AlemanhaBundesliga

Pelotão alcança Bayern

No início da Bundesliga, o Bayern Munique deu a impressão de que atropelaria toda a concorrência se dar tempo para que os adversários anotassem o número da placa. A superioridade ofensiva do time em relação aos outros era imensa, e a consistência defensiva do time montado por Jupp Heynckes fazia crer que disparar na tabela era apenas uma questão de (pouco) tempo. Não é, no entanto, o que se vê no momento. Os bávaros passaram a marcar pontos mais moderadamente, e os outros times chegaram junto. Mais especificamente, Borussia Dortmund, Schalke 04 e Borussia Mönchengladbach.

Os dois primeiros somam os mesmos 37 pontos do Bayern, e o Borussia Dortmun parece ter reencontrado o futebol do ano passado, quando foi campeão com um pé nas costas e duas rodadas de antecipação. Mesmo sem Mario Götze, que poderá ficar mais dois meses afastado dos gramados, os  pretos-amarelos estão conseguindo se virar, já não perdem há 12 partidas e na estreia no segundo turno deram uma surra no Hamburg: 5 a 1, sem pena, com direito a dois gols de Jakub Blaszczykowski, o cara que quase nunca faz gols, e Robert Lewandowski, artilheiro do time com 13, apenas três a menos que o troglodita Mario Gómez, goleador máximo da competição.

Resta saber, no entanto, se a ausência de Götze não pesará em longo prazo, pois o retrospecto anterior mostra que Kuba, Grosskreutz e Kagawa não vão decidir, os três juntos, a maioria das partidas. A evolução técnica do jovem Moritz Leitner dá esperança aos torcedores, mas também não parece ser capaz de manter o time na corrida pelo título, e será necessária muita força do conjunto para que isso aconteça. Além, é claro da sorte do time sofrer menos com lesões do que no primeiro turno. Uma vantagem é o fato da equipe não precisar mais se preocupar com competições europeias, pois foi eliminada da Liga dos Campeões.

No Schalke, as lesões aparecem menos e o time já vinha mostrando consistência nas últimas rodadas do primeiro turno. A vitória por 3 a 1 sobre o Stuttgart na estreia do returno encheu ainda mais os torcedores do clube de esperança no título alemão, que não vem desde 1958. Outro ponto positivo da campanha é o fato dos azuis reais terem empatado apenas uma vez em 18 partidas, com 12 vitórias, sendo quatro delas nos quatro últimos jogos, o que impulsionou a campanha. O atacante holandês Klaas-Jan Huntelaar, com 15 gols, é o artilheiro do time e vice da Bundesliga.

Outro ponto positivo da equipe é a participação dos meias nas jogadas ofensivas. Jogadores que se revezam, como Alexander Baumjohann, José Manuel Jurado, e principalmente o garoto Julian Draxler, têm sido muito úteis, embora estejam longe de ser craques indiscutíveis, assim como Chinedu Obasi, que veio do Hoffenheim e estreou muito bem atuando como meia pela direita no último sábado. A defesa, no entanto, é um ponto de preocupação, pois nenhum dos goleiros consegue substituir Manuel Neuer à altura, e Benedikt Höwedes, principal jogador do setor em 2011/12, fraturou a mandíbula contra o Stuttgart e deverá ficar fora por um tempo.

O Borussia Mönchengladbach é, sem dúvidas, o “intruso” do pelotão. Em 18 partidas, já soma os mesmos 36 pontos que fez nas 34 rodadas da Bundesliga passada, na qual ficou em 16º lugar e precisou vencer uma repescagem com o Bochum para se manter na elite do futebol alemão. O time mudou muito de lá para cá, certo? Errado. É praticamente o mesmo, com Marc-André Ter Stegen fechando o gol, Dante liderando na zaga e Marco Reus desequilibrando no ataque.

O que mudou dessa vez foi a postura dos coadjuvantes. Roman Neustadt, por exemplo, ganhou personalidade no meio-campo e impressionou a ponto de conseguir uma ida para o Schalke 04. Patrick Hermann, jogador incisivo, volta e meia faz gols importantes e mostra, aos 20 anos, que poderá ser importante para o clube no futuro, seja esportivamente, dentro de campo, ou financeiramente, com uma venda. E Mike Hanke, centroavante que surgiu como promissor no Schalke 04, parece finalmente reencontrar seu bom futebol. A soma de tudo isso, além da união adquirida nos momentos ruins da temporada passada, fez com que o clube se agigantasse.

É sempre válido, no entanto, lembrar a frase comum no automobilismo: “Chegar é uma coisa. Passar é outra”. O Bayern Munique ainda tem o melhor ataque do campeonato, o artilheiro Mario Gómez e nomes como Arjen Robben, Bastian Scweinsteiger, Frank Ribéry e Toni Kroos. No banco, Thomas Müller é atualmente o melhor reserva da Bundesliga, e o time ainda conta com Ivica Olic e, na defesa, Rafinha e Philipp Lahm. É, sem dúvidas, o maior índice de grandes jogadores por metro quadrado da Alemanha, o que faz com que os bávaros sejam favoritos a abrir frente e levar a salva de prata. Mas a cota de vacilos, no momento, foi esgotada e todo o cuidado é necessário para que o time não seja engolido por alguém do pelotão, como fez o Borussia Mönchengladbach na última sexta-feira.
 

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo