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Sujeira de Hoeness ainda não manchou o Bayern. Ainda

O Bayern Munique vive uma das temporadas mais gloriosas de sua história. Campeões da Bundesliga quebrando todos os recordes possíveis e imagináveis, os bávaros estão na decisão da Copa da Alemanha e a um passo da final da Liga dos Campeões, podendo conquistar a inédita “tríplice coroa”. Um ano inesquecível para o clube, ao menos dentro de campo.

Um dos grandes artífices desta boa fase é Uli Hoeness. O ex-jogador e ex-diretor assumiu a presidência em novembro de 2009, ajudando a estabilizar os bastidores do clube para que os bons resultados aparecessem. O cartola, no entanto, aos poucos vai tendo sua reputação destruída pela gestão da própria vida pessoal. Investigado pelo fisco alemão, Hoeness é acusado de sonegação. E já admitiu seus erros.

O banco suíço que geriu as contas suspeitas de Hoeness adiantou que não há ligações entre as movimentações e o Bayern Munique. Independentemente disso, o escândalo acaba denegrindo também a imagem do clube. Enquanto o caso não é esclarecido por completo, a gestão do presidente continua em xeque – por mais que não existam outras suspeitas sobre as finanças dos bávaros, rigorosamente avaliadas pela Bundesliga e pela Uefa anualmente.

“De 2002 a 2006, eu realmente estava apostando em ações. Algumas vezes troquei o dia pela noite em negociações que eram difícil de compreender. Alguns desses montantes eram extremos. Isso me empolgou, era pura adrenalina”, afirmou o dirigente, em entrevista ao jornal alemão Zeit.

As movimentações de Hoeness no mercado de ações foram financiadas por Robert-Louis Dreyfus, ex-diretor da Adidas, fornecedora de material esportivo do Bayern desde 1965 e dona de 9% das ações do clube. A justiça alemã não revelou o montante suspeito de sonegação, mas, dependendo da quantia, o dirigente corre o risco de ser preso. Contudo, as autoridades costumam ser menos rigorosas com os sonegadores que admitam a irregularidade.

“Minha vida mudou no dia 20 de março, às sete da manhã. Estava de roupão e o procurador na porta de minha casa. Foi quando o inferno começou para mim. Eu cometi um erro, que estou tentando corrigir o quanto antes possível. Sinto que tenho sido catapultado ao outro lado da sociedade. Eu errei, mas não sou uma pessoa ruim”, completou Hoeness.

Diante da situação, é difícil imaginar que Hoeness possa continuar à frente do Bayern por muito tempo. Uma das principais revistas alemãs, a Der Spiegel estampa em sua capa desta semana: ‘O princípio de Hoeness – ganância, sonegação de impostos e Bayern’. A princípio, o presidente deve permanecer no comando até o final da temporada. Porém, com o cerco apertando, talvez a atitude mais sensata a partir de junho seja se afastar do clube, para que o lamaçal não respingue também nos bávaros.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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