Alemanha

Sem vocação

Disputar a Liga dos Campeões sugere uma abordagem diferente, dentro de campo, de qualquer equipe que participe. Territórios normalmente mais hostis, confronto de escolas e outras visões de futebol, necessidade de elenco profundo e ainda mais concentração e eficiência, seja na defesa ou seja no ataque – aqui alguns pontos consideráveis. Pois a estréia do trio alemão – formado por Bremen, Stuttgart e Schalke 04 – no cenário europeu deixou a desejar neste meio de semana, com três derrotas. E muito por isso descrito nas linhas acima.

No Santiago Bernabéu, em um jogo evidentemente muito duro, o Werder Bremen até que foi resistente. Anulando bem as principais jogadas do Real Madrid, essencialmente os flancos do campo, o Bremen levou algum perigo nos momentos mais lúcidos de Diego. O camisa 10, mais uma vez, não teve companhia na hora de idealizar ações ofensivas para sua equipe.

Não há de se negar que, o resultado, não foi ruim e/ou imprevisível. O jogo mais difícil dos seis que preenchem a fase de grupos, foi esse, e o placar de 2 a 1 é aceitável. Contudo, mesmo que se fale nos desfalques de Thorsten Frings e Tim Borowski, surpreende a baixa agressividade da equipe de Thomas Schaaf, justamente o que mais caracterizou o Bremen nas últimas temporadas. Para superar Lazio e Olimpiakos, será necessário jogar futebol.

No Ibrox Stadium, o Stuttgart de Armin Veh se sentiu à vontade durante pelo menos dois terços do jogo. Jogando com um enfoque agressivo diante do Rangers, os Schawaben abriram o placar com justiça, em um momento em que já acumulavam algumas oportunidades desperdiçadas. O trio Hilbert-Khedira-Da Silva, de boa qualidade técnica e solidariedade na marcação, retia a bola e anulava as ações escocesas. Cacau, irriquieto, fez uma partida elogiável.

O time alemão, porém, afrouxou. Por sua vez, foi notável que os escoceses se incendiaram, tomando nos últimos minutos o controle total e decisivo da partida, virando o jogo em pênalti ridicularmente cometido por Fernando Meira. O próximo jogo, contra o Barcelona, pode colocar o Stuttgart sem nenhum ponto na terceira rodada. E, ainda que seja possível bater o Lyon e o próprio Rangers, a desvantagem será evidente.

Em Gelsenkirchen, o Schalke 04 pagou o preço por não ter eficiência na finalização, especialmente nos pés de Kevin Kuranyi. Contra equipes tradicionais, o que é o caso do Valencia, dar chance ao azar pode ser fatal, especialmente quando há David Villa do outro lado. Mesmo criando algumas boas chances de gol, os Azuis Reais pagaram caro pela derrota dentro de seus domínios.

Nesse caso, a esperança pode estar na aparente combalidez do Chelsea, que perdeu Jose Mourinho e mais dois pontos dentro de Stamford Bridge. Esse cenário, de certa forma, pode beneficiar o Schalke, caso siga com a fluidez de jogo desta última terça-feira. Mas ser batido em casa, especialmente na fase de grupos, é algo que a Liga dos Campeões não costuma relevar.

Após essa rápida pincelada, pode se dizer que faltou mais cancha, sobretudo para Stuttgart e Schalke, que podiam ter colhido melhores resultados. O Bayern de Munique – que logo após a publicação dessa coluna estréia na Copa da Uefa – deu nos últimos anos mostras claras do que se fazer, ou não, em duelos como estes. A lição, porém, deve ser rapidamente absorvida.

Pé-de-obra

A Croácia é, ao lado de nações como Itália, Sérvia, Turquia, Grécia e Polônia, um país com alto número de imigrantes e exportador de mão-de-obra para a Alemanha. Na Bundesliga, não é incomum ver jogadores croatas em ação, assim como a ligação entre os países pode ser comprovada pelo, digamos, intercâmbio de jogadores.

Os irmãos Niko e Robert Kovac, com história pavimentada no futebol alemão, mas da seleção croata, nasceram em Berlim, por exemplo. Robert Prosinecki, que jogou Copa do Mundo pela antiga Iugoslávia, em 90, e pela Croácia, em 98, é outro nascido em território germânico: é de Schwenningen. Por fim, Ivan Klasnic, nascido em Hamburgo, joga também pela ex-seleção de Davor Suker.

Tudo isso para dizer que, no último fim de semana, dois talentosos nomes da seleção croata brilharam na rodada da Bundesliga. A dupla, aliás, têm feito bom papel desde o início da temporada, ainda que tenham se integrado apenas agora ao futebol alemão. Trata-se de Mladen Petric e Ivan Rakitic, de Borussia Dortmund e Schalke 04, respectivamente, que têm oferecido “pé-de-obra” para os tradicionais rivais da Região do Ruhr.

Rakitic, em destaque na seção Conheça o Jogador, é um Spielmacher de incomum capacidade técnica no atual opaco selecionado croata, carente de talento. Contratado com o peso de ocupar o lugar de Lincoln, tendo inclusive recebido a camisa 10 de herança, deixou instantaneamente para trás o jovem Mesut Özil, cotado para a função.

Ivan Rakitic assumiu a posição com naturalidade, marcando um golaço já na estréia, diante do campeão Stuttgart. Contra o Bayern de Munique, no Allianz Arena, o futebol de Rakitic voltou a aparecer, tendo acertado de fora da área, um balaço no canto de Oliver Kahn. Nascido na verdade em território suíço e proveniente do Basel, o garoto ainda tem muito a oferecer aos Azuis Reais.

Um dia antes, na sexta, Mladen Petric, coincidentemente contratado também junto ao Basel, foi um dos protagonistas para a contundente vitória diante do sempre respeitado, ainda que na descendente, Werder Bremen. Nascido em Dubrave, hoje parte da Bósnia, Petric foi vencer na Alemanha, onde vesta a camisa 10 do popular Borussia Dortmund.

Petric não faz o estilo clássico e não transmite a fantasia presente no jogo de Rakitic. Todavia, é um meia-atacante no melhor estilo formiguinha. Já nas primeiras e difíceis rodadas, como na surpreendente derrota por 0-3 para o Duisburg, o debutante croata já havia transmitido alguma segurança. Atuando no meio-campo e com a companhia do não menos talentoso Dede, é possível que siga oferecendo imaginação e transpiração ao Dortmund, carente por dias melhores, mas um pouco mais esperançoso após o jogo da sexta passada.

– Seleção Kicker da 5ª rodada da Bundesliga

Ziegler (Dortmund), Friedrich (Leverkusen), Bordon (Schalke 04) e Dede (Dortmund); Jones (Schalke 04) e Pardo (Stuttgart); Meier (Frankfurt) e Mintal (Nürnberg); Eigler (Arminia), Hanke (Hannover) e Pantelic (Hertha)

– Destaque da rodada pela Revista Kicker

Alexander Meier (Frankfurt)

Meio-campista ofensivo, com passagens pela sub-21 alemã, Meier recebe o prêmio da semana após ter participação efetiva na vitória de sua equipe sobre o Hamburgo, onde também já jogou. Após abrir o marcador no início de partida, o meia do Frankfurt recolocou os três pontos na conta com seu segundo gol da tarde, minutos antes do fim, mas logo após o empate obtido por Rafael Van der Vaart.

Atualmente, o Frankfurt divide a vice-liderança com o não menos surpreendente Arminia Bielefeld.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo