Alemanha

Para impor respeito

Uma estreia tensa, e uma vitória para impor respeito em seguida. Assim podem ser definidas as duas exibições da seleção alemã na Eurocopa até o momento. Ou, de uma maneira mais prática, dois jogos, duas vitórias e um pé na vaga para as quartas de final. A partida contra a Holanda, porém, mostrou que o Nationalelf não veio para brincar, ou passear, ou se entreter nas noites ucranianas. Veio para jogar futebol e sair com o troféu de campeã, aliando objetividade e beleza em seu estilo de jogo.

Foi uma vitória com sobras. Maior do que os 2 a 1 do placar sugere, ou os 47% de posse de bola na partida determinam. Os alemães só correram riscos porque não mataram o jogo quando tiveram as chances para isso. Foi o triunfo de uma seleção que entrou, jogou e saiu de campo como um time, com espírito coletivo, e mostrou que é letal quando resolve atacar. Como foi nas duas vezes em que Bastian Schweinsteiger resolveu exibir sua genialidade da maneira mais cruel possível com os holandeses e mais generosa possível com Mario Gómez. O camisa 23, agora artilheiro da Eurocopa junto com o russo Alan Dzagoev, agradeceu.

Os alemães, porém, não se resumiram aos lampejos de Schweini ou ao oportunismo de Mario Gómez. Mesut Özil foi extremamente participativo no jogo, chamando a responsabilidade de armar o time desde o campo de defesa e aparecendo bem na marcação, coisa que não costuma fazer. Lukas Podolski esteve um pouco abaixo da média, mas Thomas Müller, que não vive bom momento, fez um grande jogo ofensivo, sempre dando boas opções.

Na defesa, Philipp Lahm foi excelente como costuma ser, e Jérôme Boateng foi excelente como não costuma ser. Os dois simplesmente anularam as jogadas laterais da seleção holandesa, e Arjen Robben procurou o centro do campo para poder criar alguma coisa. A proteção foi bem feita por Sami Khedira, que atuou de maneira recuada no meio sem se projetar como no jogo contra Portugal. Atuando desta maneira, a Alemanha quebrou o recorde de desarmes nessa Euro com 30 no total, superando a Inglaterra, que roubou 28 bolas na partida contra a França, pelo Grupo D.

O melhor jogador da equipe nos dois jogos, porém, foi Mats Hummels. Sensacional nos desarmes e nas interceptações, o zagueiro ainda vai ao ataque com muita qualidade e funciona como um “armador” de jogadas do time desde o campo defensivo. Mais ou menos como faz Gerrard Piqué às vezes na seleção espanhola. Em 16 jogos com a camisa da seleção alemã, Hummels tomou o lugar que já parecia cativo de Per Mertesacker, virou titular e se tornou imprescindível no esquema de Joachin Löw.

No gol, Manuel Neuer se destacou nos dois jogos, com defesas importantes em momentos cruciais. Na mais difícil delas, se esticou todo para defender um chute de Robin Van Persie. Também se destacou com boas reposições de bola e não passou insegurança em nenhum momento. Em dois jogos, já surge como candidato a melhor goleiro da Euro, o que pode se confirmar nas próximas partidas (ou não). E pensar que ainda há um banco de reservas com Mario Götze, Marco Reus, Toni Kroos…

A grande atuação apaga um pouco a má impressão da estreia contra Portugal, quando os alemães venceram num lance de sorte, mas foram inferiores aos adversários e só seguraram o resultado porque os portugueses pecaram muito nas finalizações. A exibição abaixo da crítica, porém, pode ser colocada facilmente na conta do nervosismo da estreia, e nesse caso o resultado foi mais importante do que tudo, pois ajudou a encaminhar a classificação que está quase certa. Basta um empate contra a Dinamarca na última rodada para o primeiro lugar do grupo ser garantido.

Em suma: ao que tudo indica, a Alemanha passará sem sustos pelas armadilhas do grupo da morte, e provavelmente pegará Polônia ou República Tcheca nas quartas de final. Em tese, tem o caminho facilitado até as semifinais, mas o “em tese” no futebol precisa sempre ser confirmado dentro de campo. Para o Nationalelf, não adianta jogar bem na primeira fase, nas quartas e mesmo na semifinal. Tudo isso esse time já alcançou. É preciso ganhar, ser campeã, voltar a levantar uma taça depois de 16 anos de seca. E essa Eurocopa é o cenário ideal para que isso aconteça.
 

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Equipe Trivela

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