Alemanha

Perspectivas animadoras

Em que pese o fato de ter perdido para a Internazionale na decisão da Liga dos Campeões, pode-se dizer que o Bayern de Munique tem muitos motivos para sorrir ao final da temporada 2009/10. Afinal de contas, o clube ressurgiu das cinzas nesse ano, conquistou um improvável título nacional com uma campanha brilhante no segundo turno e venceu a Copa da Alemanha com uma goleada sobre o Werder Bremen. Mais do que isso, trouxe um competente Louis van Gaal para montar um time raçudo, criativo, surpreendente e que, ao que tudo indica, poderá ser mantido para 2010/11.

O primeiro passo para que isso aconteça foi a renovação de contrato com Frank Ribéry. O francês, de 27 anos, prorrogou seu vínculo com os bávaros até 2015, dando fim a uma onda de especulações que o ligava a clubes como Barcelona, Chelsea e Real Madrid. Expulso na primeira partida da semifinal contra o Lyon, Ribéry não pôde jogar aquela que seria a primeira decisão de Liga dos Campeões em sua carreira, e ficou em muitos a sensação de que, se ele estivesse em campo, a história poderia ser outra no Santiago Bernabéu.

O acordo foi selado em um clima muito tranquilo e sob juras de amor do Ribéry ao clube. “O Bayern, com o tempo, se tornou uma família para mim. Me identifiquei com o clube, com a cidade e com os torcedores. Assino esse acordo com o objetivo de seguir conquistando títulos e, nos próximos anos, poder vencer uma Liga dos Campeões”. Ele sabe que, acompanhado por um Arjen Robben que está no auge, poderá chegar ao topo permanecendo na Alemanha, onde já é ídolo e não precisa competir, por exemplo, com Cristiano Ronaldo por um lugar na equipe.

Outra boa notícia é permanência de Louis van Gaal no comando do time. O holandês chegou a dizer que, se conquistasse a tríplice coroa, não permaneceria no Bayern, pois não teria mais o que vencer com o clube. Ele voltou atrás, elogiando o empenho e a disciplina dos jogadores e lembrando que o contrato dele só termina em 2011, mas disse que “no final da próxima temporada, a história será outra”. Até lá, porém, muita coisa pode – e vai – acontecer, e não há motivos para que o torcedor do Bayern sofra por antecipação.

A renovação do jovem lateral esquerdo Diego Contento, que tinha contrato com o clube somente até 2011 e prorrogou o acordo por mais duas temporadas, também poderá ser importante. Afinal de contas, Contento foi um dos três laterais esquerdos pinçados por Van Gaal para o time de cima, junto com Holger Badstuber e David Alaba, e pareceu ser o melhor deles na posição, embora Badstuber esteja, no momento, cercado de badalações em função da convocação para a seleção.

Quem também está na pré-lista de Löw e retornará ao clube é Toni Kroos, que fez uma belíssima temporada no Bayer Leverkusen e provavelmente será recompensado com a ida para a Copa do Mundo. Kroos é certamente o mais talentoso entre os jovens meias alemães chamados por Löw e poderá integrar o meio-campo bávaro com Robben e Ribéry ou mesmo substituir um dos dois em caso de contusão. Seria uma alternativa bem mais habilidosa do que Hamit Altintop foi nesse ano.

A defesa, porém, é o setor que precisa ser mais reforçado. Van Buyten já mostrou algumas vezes que não é lá tão confiável assim, e o mesmo acontece com Demichelis. A alternativa seria lançar Badstuber como titular da posição, mas é evidente que são necessárias contratações para que a equipe não sofra com a falta de opções durante o ano. É provável que seja contratado pelo menos um jogador, ou dois, levando-se em conta o número de jogos a serem feitos pelo Bayern em 2011.

O goleiro Hans-Jörg Butt é outro que não inspira muita confiança. Ele vai à Copa do Mundo como terceiro goleiro e tem mais um ano de contrato, mas é público e notório que a diretoria do Bayern de Munique procura por outras alternativas para o posto. A saída de Michael Rensing, que chegou a ser tido como o sucessor de Oliver Kahn, aumenta esses rumores, e entre os nomes especulados estão o de Gomes, do Tottenham, Igor Akinfeev, do CSKA Moscou, e Hugo Lloris, do Lyon.

É certo, porém, que as negociações precisam ser um pouco mais criteriosas do que as da temporada passada. O clube “torrou” cerca de € 56 milhões com Anatoliy Tymoshchuk, Mario Gómez, Danijel Pranjic e Edson Braafheid. Os três primeiros terminaram o ano como reservas, e o último foi emprestado ao Celtic para buscar mais espaço. É consensual a opinião de que o dinheiro precisa ser mais bem investido, em contratações que possam realmente adicionar qualidade ao elenco.

Procura-se um capitão

Joachin Löw ainda não sabe quem será o capitão da seleção alemã na Copa do Mundo, mas certamente escolherá entre dois jogadores: Philipp Lahm e Bastian Schweinsteiger. Ambos fizeram uma temporada espetacular pelo Bayern de Munique e tiveram excelente desempenho na Copa do Mundo de 2006. Talvez por jogar numa posição semelhante à de Ballack, Schweinsteiger seja o favorito para o posto na estreia do Nationalelf no torneio, contra a Austrália.

Outra indefinição diz respeito ao substituto de Ballack. Com a lesão de Christian Träsch, um dos prováveis substitutos do meia do Chelsea, Joachin Löw agora se vê em uma situação bastante complicada para definir os 23 que vão à África do Sul. Há dois cortes ainda a serem feitos entre os jogadores chamados para a pré-lista, e o comandante alemão já disse que não convocará mais ninguém. Sinal de que gosta de desafios, pois jogar uma Copa do Mundo com poucos volantes e armadores inexperientes internacionalmente não é a receita mais indicada.

Hamburgo: Armin Veh é a bola da vez

Após demitir Bruno Labbadia às vésperas das semifinais da Liga Europa, o Hamburgo anunciou o acerto com Armin Veh, campeão alemão com o Stuttgart em 2006/07. Na última temporada, Veh comandou o Wolfsburg até ser demitido em janeiro de 2010. Ele chega com o objetivo de levar o Hamburgo de volta à Liga dos Campeões e organizar um pouco o clube, que tem sofrido muito com problemas internos nos últimos anos e troca constantemente de treinador.

Veh assinou contrato por dois anos, mas nada leva a crer que, se os resultados não acontecerem, ele permanecerá por lá durante esse período. É necessário que a diretoria dos Rothosen se conscientize de que planejamento não é apenas uma palavra dispersa, vaga no espaço e no tempo, e dê tempo para que um trabalho consistente possa ser realizado, seja qual for o treinador que estiver no comando.
 

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Equipe Trivela

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