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O relógio não deve parar: Hamburgo vence o clássico e já briga por vaga na Liga Europa

Durante o início da temporada, a torcida do Hamburgo temia o pior outra vez. Depois de dois anos seguidos disputando a repescagem para se safar do inédito rebaixamento, os Dinossauros começaram a Bundesliga 2015/16 sendo goleados pelo Bayern de Munique por 5 a 0. O elenco do técnico Bruno Labbadia até recebeu reforços significativos, mas a renovação tinha sido mais conservadora do que alguns sugeriam. No entanto, perto do final do primeiro turno, o Hamburgo indica que seu famoso relógio, contando os anos na primeira divisão desde a estreia da liga, não deve parar desta vez. O clube do norte vive bom momento, e ensaia até mesmo voltar às competições europeias, depois de seis anos de ausência.

O Hamburgo já tinha protagonizado a sua vitória mais emblemática na rodada passada. Os Dinossauros receberam o Borussia Dortmund e surpreenderam os aurinegros com a vitória por 3 a 1. Contaram com um bom primeiro tempo no Volksparkstadion, além da atuação monumental do goleiro René Adler. Só que aquele triunfo nem foi tão comemorado quanto o alcançado neste sábado. Os hamburgueses foram até o Weserstadion para disputar o Dérbi do Norte da Alemanha, contra o ameaçado Werder Bremen. E a festa da torcida verde pouco adiantou. Os visitantes marcaram território com uma imponente vitória por 3 a 1. O resultado colocou o time provisoriamente na sexta posição, à frente de Bayer Leverkusen e Schalke 04, entrando na zona de classificação à Liga Europa.

O destaque da partida se concentrou na linha de meias do Hamburgo, formada por Nicolai Müller, Michael Gregoritsch e Ilicevic. Cada um deles marcou um gol, sendo o primeiro o mais bonito. Em linda jogada coletiva, que começou em contra-ataque puxado no campo de defesa, Ilicevic apareceu na área para finalizar com uma bomba, longe do alcance do goleiro Wiedwald. Representa bem a guinada dos Dinossauros e a recuperação do time conquistada por Labbadia, desde que o livrou do rebaixamento inédito de maneira dramática.

Além disso, outro personagem primordial para entender a ascensão do Hamburgo é René Adler. O goleiro já foi tratado como o melhor da Alemanha na posição, e seria titular da seleção na Copa de 2010. Entretanto, uma séria lesão na costela o tirou do Mundial e custou sua boa forma. Reserva no Bayer Leverkusen, desembarcou no Hamburgo em 2012, mas sem repetir os seus melhores momentos. No entanto, nesta temporada, Adler parece recobrar as virtudes que faziam dele um goleiro bastante promissor no final da década passada. Aos 30 anos, combina experiência com defesas explosivas. Não à toa, aparece como o melhor do time na respeitada pontuação feita pela revista Kicker rodada a rodada.

Olhando no papel, o Hamburgo talvez não tenha um elenco tão forte para brigar pela vaga nas competições continentais, embora também esteja acima dos candidatos ao rebaixamento. De qualquer maneira, a Bundesliga costuma ser aberta a surpresas, especialmente na classificação à Liga Europa. E só de ver o time figurando na parte superior, já 11 pontos acima da zona de rebaixamento, a torcida hamburguesa respira aliviada. Fugir do sofrimento que se repetiu durante duas temporadas seguidas vale bastante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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