Torcida do Schalke fincou sua opinião nas arquibancadas: “O terrorismo não tem religião”

Muito se fala sobre o uso do futebol para manobrar as massas. Afinal, o entendimento de que “pão e circo” podem manipular a população ao redor de interesses políticos surgiu muito antes mesmo da formalização do esporte. No entanto, pela mesma via que a fascinação demasiada pode alienar, ela também consegue abrir os olhos. São inúmeros os episódios históricos em que as arquibancadas se tornaram um ambiente para debate. Em meio ao controle de regimes autoritários, de direita ou de esquerda, o refúgio em meio à multidão também se tornou um caminho para a resistência – e em diferentes partes do mundo.
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Assim, a mensagem que vem das arquibancadas ganha força. E a torcida do Schalke 04 se aproveitou disso durante o clássico contra o Bayern de Munique, neste final de semana. Diante do clima de insegurança que se instaurou nos estádios alemães, sobretudo depois da ameaça de bomba em Hannover durante o amistoso cancelado da seleção local, parte dos Azuis Reais fincou o pé para transmitir sua posição, justo na partida mais visada da rodada. Ao invés de adotar o discurso de intolerância que costuma se repetir nos ciclos de ódio criados em atentados, eles usaram o seu principal palanque, com uma frase poderosa para fomentar a discussão: “O terrorismo não tem religião”, dizia a faixa colocada por seus ultras.
Durante as últimas semanas, o Schalke tem sido um dos clubes a participar de maneira mais ativa na acolhida aos refugiados, principalmente os árabes. O clube lançou uma campanha de combate ao racismo, ao mesmo tempo em que sua torcida realizou um mosaico com a palavra “levante-se”. Vale ressaltar que os Azuis Reais possuem uma torcida historicamente engajada, ligada às massas operárias do Vale do Ruhr – algo que, inclusive, o Terceiro Reich tentou se aproveitar, tentando vincular a imagem de Hitler ao time vitorioso e popular da década de 1930. De certa maneira, um clube que mostra as duas faces do uso político do futebol. Mas que parte de sua torcida enfatiza como prefere usá-lo, e não ser usada.



