Alemanha

Os desafios de Klopp

Depois de liderar a Bundesliga por mais de 30 rodadas e faturar o título com duas partidas de antecipação, o técnico Jürgen Klopp e o Borussia Dortmund sabem que a temporada 2011/12 é a hora definitiva de crescer. Os novos desafios do clube são ainda maiores do que no ano passado, e a pergunta que toda a torcida se faz é se o time poderá cumpr-los, provando que não são campeões por acaso ou apenas porque o Bayern Munique “descansou” nas oito primeiras rodadas (os bávaros somaram mais pontos nos 26 jogos seguintes, mas aí não havia mais como tirar a diferença).

O primeiro desafio é bastante óbvio. Há 15 anos, um clube que não seja o Bayern Munique não conquista o bicampeonato da Bundesliga. A última vez que isso aconteceu foi com o próprio Dortmund, que em 1995/96 contava com nomes como Lars Ricken, Jürgen Kohler e Matthias Sammer, este último também campeão e eleito o melhor jogador da Eurocopa de 1996 pela seleção alemã. O camisa 8 era Michael Zorc, hoje diretor executivo do clube, e os principais atacantes eram Karl-Heinz Riedle e Stéphane Chapuisat, ambos ídolos da torcida. Em suma, um timaço.

Em 2011/12, porém, quem está montando um grande time é o Bayern, que se reforçou na defesa e manteve os principais jogadores do ataque. Outra equipe que poderá disputar na metade de cima da tabela, pois parece ter amadurecido, é o Bayer Leverkusen, atual vice-campeão, que se reforçou com o talentosíssimo André Schürrle e pode sonhar em finalmente conquistar a Bundesliga e acabar com a pecha de “amarelão”.

O segundo desafio é um pouco mais complicado. Tirar as fraldas e as chupetas e voltar a ser grande em nível continental. O clube está em 86° lugar no ranking da Uefa e provavelmente estará no terceiro pote do sorteio da Liga dos Campeões, o que significa que poderá enfrentar dois adversários como, por exemplo, Real Madrid e Milan. Se a sorte sorrir, porém, a classificação para a segunda fase ficará mais provável, mas o importante é pontuar para subir no ranking e continuar se classificando para competições europeias nos próximos anos.

Na temporada passada, o Dortmund foi eliminado da Liga Europa com um retrospecto não muito bom. Em seis partidas, venceu apenas duas, ambas contra o Karpaty Lviv. Nos jogos contra Sevilla e Paris Saint-Germain, três empates e uma derrota, além de alguns sinais claros de imaturidade e de uma garfada de um árbitro, que expulsou Marcel Schmelzer no primeiro tempo do jogo contra o Sevilla na Alemanha por uma falta que não era passível nem de cartão amarelo.

O terceiro desafio é determinante para que o primeiro e o segundo possam ser cumpridos. Jürgen Klopp precisa, antes de tudo, ajeitar o time, fazer com que a equipe consiga jogar sem Nuri Sahin. Ilkay Gündogan, vindo do Nürnberg, vem de duas excelentes Bundesligas, mas não se sabe ainda do que ele será capaz atuando mais recuado, quase como um volante. Ainda é uma aposta, ousada e que tem boas chances de dar certo. Mas é uma aposta. A boa notícia é que, exceto Sahin, ninguém mais no time titular foi vendido, e a manutenção da base certamente é um agente facilitador do trabalho.

Outra boa notícia é que Shinji Kagawa estará de volta e poderá reviver a linha de três meias com Kevin Grosskreutz e o Wunderkind Mario Götze, os três já mais experimentados e entrosados do que no início da temporada passada. No banco, Robert Lewandowski terá a companhia de Kuba e do recém-contratado Ivan Perisic, que chega para suprir uma carência que ficou evidente na temporada passada. O elenco do Borussia Dortmund era pouco numeroso e com isso o time sofria quando alguns de seus jogadores estavam lesionados.

O quarto e maior desafio de Klopp é talvez o mais difícil: administrar e controlar eventuais vaidades, egotrips e outros efeitos colaterais de um título como o do ano passado. Os jogadores do clube, antes meninos e em busca de espaço, agora possuem contratos milionários de publicidade e são estrelas na cidade. Manter o foco deles na carreira, e sobretudo no time, não será uma tarefa fácil, mas é necessário para que a trajetória de sucesso continue, e nesse sentido Klopp perdeu Dedê, jogador que poderia ajudar muito com sua experiência.

Finalmente Boateng?

Depois de uma novela que durou mais de um mês, o Bayern Munique acertou a contratação do zagueiro Jerome Boateng, do Manchester City, e parece ter encerrado de vez as compras para o setor defensivo. Aos 24 anos, Boateng certamente vem para ser titular e reúne várias características de um bom zagueiro. Marca bem, sai jogando com razoável qualidade, é seguro, competente nas bolas aéreas e pode jogar como lateral quando necessário. Contratação importante e que mostra mais uma vez que os bávaros não querem brincar em 2011/12.

Com a vinda dele, quem deve sentir que não há mais clima para a permanência na Allianz Arena é Daniel Van Buyten, zagueiro que era irregular e contestado quando mais jovem e agora, aos 33 anos, continua irregular e contestado, embora apresente bons momentos e tenha recuperado a posição de titular no final da Bundesliga 2010/11. Outro que poderá se preocupar é Breno, que desperdiçou as chances que teve na temporada passada e parece já não ser visto com os mesmos bons olhos que torraram € 12 milhões em sua contratação.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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