Alemanha

Para “reorientar a sua vida”, Martin Hinteregger anuncia aposentadoria aos 29 anos

"As vitórias não pareciam mais tão boas, mas cada derrota doía duas vezes mais", disse o zagueiro do Eintracht Frankfurt

O zagueiro Martin Hinteregger, do Eintracht Frankfurt, aparentemente parou de retirar satisfação da profissão de jogador de futebol e anunciou nesta quinta-feira a sua aposentadoria, aos 29 anos, após 188 jogos de Bundesliga, 67 partidas pela seleção austríaca e um título da Liga Europa, para tentar “se distanciar e reorientar” a sua a vida.

Hinteregger tinha contrato com o Frankfurt até 2024, mas pediu para ser liberado dois anos antes, depois do que descreveu como uma “fase difícil em termos de esporte”, na qual reconheceu ter tido um desempenho que oscilava. “Comecei a pensar em me aposentar após a temporada no outono (do hemisfério norte) do ano passado. As vitórias não pareciam mais tão boas, mas cada derrota doía duas vezes mais”, afirmou.

“Meu aumento de desempenho na primavera e nosso sucesso conjunto na Liga Europa me motivaram ainda mais a dizer adeus com um grande sucesso esportivo. Gostei muito da vitória na Liga Europa porque sabia que seria a minha última grande festa de vitória com os fantásticos torcedores desta cidade, que se tornou minha segunda casa”, acrescentou.

O diretor esportivo do Frankfurt, Markus Krösche, disse que a decisão de Hinteregger pegou o clube de surpresa, mas que ele apresentou suas razões “de maneira impressionante e convincente”, incluindo um pedido de desculpas pelo seu comportamento recente. Segundo o Bild, o zagueiro chegou com excesso de peso no começo da temporada e estava desagradando os chefes com um estilo de vida cheio de festas.

Outra polêmica importante foi a sua associação com um político ligado à extrema-direita da Áustria. Ele organizou um torneio de futebol chamado “Hinti Cup” em Sirnitz, uma cidadezinha austríaca na região onde nasceu, ao lado de um sócio chamado Heinrich Sickl, De acordo com a Deutsche Welle, Sickl é membro da Câmara dos Vereadores da cidade de Graz pelo nacionalista Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), mas integrou um grupo neonazista nos anos noventa, quando era jovem, e usa premissas do Movimento Identitário Áustria, banido no país em 2021 e descrito pelo governo como uma organização “extremista de direita, racista, sexista, nacionalista e etnicamente orientada”.

Em uma publicação no Instagram na época em que a notícia surgiu, no começo de junho, Hinteregger disse que não tinha conhecimento de atividades “passadas ou futuras” da família Sickl e que encerraria imediatamente todas as relações comerciais com ela. No comunicado publicado nesta quinta-feira, distanciou-se ainda mais das ideias de extrema-direita: “Nas últimas semanas, surgiram vários tópicos sobre a minha ‘Copa Hinti’, que segurei de alma e coração, e com a consciência tranquila, cujo alcance só depois me ficou claro. Talvez palavras impensadas minhas levaram à irritação e gostaria de me desculpar. Repito com muita clareza: condeno com veemência as ideias de direita intolerantes e desumanas. Quem me conhece sabe disso”, disse o jogador.

“Não havia dúvida que cumpriríamos este desejo dolorido, mas humanamente compreensível”, explicou o diretor Krösch. “A decisão de Martin merece respeito e reconhecimento. Até por causa de suas sinceras desculpas por seu comportamento nos últimos dias e semanas, e seu distanciamento claro e credível das ideias de direita, ele é sempre bem-vindo em Frankfurt como um jogador merecedor e vencedor da Liga Europa. Esperamos que encontre seu caminho após sua carreira ativa e desejamos a ele tudo de melhor para o futuro”.

Hinteregger começou a jogar bola pelo Red Bull Salzburg, no qual conquistou quatro vezes o Campeonato Austríaco antes de se transferir à Alemanha para defender o Borussia Monchengladbach, por empréstimo, em 2016. Foi vendido ao Augsburg pouco depois e se mudou para o Eintracht Frankfurt em 2019. Jogou 136 vezes pelo campeão da Liga Europa, com 14 gols. Disputou duas Eurocopas pela seleção austríaca, em 2016 e 2020.

“Olharei para meu tempo no Eintracht com grande gratidão e alegria. Continuarei a sentir laços estreitos com o clube e seus torcedores e apoiarei o time como torcedor. Gostaria de agradecer aos meus companheiros, à equipe técnica, è a equipe por trás da equipe, e a todos os colaboradores e à direção esportiva pela confiança, apoio e pelo tempo fantástico que pude viver aqui – sobretudo, agradeço aos torcedores, que sempre me apoiaram, especialmente em tempos difíceis”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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