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Renegado no Chelsea, De Bruyne virou um dos maiores armadores do mundo no Wolfsburg

Mais um jogo maluco, mais um caminhão de gols e mais uma vitória fantástica do Wolfsburg. O 5 a 3 sobre o Werder Bremen neste domingo manteve a invencibilidade dos Lobos, que já vem desde o final de novembro. No campeonato à parte que é a Bundesliga sem o Bayern, o time de Dieter Hecking “lidera” disparado, com dez pontos a mais que o Mönchengladbach. E o principal nome desta equipe que vem encantando pelo jogo ofensivo, veloz e goleador teve mais uma grande atuação. Kevin De Bruyne, 23 anos, deu três assistências no duelo, chegando a 15 na Bundesliga. Igualou Fàbregas como líder no quesito, levando-se em conta todas as cinco grandes ligas da Europa. Sua carreira está apenas começando, mas é inquestionável que, tomando como período de observação a campanha de 2014/15, De Bruyne é um dos maiores armadores do mundo.

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KDB – chamemos o meia por essa sigla, quase todo grande jogador tem uma – é também o jogador com o maior número de chances criadas no Campeonato Alemão: 71. O número solto não diz muita coisa. Para efeito de comparação, peguemos Robben. O holandês vive temporada fantástica pelo Bayern de Munique e, dentro do clube, lidera nesse quesito. Tem apenas 50. Fábregas, justificadamente quase endeusado pelo seu nível de jogo no Chelsea, senhor criador de boa parte dos lances ofensivos dos Blues, tem 67. Outra estatística que dá uma boa ideia do que tem sido o atleta nesta temporada é o fato de que 86% de seus passes são para frente. É um atleta sinônimo de verticalidade. Não sei vocês, mas para mim apenas esses números já são suficientes para explicar a opinião de que o garoto está, hoje, entre os melhores do mundo no que faz.

Evolução do valor de mercado de De Bruyne, segundo o Transfermarkt
Evolução do valor de mercado de De Bruyne, segundo o Transfermarkt

Entretanto, Kevin De Bruyne não é só números. É agradável ver o camisa 14 jogar. Se você assistiu àquele histórico 4 a 1 do Wolfsburg sobre o Bayern de Munique, maior atuação do meia, você sabe do que estou falando. O garoto fez praticamente chover. Os Lobos encontraram o jeito de, dentro da Alemanha, derrotar – e com muita categoria – o time de Pep Guardiola: contra-ataques rápidos, precisos, fulminantes. E De Bruyne é a personificação de tudo isso. O belga foi o cara daquele jogo, com dois gols e uma assistência. Dizem por aí que Dante ainda está procurando o adversário.

Atualmente, os dirigentes do Chelsea devem ter aquela pulga atrás da orelha por ter vendido o jogador. Ele teria espaço no atual time titular dos londrinos, que já é muito forte. É escalado como armador central por Hecking, mas cai bastante pelos lados, sobretudo o direito. Se a falta de auxílio na marcação foi um problema nos treinamentos sob o comando de Mourinho nos seis meses em que esteve com o português, suas estatísticas mostram que isso é coisa do passado no Wolfsburg. Em comparação a Willian, por exemplo, hoje dono do lado direito no tridente de armadores e elogiado pela aplicação na marcação, o belga tem o dobro de interceptações defensivas: 16 a 8.

Mapa de calor de De Bruyne no 5 a 3 sobre o Werder Bremen
Mapa de calor de De Bruyne no 5 a 3 sobre o Werder Bremen

Em pouco mais de um ano, Kevin De Bruyne foi de renegado no Chelsea a um dos melhores do mundo na armação de jogadas. O mundo está de olho nele. Não me surpreenderia se o Bayern aparecesse para tirar o jogador dos Lobos. Os rumores para isso já existem. Com também existem os de que Van Gaal estaria encantado com o que o meia tem feito e gostaria de levá-lo ao Manchester United. Pelo menos publicamente, o garoto diz que não quer. Está feliz no Wolfsburg e se vê por mais alguns anos no clube. E dá para entendê-lo.

Quando esteve no Chelsea, De Bruyne teve uma concorrência muito grande na posição. Reflexo disso é que teve apenas cinco jogos como titular e quatro como substituto pelos Blues. Queimou-se com Mourinho após uma atuação preguiçosa contra o Swindon Town e foi mandado para treinar com o time sub-21. Lá, era apenas mais um. Pior: era um dos que pareciam não enxergar o caminho para o time titular. De um ano para cá, ele não precisou jogar em um gigante para ser falado no mundo todo. Em vez de ser apenas uma opção em um time de estrelas, é hoje o cara de um time que faz uma campanha fantástica. Tem, acima de tudo, tempo de jogo, algo pelo que todo atleta que gosta do que faz anseia. Esse parece ser o caso do belga, que nunca deve ter jogado com tanta alegria e liberdade em sua curta carreira. Para que sair, não é mesmo?

Seria anacrônico taxar como um erro a venda de De Bruyne em janeiro do ano passado. O Chelsea fez um negocião ao vender um reserva, que não havia mostrado a que chegou, por € 20 milhões. Não poderia ter previsto a ascensão meteórica que o garoto revelado pelo Genk teria. Mas isso não significa dizer que o arrependimento não tenha batido nos ingleses. Nem que “renegado” seja uma palavra ruim para descrever a situação pela qual passou nos Blues. E são esses elementos que tornam a história recente do jogador tão interessante de se acompanhar. Tão rápida quanto a ascensão pode ser sua queda. É difícil manter esse nível por tanto tempo. Se você é tão fã de futebol quanto eu, torcerá comigo para que isso não aconteça.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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