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O destemido Union Berlim peitou o Dortmund, em um ótimo jogo pela Copa da Alemanha

Nem sempre pegar um time das divisões de acesso é garantia de tranquilidade na copa nacional. E o Borussia Dortmund sentiu isso na pele nesta quarta-feira, mesmo jogando dentro do Signal Iduna Park. Os líderes da Bundesliga precisaram suar muito para eliminar o Union Berlim na Copa da Alemanha. O terceiro colocado da segundona jogou muita bola. Criou várias chances, fez o goleiro Marwin Hitz se desdobrar e poderia muito bem ter matado o duelo na prorrogação. Contudo, uma falta infantil nos últimos instantes, quando a disputa por pênaltis parecia inescapável, determinou o triunfo dos aurinegros. Alívio com os 3 a 2 no placar, apesar de todo o desgaste da equipe de Lucien Favre ao longo dos 120 minutos.

O Union Berlim já tinha dado trabalho ao Dortmund na Copa da Alemanha não faz muito tempo. Em 2016, as equipes se encararam no Signal Iduna Park e a classificação dos anfitriões veio apenas nos pênaltis, graças a Roman Weidenfeller. E como daquela vez, milhares de torcedores berlinenses invadiram a Renânia do Norte-Vestfália, enchendo um dos setores das arquibancadas. Certamente gostaram do que viram, com uma atuação aguerrida e destemida dos visitantes.

O grande nome do primeiro tempo foi Marwin Hitz. O goleiro reserva liderou o mistão escalado por Lucien Favre. Foram ao menos três defesaças, que frustraram o Union Berlim, criando as melhores oportunidades da partida. Já aos 40 minutos, duro golpe aos berlinenses. O goleiro Rafal Gikiewicz fez milagre em cabeçada de Shinji Kagawa, mas Christian Pulisic aproveitou o rebote na pequena área. Na sequência, quase o empate, em arremate de Kenny Redondo que estalou no travessão de Hitz.

O jogo continuava aberto no segundo tempo e a sorte do Union Berlim mudou a partir da entrada do centroavante Sebastian Polter. O camisa 9 precisou de uma mísera chance para empatar, logo em sua primeira participação no duelo, ao se empenhar em carrinho e finalmente vencer Hitz. Haveria mais espaço ao Dortmund e Maximilian Philipp retomou a vantagem em boa jogada, enchendo a bomba da entrada da área. Contudo, Polter estava mesmo empenhado em reviver a sua equipe, garantindo o empate aos 43 do segundo tempo e forçando a prorrogação. Belíssimo cruzamento de Robert Zulj, mandando a bola na cabeça do substituto, que fuzilou.

Nos tempos extra, Hitz voltou a evitar que o Union Berlim virasse, especialmente em chute cara a cara de Simon Hedlund. O Dortmund também criava as suas oportunidades, especialmente nos 15 minutos finais, chegando a carimbar a trave com Ömer Toprak. Em meio à insistência dos cruzamentos, o gol decisivo aconteceu a dois minutos do fim. Mesmo com a bola passando longe de Christian Pulisic, Marvin Friedrich puxou o americano dentro da área. Pênalti, que ainda rendeu a expulsão do defensor. Marco Reus, que havia saído do banco durante o segundo tempo, partiu à marca da cal e não desperdiçou. Fim de sonho ao bravo time da segundona.

A postura do Union, ainda assim, é um bom indicativo ao que espera o clube na sequência da temporada. Os berlinenses rondam o acesso à Bundesliga há algumas temporadas e seguem no páreo durante a atual edição do torneio. A disputa com Colônia e Hamburgo se torna difícil, até pelas possibilidades financeiras dos oponentes, mas o clube da capital persegue a chance de figurar na elite pela primeira vez desde o fim da Alemanha Oriental. Já o Borussia Dortmund leva a lição, mais uma vez sofrendo com os desleixos de sua defesa, desta vez sentindo falta dos titulares. Apenas Hitz mostrou como pode competir com Roman Bürki pela titularidade, essencial à classificação. O cansaço pesa na sequência da semana, antes do importante jogo contra o Wolfsburg fora de casa. A chance de buscar mais uma taça na Pokal, de qualquer forma, permanece viva.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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