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Quem vai ficar com Leno?

Apenas 11 jogos. É esse o número de partidas disputadas pelo goleiro Bernd Leno, do Bayer Leverkusen, pela Bundesliga. Parece pouco, mas pelo visto é o suficiente para que suas atuações repercutam positivamente por todo país e os Aspirinas estejam dispostos a tirar um bom dinheiro do bolso para contar com os serviços dele na próxima temporada. Para que isso aconteça, porém, eles terão que convencer o Stuttgart, clube com o qual o goleiro tem contrato até o dia 30 de junho de 2014, e que já rejeitou uma proposta do próprio Leverkusen. Ao que tudo indica, porém, a disputa será longa, e potencialmente reversível.

Ao analisarmos friamente, é fácil perceber que se trata de um goleiro de 19 anos com um potencial imenso. O Leverkusen, em tese, não teria problemas na posição se Rene Adler não se machucasse tanto. Mas no futebol o “se” não decide nada, e Adler já ficou fora até de uma Copa do Mundo por causa de uma lesão. Não tem sido possível, portanto, contar com ele, e o clube, ao que tudo indica, já se cansou de esperar e agora, com esse belo início de Leno, sabe que tem uma possibilidade de contar com alguém confiável para a posição e, principalmente, sem tanta propensão a lesões.

A diretoria do Stuttgart, por sua vez, deve estar roendo até as unhas do pé de tanto arrependimento. Afinal de contas, apostou todas as fichas em Sven Ulreich, goleiro que já não convenceu na temporada passada e segue mostrando ser apenas mediano em 2011/12. Emprestou Leno, então terceiro goleiro do clube – Marc Ziegler, veterano de 35 anos, era o reserva -, e hoje constata que o melhor jogador da posição está emprestado. Seria um exagero dizer que o tiro saiu pela culatra, pois o goleiro é patrimônio do clube e se valorizou absurdamente, mas está claro que houve um erro de avaliação e que, a cada falha de Ulreich – são mais frequentes que o aceitável para um bom goleiro -, a corneta toca forte no ouvido de quem cometeu esse erro.

Outra coisa a ser levada em conta é o fato de que os Schwaben não estão exatamente nadando em dinheiro e precisam fazer caixa com certa urgência para pagar as contas no fim da temporada. Uma redução no número de funcionários do clube como medida de corte de gastos não está descartada e a venda de algum jogador para cobrir o déficit financeiro que se consumará caso a equipe, atualmente na sétima colocação, não consiga a classificação para a Liga dos Campeões. O Leverkusen, por sua vez, possui uma situação financeira estável e está disposto a investir, mesmo após a recusa da primeira proposta, o que indica que as negociações poderão ser longas.

A versão oficial, porém, é outra. O atual presidente do Stuttgart, Gerd Mauser, já declarou que Leno se encaixa no perfil de jogador procurado pelo clube, “jovem e com muita vontade”, e afirmou que só o venderá caso surja uma oferta espetacular. Em bom português, isso significa que o Leverkusen terá que gastar mais do que os € 5 milhões que, especula-se, colocou na mesa em sua primeira oferta.

Além dos Aspirinas, outras equipes poderão entrar na disputa. O Werder Bremen, por exemplo, poderá ter problemas na posição, pois Tim Wiese tem contrato apenas até o fim desta temporada e poderá deixar o clube em 2012/13. O Schalke 04, por sua vez, ainda não encontrou um substituto confiável para Manuel Neuer e já acenou com a possibilidade de contratar Rene Adler, do Bayer Leverkusen, que se mostrou entusiasmado com a ideia, embora diga oficialmente que quer ficar com Adler e contratar Leno em definitivo. Caso o jovem continue em ascensão, a permanência dos dois será algo praticamente impossível, pois só há espaço para um deles no time titular. Seria uma situação parecida com a vivida por Júlio César e Francesco Toldo na Internazionale, com a qual o italiano, reserva por muito tempo, jamais se conformou.

Em entrevista recente, Leno declarou que gostaria de ficar em Leverkusen. “Meus sentimentos estão aqui. O clube me ajudou muito e eu me sinto confiante e confortável atuando por aqui”, disse. Todos nós sabemos, porém, que essa opinião poderá mudar de acordo com as cifras oferecidas pelas equipes interessadas. E enquanto não houver uma definição sobre o futuro dele, as especulações envolvendo um dos goleiros mais talentosos a terem surgido no país nos últimos tempos seguirão correndo soltas.

Passeio alemão

Em amistoso disputado nesta terça-feira em Hamburgo, a seleção alemã atropelou a Holanda, atual vice-campeã mundial, da mesma maneira que faz com qualquer time meia-boca que cruza o seu caminho: venceu por 3 a 0, com gols de Thomas Müller, Miroslav Klose e Mesut Özil. Mais do que isso, deu a impressão de que poderia ter feito muito mais, mesmo sem Schweinsteiger e Mario Gómez, e mesmo sem forçar muito o ritmo no final da segunda etapa. As chances de gol surgiam com tanta naturalidade que parecia impossível para a defesa holandesa, conhecida por sua fragilidade, bloquear qualquer investida com eficiência.

É possível argumentar que a Holanda estava sem Arjen Robben, e é fato que os holandeses sentem mais falta dele do que o Bayern Munique. Mas, ainda assim, a superioridade foi absolutamente incontestável e, até certo ponto, surpreendente, por se tratar de uma seleção vice-campeã mundial e cabeça-de-chave no sorteio da Eurocopa 2012, junto com a Espanha, atual campeã, e Polônia e Ucrânia, países-sede da competição. Os alemães estão no pote 2, junto com Itália, Inglaterra e Rússia, e poderão formar, junto com França, Portugal e uma das finalistas da Copa do  Mundo, o “grupo da morte” do torneio.

Chance de ouro do Dortmund

Depois de duas semanas de pausa, a Bundesliga volta com força total para a disputa de sua 13ª rodada neste fim de semana e o destaque é o confronto entre Bayern Munique e Borussia Dortmund, marcado para este sábado, e que poderá reequilibrar a competição. Os bávaros, que jogam em casa, lideram a disputa com 28 pontos, cinco a mais que os pretos-amarelos, que venceram cinco das últimas seis partidas e estão em franca ascensão.

Mesmo jogando fora de casa, o Borussia Dortmund tem uma chance de ouro de vencer. Afinal de contas, o time joga completo, com todos os seus principais jogadores – até Lucas Barrios estará à disposição -, enquanto o Bayern Munique não terá Arjen Robben e Bastian Schweinsteiger. O primeiro se machuca tanto que nem é mais notícia quando fica de fora, mas o segundo certamente fará falta, mesmo que seu substituto, Toni Kroos, esteja jogando o fino da bola em 2011/12. Em caso de vitória dos bávaros, porém, o campeonato perderá um pouco da graça, e será uma grande zebra se a Salva de Prata não acabar em Munique no fim da temporada.

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Equipe Trivela

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