Sem rivais

Tão difícil quanto parar o Bayern neste início de temporada é achar, com segurança, um rival que possa lhe fazer frente. Nem o tridente de 2006-07 – formado por Schalke 04, Werder Bremen e Stuttgart, nem ascendentes como Hertha e Leverkusen, tampouco tradicionais como Hamburgo e Borussia Dortmund parecem capaz: os pontos se diluem entre todos e nenhum se estabelece, em fenômeno similar ao do Campeonato Brasileiro deste ano.
As virtudes do Bayern, aliás, já são bem comentadas. Ótima dupla de ataque, um Ribèry bastante ambientado, uma defesa firme, Van Bommel e Zé Roberto excelentes e Hamit Altintop jogando muito. Mas, se a tarefa é encontrar um rival para os bávaros, o colunista, se pensar pelo equilíbrio da tabela, só vislumbra o Bremen de Diego e Thomas Schaaf como eventual adversário, por mais eventual que possa parecer.
A equipe de jogo mais envolvente da última temporada esbarra no mercado ruim feito nos últimos meses, onde não foi contratado um nome à altura de Klose, hoje decidindo os jogos justamente a favor dos bávaros. Sanogo, que merece elogios, seria no máximo o bom parceiro que Miroslav Klose não tinha desde a temporada retrasada, quando Ivan Klasnic conseguia dividir os holofotes.
Em muito breve de volta ao time, o croata pode dar um acréscimo de qualidade que Hugo Almeida e Rosemberg não conseguem. Harnik, de bom desempenho no último Mundial Sub-20, ainda não parece pronto, assim como todo o Werder, aliás.
No setor defensivo, os costumeiros problemas não conseguiram ser resolvidos. De fato, não se imaginaria uma melhora com Pasanen atuando entre os titulares. Mas, além do fraco defensor finlandês, o Bremen sofre com a falta de proteção na entrada da área, o que tem feito os adversários encontrar sempre espaço entre os zagueiros Mertesacker-Naldo.
A dificuldade em dar a Diego uma companhia de igual talento no meio-campo é outra missão para Thomas Schaaf. Vranjes e Jensen são dois jogadores compenetrados, combativos e até de razoável mobilidade. Mas lhes falta técnica. Imaginar que o brasileiro Carlos Alberto – um hóspede habitual do departamento médico do clube – possa ser essa companhia é perigoso. O ex-Fluminense é um típico meia-atacante, inclusive mais atacante que meia. Ou seja, precisa estar próximo do gol, onde poderá render um pouco mais.
Os retornos de Frings, Klasnic e Borowski, claramente, podem ser a chave para um acréscimo de qualidade no Werder Bremen que, no sábado, atropelou o Stuttgart de forma incrível. O primeiro representa o equilíbrio que qualquer meio-campo precisa ter – passa, marca e chuta com a mesma qualidade e naturalidade, além de ser um líder por vocação. Borowski, que vive no estaleiro, pode ser utilíssimo se mostrar o futebol de outros tempos, o que depende principalmente de sua parte física.
Se há times que procuram um craque para ser a cereja do bolo em seus conjuntos, como Stuttgart e Schalke, por exemplo, o Bremen já tem. Diego tem jogado como na temporada passada, mas, sozinho, não fará, jamais, frente ao Bayern de Munique.
Joachim Löw: “Nós vamos melhorar”
Na última semana, o comandante do Nationalmannschaft, Joachim Löw, falou ao site da Fifa. Segundo disse o treinador, a Alemanha tem todas as possibilidades de melhorar ainda mais. Vale lembrar que, com Löw desde o fim da Copa do Mundo, são doze vitórias, um empate e só uma derrota.
Löw vê com bons olhos o conjunto adquirido por sua equipe, notoriamente a principal característica atual e até mesmo histórica. O treinador, todavia, credencia a evolução individual de seus jogadores como ponto decisivo para uma Alemanha mais forte.
Além disso, ressalta também a necessidade de constante renovação do time. Löw espera, nos próximos meses, aprofundar a entrada de jovens jogadores no plano de trabalho. Cita, surpreendentemente, o garoto Toni Kroos como um dos observados.
Nem a Wikipedia salva
Espanta o desconhecimento que paira sobre o sub-17 Toni Kroos. “Quem será esse Kroos?”. Eleito o melhor jogador do último mundial – e já destacado na coluna retrasada, o guri foi enviado a campo por Otthar Hitzfeld, no segundo tempo do jogo de quarta-feira contra o Energie Cottbus. Teve participação rápida, mas que pôde ser notada por todo o público do Allianz Arena. Deu dois passes precisos para gol em apenas vinte minutos em campo. E se apresentou aos desavisados de plantão.
Finalista
A sempre forte seleção feminina alemã vive grande momento. Bateu a Noruega por 3-0 nas semifinais, mas deixará muitos dos leitores da coluna com o coração dividido. O adversário da Alemanha em sua terceira final de Copa do Mundo, a segunda consecutiva, será o Brasil de Marta. Buscando o bicampeonato, as germânicas contam com o melhor ataque do mundial. Destaque para Birgit Prinz, Renate Lingor, Kerstin Garefrekes e Melanie Behringer. A final é no próximo domingo, dia 30.
Devolvendo o bastão
Encerro aqui minha participação durante as regradas férias do amigo Carlos Eduardo Freitas. Agradeço a leitura de todos e espero ter correspondido a confiança. Convido os leitores a me acompanharem na coluna de futebol brasileiro, publicada às segundas-feiras.
Seleções da Kicker
6ªrodada:
Lastuvka (Bochum), Langen (Hansa Rostock), Bordon (Schalke) e Haggui (Leverkusen); Vidal (Leverkusen) e Gilberto (Hertha); Hamit Altintop (Bayern) e Diego (Werder Bremen); Pantelic (Hertha), Hugo Almeida (Werder Bremen) e Petric (Borussia Dortmund)
7ªrodada:
Enke (Hannover), Westermann (Schalke), Sebastian (Hansa Rostock) e Bordon (Schalke); Jarolim (Hamburgo) e De Jong (Hamburgo); Streit (Frankfurt) e Rahn (Hansa Rostock); Guerrero (Hamburgo), Halil Antintop (Schalke) e Klose (Bayern)
Destaques da Revista Kicker
6ªrodada – Diego
O camisa 10 brasileiro, vivendo outra temporada elogiável no Werder, foi a principal figura na goleada sobre o atual campeão Stuttgart. Além de um gol, Diego quase fez, de bicicleta – ou puxeta, como preferir – um gol de placa.
7ªrodada – Miroslav Klose
Não poderia ser outro. Miroslav Klose fez três gols na acachapante vitória do Bayern sobre o frágil Energie Cottbus.



