Alemanha

Reus foi injustiçado pela Bola de Ouro, mesmo jogando muito

A Fifa tem total liberdade para montar a lista de finalistas da Bola de Ouro. Em geral, costuma misturar jogadores de destaque na temporada com outros de renome, mesmo que em fase não mais que razoável. Os grandes favoritos ao prêmio costumam não ter problemas com as opções da entidade – como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Franck Ribéry em 2013. O que não exime a Fifa de cometer injustiças. Como a gigantesca contra Marco Reus.

Ao lado de Arturo Vidal, o alemão foi a principal ausência dos 23 melhores da Bola de Ouro. Reus não precisou nem de uma temporada completa para se tornar protagonista do Borussia Dortmund. O atacante incorpora como ninguém o estilo de jogo aplicado por Jürgen Klopp no time, habilidoso e incisivo. Não por menos, foi um dos melhores do time no vice-campeonato da Liga dos Campeões. E, neste início de temporada, é grande craque do futebol alemão.

Reus lidera a pontuação atribuída pela revista Kicker ao melhor jogador da Bundesliga 2013/14. Com seis gols e cinco assistências em 11 rodadas, está à frente até mesmo de Franck Ribéry, um dos favoritos na Fifa. Se o ataque do Borussia Dortmund funciona tão bem, com 2,8 gols marcados por jogo no Campeonato Alemão, boa parte dos méritos vai ao alto nível exibido pelo atacante.

Um bom exemplo dessa importância foi dado nesta sexta-feira. Na abertura da rodada da Bundesliga, o Dortmund enfiou 6 a 1 sobre o Stuttgart, de virada. Reus marcou um belo gol e deu uma assistência de calcanhar para Robert Lewandowski anotar o primeiro de seus três gols na partida. Uma atuação ainda mais grandiosa pela mobilidade que o camisa 11 deu à linha de frente aurinegra.

O mais notável no jogo, ainda assim, foram os três gols de Lewandowski.  Naturalmente, o polonês acaba sendo o jogador mais comentado da partida. E, com 40 gols no ano, incluindo os quatro sobre o Real Madrid nas semifinais da Liga dos Campeões, a repercussão sobre o centroavante é maior. Ele está entre os 23 finalistas da Bola de Ouro, Reus não.

Não quer dizer que o fato de Lewandowski ter sido incluído na lista da Fifa é uma injustiça da Fifa. Ambos mereciam figurar na disputa pelo prêmio. O polonês, como um dos principais artilheiros do mundo na atualidade; o alemão, como craque de uma das melhores equipes do planeta. Há espaço para os dois. Ou melhor, haveria, se a Fifa não se apegasse tanto aos medalhões e deixasse de lado Reus por causa dos méritos de Lewandowski, como ficou parecendo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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