Schalke no lucro

Manuel Neuer foi responsável por ampliar um recorde que parecia complicado de ser batido pelo Schalke 04. Depois de, pela primeira vez, passar da primeira fase da Liga dos Campeões depois de três tentativas frustradas, os Azuis Reais superaram o Porto no estádio do Dragão e avançaram às quartas-de-final da competição. Queiram os alemães ou não, é impossível não dizer que a classificação foi surpreendente. Não que o time de Gelsenkirchen seja ruim, mas sim pelo que jogou nos dois jogos diante dos portugueses.
Em sua casa, poderia ter feito mais gols e pecou pela falta de pontaria. No jogo de volta, conseguiu segurar um time que, em condições normais, teria goleado e garantido a vaga com certa tranqüilidade – o que não aconteceu graças a uma atuação – digna de Sepp Maier ou Oliver Kahn em seus bons tempos – de seu camisa 1.
Até as duas primeiras semanas de abril, quando serão disputadas as partidas das quartas-de-final da Liga dos Campeões (jogos de ida em 1° e 2, volta em 8 e 9), os torcedores têm motivos de sobra para comemorar. Pelo retrospecto alemão, pelo desempenho na LC e na Bundesliga, além dos potenciais adversários, a situação do Schalke é bastante complicada, a ponto de não ser difícil apontar o time alemão como ‘o’ grande azarão da competição até agora. Dá para achar argumentos que coloquem o Fenerbahçe nesse papel, mas o time turco ao menos era considerado favorito a passar da primeira fase. Os Azuis Reais, ao lado de Chelsea e Valencia, nem isso.
O retrospecto fala contra o clube. Se dividirmos a última década pela metade, dá para notar que entre 1997/98 e 2001/02 os clubes alemães tinham uma posição de protagonista na Liga dos Campeões. Estiveram entre os quatro primeiros em todas elas (com três equipes diferentes), fizeram três finais e ganharam uma – aproveitamento para lá de bom. Desde 2002/03, entretanto, o desempenho alemão caiu sensivelmente. Após a derrota do Bayer Leverkusen para o Real Madrid às vésperas da Copa do Mundo de 2002, nenhum alemão conseguiu ir além das quartas-de-final.
Outro aspecto que pesa contra o Schalke é o péssimo equilíbrio do time. Se, por um lado, tem uma defesa que parece intransponível na competição (levou apenas cinco gols em oito jogos na LC), o ataque está entre os piores da edição 2007/08, com apenas seis gols pró. Na Bundesliga, o aproveitamento não é melhor: 34 pró, 24 contra, em 22 partidas. Para depender do goleiro como depende, os números não escondem que não é uma zaga das melhores.
A partir do sorteio dos confrontos das quartas já será possível ter uma idéia das possibilidades de o Schalke recolocar um time alemão entre os quatro finalistas da competição, algo que não acontece há cinco anos. Contra um Fenerbahçe ou até mesmo um Liverpool, que oscila momentos geniais com outros tenebrosos, dá para acreditar. Diante de qualquer outro adversário, fica mais difícil acreditar na vaga. Se até agora, entretanto, o time contrariou as expectativas, por que não crer que isso acontecerá mais uma vez? No lucro (tanto no sentido financeiro quanto desportivo), o time já está.



