Robben elege Anfield o “pior estádio” para jogar e fala do futuro longe do Bayern
A carreira de Arjen Robben está chegando ao fim. O jogador de 35 anos anunciou que deixará o Bayern de Munique, ao fim da temporada. Pretende continuar jogando, mas, sem futuro definido, não dá para saber se o duelo que começa nesta terça-feira, contra o Liverpool, pelas oitavas de final da Champions League, não será uma das últimas grandes ocasiões de um dos melhores jogadores da sua geração.
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A primeira partida será em Anfield, onde Robben já esteve para duelos decisivos da Champions, pelo Chelsea e pelo Real Madrid. Perdeu todos: eliminado na semifinal de 2004/05, com o gol fantasma de Luis García, e na mesma fase, nos pênaltis, dois anos depois, desperdiçando sua cobrança. Em 2008/09, pelos merengues, foi derrotado por 4 a 0, nas oitavas de final e também acabou saindo precocemente da competição.
O histórico faz com que Robben tenha muito respeito pelo estádio que receberá a partida desta terça-feira. “Acho que, se você me perguntar qual é o pior estádio, é provavelmente o do Liverpool. Você sempre tem seu adversário favorito e sempre tem que ter um negativo”, explicou, em entrevista ao Guardian. “Naquele momento, o Liverpool era realmente capaz de ser um time copeiro. Em um ou dois jogos, eles conseguiam cumprir as expectativas e ter um bom desempenho. Apenas não conseguiam a temporada toda. Mas essa era sua maior qualidade: estavam presentes no momento que precisavam estar”.
Agora, para Robben, o Liverpool está em outro patamar, finalista da Champions League e na briga pela liderança do Campeonato Inglês. Um desenvolvimento pelo qual o Bayern de Munique também teve que passar. O holandês lembra que, quando chegou, em 2009, o status dos bávaros não era de super-clube como atualmente.
“Eu estava em um grande clube, no Real Madrid, e meu objetivo era vencer a Champions League pelo menos uma vez. O Bayern talvez não estivesse entre os cinco ou dez melhores clubes da Europa naquele momento. Isso tornou minha decisão um pouco difícil porque eu tinha minhas ambições. Mas, no fim, foi a melhor decisão da minha carreira”, disse. “Daquele momento em diante, eu acho que o clube – não por minha causa, não me entenda errado – realmente começou a se desenvolver, não apenas no futebol, mas em diferentes áreas”.
Robben passou por duas frustrações antes de alcançar o objetivo de ser campeão europeu. Perdeu a final de 2010, para a Internazionale, e a de 2012, para o Chelsea, perdendo um pênalti na prorrogação. Foi campeão, enfim, em 2013, ganhando do Borussia Dortmund de Jürgen Klopp na final, com grande participação de Franck Ribéry na campanha, com quem Robben formou uma dupla fulminante.
“Acho que esses 10 anos teriam sido totalmente diferentes para mim sem Franck”, afirmou. “E acho que vice-versa também. Isso é algo que ele tem que dizer, mas conquistamos algo incrível neste clube e sou apenas muito grato também a ele, porque, sem ele, teria sido diferente”, disse.
Diferente como poderia ter sido a final da Copa do Mundo de 2010, entre Holanda e Espanha, se Robben tivesse marcado no lance em que ficou cara a cara com Casillas. “Você sempre pode dizer ‘e se?’, mas no momento acontece assim (estala os dedos). Você tem que decidir o que fazer em um segundo e você nunca sabe. Ainda tinha meia hora de jogo. A Espanha poderia ter atacado e marcado. Claro que foi um mano a mano e, por talvez um ou dois centímetros, acertou o dedão do pé e foi para fora. E foi uma boa decisão porque ele caiu para o outro lado. Então, eu posso me culpar? Não. Na verdade, não”, concluiu.
No momento, Robben sabe apenas que continuará jogando em outro clube. E, apesar de ter sofrido com muitas lesões na carreira, ainda tem muito combustível no tanque. “Sempre disse que, enquanto eu gostar do que faço e me sentir bem fisicamente para jogar no nível que quero, eu continuarei. Também estou curioso sobre o meu próximo destino. Talvez a Inglaterra, talvez a Espanha, talvez outro lugar. Pode ser em qualquer lugar. Vamos ver”, encerrou.



