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Presidente do Schalke oferece testes de COVID-19 para que Bundesliga conclua a temporada

A Bundesliga está abertamente disposta a retomar sua disputa na primeira e na segunda divisão durante as próximas semanas. A entidade formou uma força-tarefa com médicos para traçar um protocolo de prevenção e os clubes voltaram aos treinamentos. A postura dos dirigentes alemães é bastante questionada, sobretudo por quem vê uma prioridade indevida ao futebol e teme os riscos aos quais as pessoas serão submetidas, mesmo com portões fechados. Para que a ideia siga em frente, realizar testes em massa aos jogadores e funcionários será essencial. O presidente do Schalke 04 se prontificou para fornecer os exames necessários ao projeto.

Conforme a força-tarefa da Bundesliga, presidida pelo Professor Doutor Tim Meyer (diretor médico do Instituto de Esportes e Medicina Preventiva da Universidade do Sarre, além de médico da seleção), serão necessários 20 mil testes de coronavírus para a realização das nove rodadas restantes. Clemens Tönnies, que possui empresas no setor alimentício e também preside o Schalke, ofereceu o seu laboratório para realizar a produção e suprir a demanda à retomada do torneio.

Conforme Tönnies, a decisão “depende agora da liga”, mas ele está disposto a capacitar sua companhia. Segundo o empresário, entre 180 mil e 200 mil testes podem ser produzidos por seu laboratório a cada mês. Tönnies também garante que não precisará fazer adaptações, já que sua estrutura costuma avaliar porcos para a venda de carne suína. “Não é um problema. O sistema é o mesmo”, apontou, afirmando que o processo aos exames humanos seria igual. Além disso, ele assegurou que “não deseja fazer dinheiro” com o auxílio à Bundesliga.

Perguntado pelo jornal Westfalen-Blatt, um porta-voz da liga alemã declarou que a entidade está fazendo “considerações iniciais sobre a proposta”. A intenção da Bundesliga é a de realizar testes a cada três dias em todos os jogadores, membros das comissões técnicas e demais funcionários envolvidos. A competição precisaria de uma estrutura em sua função para conseguir os resultados o mais rápido possível, dentro desta ideia.

No entanto, a Bundesliga é questionada sobre a necessidade de tamanho esforço concentrado apenas no futebol. Movimentos ligados a torcedores, sobretudo, afirmam que o direcionamento de tantos testes apenas à retomada da Bundesliga desfavorece o restante da população que segue exposta aos riscos. Por exemplo, 20 mil testes equivalem ao total de exames realizados até o momento por um país como a Croácia – que possui 1,8 mil casos confirmados da doença e 39 mortes. Na Alemanha, terceiro país que mais realizou exames até o momento, são 20 mil testes a cada milhão de habitantes. Há uma discussão ética inerente sobre o tema. A retomada dos campeonatos, de qualquer forma, depende de aprovação do governo.

Clemens Tönnies, vale lembrar, é uma figura repudiada por parte da própria torcida do Schalke 04. No início da temporada, os torcedores do clube realizaram protestos contra o dirigente por comentários racistas feitos em um evento empresarial. O presidente pediu desculpas e se afastou do cargo por três meses, sem qualquer sanção direta do conselho administrativo. Retornou ao posto sem outras consequências. Além do mais, os Azuis Reais se colocam entre os clubes mais interessados pelo reinício da Bundesliga.

Segundo um de seus diretores, o Schalke encarará um “potencial problema de existência econômica”, caso as receitas sofram uma queda ainda maior nas próximas semanas. Após acordo, o clube realizou cortes de 15% nos salários de jogadores e funcionários. A maior preocupação se concentra em manter as fontes de renda referentes aos direitos de transmissão, já que o mercado de transferências também sofrerá um impacto. Para isso, a Bundesliga precisa voltar à televisão. A revista Kicker ainda escreve que Tönnies poderia providenciar empréstimos para manter a liquidez da agremiação, como já fez em outras ocasiões.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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