Alemanha

Rüdiger: “Eu gosto de fazer jogos mentais com meus adversários e usar trash talk, é divertido”

Em entrevista à TV espanhola, Rüdiger falou sobre a sua personalidade e a maneira como gosta de sentir o futebol

Antonio Rüdiger se destaca pela excelente fase nas duas últimas temporadas, mas também pela personalidade forte. O zagueiro cresceu muito de produção com a camisa do Chelsea e, desde que se transferiu ao Real Madrid, busca conquistar seu espaço nos atuais campeões europeus. E a força mental do beque é um traço perceptível inclusive em suas entrevistas. Em conversa com o Sport1, o alemão falou sobre a maneira como gosta de vivenciar o jogo, sobretudo quando entra na cabeça dos atacantes adversários.

“Eu gosto de fazer jogos mentais com meus adversários, também usar o trash talk. É divertido. Gosto de analisar meus rivais e pensar como reagirão se provoco um pouco. Não é que eu os escolha antes dos jogos, isso acontece de maneira espontânea. Não me tornei jogador profissional para ser amigo de todos. Sei que posso não ser querido por todos. Eu gosto de incomodar. O futebol é entretenimento e eu não vou driblar cinco como Vinícius. Eu faço de um jeito diferente”, declarou Rüdiger.

“Desde pequeno meus pais me chamavam de guerreiro, porque se há um muro, vou bater nele dez vezes, mas acabarei atravessando. Tinha problemas por ser impulsivo no começo da carreira e isso rendeu vários vermelhos no Stuttgart. Minha família me livrou disso. Eu já amadureci muito, por causa da minha idade e dos meus filhos. Tenho mais senso de responsabilidade”, adicionou também o zagueiro.

Sua inspiração em Pepe, aliás, é curiosa: “Pepe foi meu grande exemplo a seguir no Real Madrid, sempre quis ser como ele. Costumava ver seus vídeos, era jovem e queria mostrar a todos que eu também posso ser duro. Isso estava em minha cabeça. É uma loucura como Pepe era bom. Não apenas num duelo, também na estrutura do jogo. Hoje, todo mundo no Real Madrid me diz que na verdade ele era um personagem muito tranquilo fora de campo. Foi o único jogador que esperei uma hora para conseguir sua camisa. Pepe, Sergio Ramos e Thiago Silva são os três nomes que tenho mais orgulho de ter em minha coleção. São lendas absolutas”.

A preparação mental de Rüdiger, neste momento, também se volta à Copa do Mundo. O zagueiro será um nome importante para a Alemanha rumo ao Mundial. Acredita numa boa campanha de sua equipe, mas não nega que o favoritismo se concentra em outros concorrentes.

“O objetivo é sentir a emoção da Copa. Mas vejo outros países à frente da Alemanha neste momento. Não me escondo e não vou dizer que somos os maiores favoritos. A França e o Brasil têm individualidades muito boas, estão à frente de nós. O que distingue a Alemanha é a coesão. Se morrermos, morreremos todos em campo. Essa é a mentalidade”, analisou.

Rüdiger, aliás, não deixou de ter uma postura crítica sobre a realização do Mundial no Catar: “Dar a Copa para o Catar não foi uma decisão tomada para os torcedores e os jogadores. Ficou claro que o dinheiro tem um papel crucial no mundo do futebol. Vejo o debate sobre um boicote como algo que as instituições precisam levar a cabo, não os jogadores. Obviamente que precisamos ter uma visão crítica e temos isso”.

Sobre o Real Madrid, Rüdiger ofereceu elogios especiais ao técnico Carlo Ancelotti. Inclusive contou uma história anedótica: “Tinha acabado de chegar com minha família em nossa nova casa e fazíamos um churrasco, até que de repente tocou a campainha. Abri e Carlo Ancelotti estava lá. Ele se sentou na mesa com a gente, comeu e conheceu minha família. Muito normal, muito próximo. Ficou duas horas, falamos de tudo. Serei honesto, nunca havia experimentado algo assim, nenhum treinador tinha feito algo assim por mim. Depois de poucos meses com ele, preciso dizer: quando se trata de jogadores, Ancelotti é intocável. Trabalhar com ele todos os dias, no clube mais vencedor do mundo, é maravilhoso”

Outro trecho da entrevista que se destaca é o plano de carreira de Rüdiger para o futuro. Deseja seguir dentro de campo até os 40 anos, mas sua história no futebol não deve ir além. Preferirá experimentar outras áreas da vida depois que pendurar as chuteiras.

“Não sei se poderei jogar até os 40 anos. Quando Deus disser que acabou, então acabou. Poderei me dedicar aos meus negócios e a mim mesmo. Espero ter uma longa e exitosa carreira. Depois disso, não acredito que seguirei no negócio do futebol. Quero voltar a ser um menino e recuperar as coisas que não pude fazer. Ir ao parque e me divertir. Nunca fui à Disney porque meus pais não podiam permitir. Um dia eu os levarei junto com meus filhos”, contou o jogador de 29 anos

A Alemanha enfrenta Hungria e Inglaterra nesta Data Fifa, em compromissos pela Liga das Nações. Titular absoluto do Nationalelf desde 2020, o zagueiro se coloca atualmente como uma das principais lideranças no período de renovação sob as ordens de Hansi Flick.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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