido possível. Afinal de contas, pouco será útil o talento de Robben, Ribéry e Thomas Müller se não houver uma consistência coletiva que permita que esse talento possa decidir partidas importantes.
Felix Magath: saída mal explicada
Nesta quarta-feira, o Schalke 04 confirmou a saída de Felix Magath do comando técnico da equipe, numa atitude que soa estranha até agora, para dizer o mínimo. Tudo bem que o time não faz uma boa campanha na Bundesliga e ocupa apenas a décima posição, mas está classificado para a decisão da Copa da Alemanha e é o único do país que ainda sobrevive na Liga dos Campeões.
Demiti-lo, nesse momento, não pareceu ser uma das atitudes mais inteligentes tomadas pela diretoria. Em que pese os problemas de relacionamento que Magath tem com os jogadores, as inúmeras confusões que cria, o jeito “militar” de comandar suas equipes, o fato é que ele reconstruiu um time esfacelado pela perda de cinco titulares, começou o campeonato muito mal, e quando conseguiu dar consistência tática ao novo onze, simplesmente foi sacado.
O substituto é Ralf Rangnick, que já fora sondado anteriormente pelo Bayern Munique antes dos bávaros acertarem com Jupp Heynckes para a próxima temporada. Rangnick, 52 anos, já comandou os azuis-reais em 2004/05, quando foi vice-campeão da Bundesliga e vem de um belo trabalho no Hoffenheim, clube que dirigiu entre 2006 e 2010 e no qual ajudou na evolução de vários jovens, como Carlos Eduardo, Vedad Ibisevic e Luiz Gustavo.
Mais preocupante do que a saída de Magath, porém, é o fato do Schalke ter oferecido um novo contrato para Raúl até 2014. Conhecendo o histórico do espanhol, não seria nenhum absurdo imaginar que as duas coisas estão ligadas entre si, embora não haja, no momento, nada que justifique essa crença.



