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Tuchel foi essencial para que Nagelsmann se tornasse treinador e agora reencontra seu pupilo na luta pela final da Champions

Julian Nagelsmann é um dos mais talentosos e promissores treinadores do mundo. Se para quem o acompanhava na Bundesliga não restava dúvidas quanto a isso, o jovem treinador agora ganha projeção mundial com o trabalho que vai conduzindo à frente do RB Leipzig, um dos semifinalistas da atual temporada da Champions League. Em sua busca de uma vaga à final da competição, Nagelsmann encontra justamente o principal motivador para que ele se tornasse técnico: Thomas Tuchel, que está hoje à frente do PSG.

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Nagelsmann completou 33 anos há menos de um mês. No curso normal das coisas, nesta idade, era para o alemão estar talvez no início de sua reta final de carreira como jogador. O destino, no entanto, lhe reservava outros planos.

Revelado pelo 1860 Munique, passou uma temporada em seu clube de formação, na equipe B, antes de se mudar para o time homólogo do Augsburg. Era o início da temporada 2007/08, e no Augsburg B o técnico de Nagelsmann seria Thomas Tuchel.

Companheiros da época descrevem Nagelsmann como um zagueiro habilidoso. Inteligente em campo, sabia se posicionar de forma a não precisar sempre ganhar no confronto físico. Lia bem os espaços e se antecipava aos adversários, dando ainda passes precisos para os meio-campistas da equipe. Essas qualidades já eram os primeiros sinais de que um dia ele pudesse se tornar um bom técnico, mas isso ainda passava longe demais de sua cabeça.

Ainda em sua primeira temporada no Augsburg, o jovem sofreu uma lesão no joelho que acabaria por encerrar sua carreira precocemente. “Depois da minha contusão, eu não queria saber de futebol. Queria fugir por um tempo, porque havia investido tanto tempo nisso. De um dia para o outro, minha carreira estava acabada, mais rápido do que eu jamais tinha imaginado”, recorda, em entrevista à CNN.

Suas chances de voltar a ser jogador de futebol haviam se esgotado antes mesmo de seu curto contrato de um ano com o Augsburg. Seu técnico, Tuchel, então decidiu lhe dar o que fazer até o fim do vínculo: analisar equipes adversárias, no trabalho de preparação para as partidas.

Nagelsmann não sabia exatamente como fazer isso. Na primeira tarefa, foi assistir a um jogo de um adversário regional, o Gersthofen, em janeiro de 2008. Acompanhado de sua então namorada – e hoje mulher –, levou um caderno e fez anotações, enquanto sua companheira gravava a partida com uma câmera. O alemão estava inseguro e não entendia muito o que tinha fazer ao longo da observação. De repente, se via tendo que formular questões em que não pensava antes: o que eles fazem com a bola? Como eles fazem defensivamente?

“Na primeira vez, eu disse ao Thomas: ‘Não sei se é isso que você esperava’.” Não só era, como Tuchel lhe contou que havia visto as mesmas coisas no oponente. “Aquilo foi muito importante para mim, porque, até ali, eu não havia pensado como é que um técnico pensa”, conta Nagelsmann na biografia de Thomas Tuchel, escrita por Daniel Meuren e Tobias Schächter.

Dali em diante, nasceu e cresceu o interesse de Nagelsmann pelo ofício de treinador, algo que Tuchel encorajou nele não apenas com a oportunidade, mas também com palavras. Após o fim da temporada 2007/08, Nagelsmann ganhou a oportunidade de se tornar assistente técnico na equipe sub-17 do 1860 Munique, comandada por Alexander Schmidt, que havia treinado Nagelsmann quando este se preparava para se tornar jogador profissional.

Ele passou então dois anos no 1860 Munique, transferindo-se para o Hoffenheim, onde faria parte da comissão técnica do time sub-17. Rapidamente, foi progredindo dentro do clube, vencendo em 2014 o primeiro campeonato sub-19 da história da instituição. Sua escalada era vista com empolgação no Hoffenheim, que havia então decidido torná-lo o treinador da equipe principal a partir da temporada 2016/17. Entretanto, em uma dura briga contra o rebaixamento ainda em 2015/16, Huub Stevens, então técnico do time, pediu demissão apenas quatro meses depois de assumir, devido a um problema no coração. O Hoffenheim não pensou duas vezes: no dia seguinte, Nagelsmann, com apenas 28 anos, teve sua promoção antecipada e assumiu o clube.

Já era fevereiro de 2016, e restavam apenas 14 jogos na Bundesliga. Neste período, o jovem Nagelsmann liderou o Hoffenheim para conseguir sete vitórias e, por um ponto, garantir a permanência na elite.

Dando sequência a seu ótimo início como treinador de uma equipe principal, Nagelsmann foi ainda mais longe, levando o clube a um incrível quarto lugar na temporada 2017/18 e à vaga inédita na Liga dos Campeões. O sucesso não se repetiu em 2018/19 – e aqui temos que ressaltar que, já no início daquela campanha, o Hoffenheim já tinha anunciado sua saída ao fim do campeonato, com sua ida ao RB Leipzig já determinada.

Agora, em sua primeira temporada no comando do Leipzig, Nagelsmann mais uma vez impressiona. O clube, de apenas 11 anos de história, joga a Champions League apenas pela segunda vez, a primeira tendo sido em 2017/18. E, tão cedo, já chega à semifinal da competição. Quis o destino que, nesta altura, Nagelsmann encerrasse o “ciclo” que começou lá atrás e reencontrasse seu grande mentor, Tuchel.

O técnico do PSG, ao chegar a esta semifinal, repete um feito que havia sido alcançado apenas uma outra vez na história de seu clube, na longínqua temporada 1994/95. A Champions League é hoje a grande obsessão dos parisienses e ela nunca esteve tão perto. Na melhor hipótese ao Paris, apenas dois jogos separam o clube da taça. Tuchel se coloca em posição para possivelmente entrar na história de uma instituição que apenas começa a dar seus primeiros passos para ser um gigante inquestionável. Infelizmente para ele, pode ter sido fundamental na formação justamente de um forte candidato a algoz.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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