Alemanha

Uma vitória ao estilo alemão

Uma vitória por 3 a 2 contra a Turquia, mesmo sem o domínio da partida e a classificação para a decisão do título foi assegurada. Assim, com características tão peculiares ao espírito da equipe, de mostrar superação em momentos decisivos mesmo sem impor seu futebol, a Alemanha conquista uma vaga na final da Eurocopa-08, no que é considerado mais um triunfo da eficiência alemã.

Este é, no momento, é a mentalidade da Nationalelf, uma das mais importantes seleções do mundo, mas que ainda busca reafirmação e desde 1996, não comemora o mais importante título europeu de seleções. Se uma derrota contra Portugal seria vista com certa naturalidade, a eliminação para a aguerrida, mas limitada equipe turca causaria uma sensação de fracasso. Porém, a missão foi mais uma vez cumprida.

Antes da partida, a recuperação de Torsten Frings, liberado para jogar, trouxe um “problema” ao técnico Joachim Löw. Para entrar em campo no 4-2-3-1, esquema que deu certo nas quartas-de-final, o treinador teria que e abrir mão de Hitzlsperger ou Rolfes, jogadores que apoiaram de forma eficiente o setor defensivo e deram mais segurança ao time. Löw manteve o mistério até pouco antes da partida, e optou pelo que havia dado certo.

A maneira como a equipe turca havia superado seus últimos adversários, principalmente as Croácia nas quartas-de-final, deram à partida uma importância extra. Fora de campo, Alemanha e Turquia vivem uma situação curiosa a respeito da naturalização de alguns atletas, muitos jogadores que estiveram entre os convocados de Fatih Terim nos últimos meses, nasceram na Alemanha, mas optaram por defender a seleção de seus ascendentes.

Já dentro de campo, a Alemanha enfrentaria uma Turquia devastada por desfalques, mas repleta de orgulho e confiança. E foi assim assim que se mostraram, os turcos iniciaram a partida como ainda não haviam feito nesta Euro, jogando bem, realizando boas jogadas de ataque principalmente pela direita e tomando a iniciativa do jogo. Após uma bola na trave de Kazim Kazim, Ugur Boral abriu o placar e deixou a Alemanha com a obrigação de buscar o empate, o que aconteceu apenas cinco minutos depois, com Schweinsteiger e a boa assistência de Podolski.

No segundo tempo, Frings substituiu Rolfes, o time foi mais ofensivo, mas a maneira como a Turquia tocava bola no meio campo, deixava os torcedores alemães nas arquibancadas do St. Jacob Park, com a incômoda sensação de déjà-vu, dissipada com o gol de Klose, mas presente de forma ainda mais intensa com o empate Semih Sentürk. Até que Philipp Lahm, deficiente na marcação, mas brilhante em suas descidas ao ataque, exorcizou a possibilidade da virada turca, aos 90 minutos.

Contrariando o que foi apresentado pelo time na primeira fase, porém confirmando as expectativas pré-torneio, a Alemanha chega à final, com a liderança quase imperceptível, mas fundamemental de Ballack, com o apoio na marcação de Hitzlsperger e as assistências de Lahm. O adversário será decidido entre Espanha e Rússia, que superaram as poderosas Holanda e Itália e merecidamente disputam a segunda vaga da decisão.

Se a “Fúria” superou o trauma das quartas-de-final e tem nos pés de seus atacantes Villa e Fernando Torres e na marcação incansável do meia Marcos Sena, os pontos fortes do time, a Rússia é, na fase final, a seleção com o melhor (e mais eficiente) futebol apresentado, além de contar com uma dupla que se mostrou inspirada e muito entrosada, Arshavin-Pavlyuchenko.

De qualquer forma, seria imprudente apontar qualquer um dos adversários como mais tranqüilos no caminho da conquista alemã, sobretudo pelo que já se viu (e reviu) nesta Euro-08. Mas a Alemanha chegou longe e quando isso acontece dificilmente a Taça escapa de suas mãos. “É tempo de mais uma vez escrevermos a história”, declarou mais que confiante auxiliar técnico, Andreas Köpke.

Magoado

Logo após a vitória e a conquista da vaga na final da Eurocopa-08, o goleiro Jens Lehmann, mesmo sem muito crédito até com a torcida alemã, não resistiu e alfinetou seu ex-treinador, no Arsenal, Arsène Wenger, declarando que o manager estaria equivocado.

O goleiro, que atuava pelo clube inglês há cinco anos, não aceitou permanecer na reserva durante mais uma temporada e transferiu-se para o Stuttgart. “ O mérito de chegar à final significa muito para mim depois de uma temporada difícil. Mas esta temporada difícil era para o meu treinador”.

A decisão do técnico Joachim Löw de confiar a camisa número 1 à Lehmann, que atuou em apenas 12 partidas na última temporada foi muito contestada antes da competição. A Alemanha chega à final da Eurocopa, mas Jens Lehmann, que inclusive falhou no primeiro gol da Turquia, tem tido apenas atuações regulares.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo