Alemanha

Pé na Copa, cabeça nos problemas

A Alemanha ganhou os seus dois jogos pelas Eliminatórias da Copa com um pé nas costas, e não fez mais do que a obrigação. Afinal, passar o rodo no Cazaquistão é mais fácil do que empurrar bêbado para baixo em ladeira, e algo rotineiro, como tomar banho, ou escovar os dentes antes de dormir. Mas, mesmo com a liderança no Grupo C com 16 pontos, oito a mais do que a segunda colocada Áustria, não há como negar certos problemas vividos pela equipe.

O primeiro deles é a Suécia, que também soma oito pontos, e se vencer os dois jogos a menos que possui, chegará a 14. O confronto direto entre as duas equipes será na Suécia, o que faz com que os alemães ainda se preocupem um pouco com a vaga. Mas só um pouco, porque em condições normais aquele 4 a 4 não se repete, e o Nationalelf vence o confronto. Mas é sempre bom se preparar para as zebras que podem surgir e montar um time, e esse é o principal problema de Joachin Löw.

O time ainda não está montado. Ou pelo menos não como deveria, falta um camisa 9, um troglodita clássico, daqueles que empurram a bola para o gol. Mario Gomez passou metade da temporada machucado e está na reserva do Bayern Munique. Miroslav Klose já está na fase final da carreira, e talvez não chegue ao Brasil com o vigor físico que o consagrou como um grande artilheiro em Copas do Mundo. Stefan Kiessling, do Bayer Leverkusen, não parece ter talento suficiente para herdar o posto. Resta a Löw pensar em outras possibilidades.

Uma delas é Thomas Müller, que jogou assim na base do Bayern. Foi ele quem respondeu pelo comando de ataque contra o Cazaquistão, mas como um falso 9, um jogador mais móvel. Talvez não seja o centroavante dos sonhos de ninguém, mas é muito útil e poderá ser utilizado assim por Pep Guardiola na próxima temporada no time bávaro. E pode dar certo, pois finaliza muito bem, cabeceia muito bem e tabela com os meias. Mas aquele gol típico de Mario Gomez, de canela, ele não faz. André Schürrle poderá ser um bom reserva, caso essa seja a opção.

Outro problema é a lateral esquerda. E esse é sério. Todos os laterais alemães são bons até vestirem a camisa da seleção. A partir daí, o único que continuou bom foi Philipp Lahm. Marcel Schmelzer, que é absoluto no Borussia Dortmund, não convence ninguém na seleção. Há quem peça Bastian Oczipka, do Bayer Leverkusen, mas ninguém tem certeza de que ele renderá o que rende na seleção. E não se trata de nenhum Andreas Brehme, claramente. É apenas um bom jogador.

Na zaga, o negócio é colocar Mats Hummels e mais um. De preferência um jogador rápido, daqueles com boa recuperação. Thiago Silva seria o parceiro ideal, mas ele não é alemão, então o jeito é contar com Per Mertesacker, ou Jérôme Boateng. Holger Badstuber, quando se recuperar da lesão que o afeta, é outro concorrente para uma vaga que está completamente aberta. No gol, René Adler está fazendo uma grande temporada no Hamburg e recuperou o posto de goleiro reserva com total justiça.

Quem ganhou muito espaço nesses dois jogos foi Mario Götze. Tudo bem, foi contra o Cazaquistão, mas ele fez dois gols e mostra a cada dia que vem amadurecendo para assumir de vez a posição de titular. Mais talentoso do que Marco Reus, é protagonista no Borussia Dortmund e tem tudo, absolutamente tudo, para ser um dos melhores jogadores do mundo nos próximos anos. E o sucesso de uma seleção que ainda está sendo montada pode ajudá-lo demais nisso, desde que Löw saiba conduzir bem esse processo de remontagem.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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