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O desmanche do Dortmund, para Klopp, é desenvolvimento

Alcançar a decisão da Liga dos Campeões foi um marco para o Borussia Dortmund. Os aurinegros tinham totais capacidades de vencer o Bayern Munique e saíram de Wembley com a cabeça erguida, apesar do vice-campeonato. Superada a derrota, o momento já é de pensar em como a equipe manterá suas forças. Talvez não a ponto de chegar à final outra vez, mas ao menos para seguir entre os melhores da Europa.

Mario Götze foi a primeira baixa confirmada, na danosa contratação feita pelo Bayern. Na esteira do camisa 10, Robert Lewandowski também deve deixar Dortmund para rumar à Baviera. Sem acordo pela renovação de seu contrato, o centroavante tem vínculo com os aurinegros até o final da próxima temporada. Entretanto, o técnico Jupp Heynckes indicou na coletiva após a final que o acerto com o Bayern está próximo. Além dos dois, Felipe Santana também confirmou que não fica e deve ter como destino o Schalke 04.

Jogadores importantíssimos para o Dortmund e que devem fazer falta. Porém, Jürgen Klopp promete não remoer as perdas por muito tempo. E não deveria mesmo. Pela capacidade demonstrada pelos aurinegros na revelação de jogadores e na contratação de promessas, o cenário não é dos mais preocupantes. E é na renovação do ânimo do grupo, com a chegada de novas peças, que o treinador parece confiar.

“Eu consegui mais na minha vida do que pensava que obteria. Nenhum dos meus professores ou meus pais acreditavam nisso. Então, como a perda de jogadores pode atrapalhar essa vida perfeita? Seria melhor se eles ficassem, mas não tenho certeza de que seríamos mais fortes. Você precisa mudar para dar o próximo passo no desenvolvimento do time”, declarou Klopp, em entrevista recente ao Guardian.

“Se todos os jogadores permanecessem, eu poderia partir, porque não haveria nada de novo. Se eu digo: ‘Vão à esquerda’, eles poderiam responder: ‘Você pediu isso 200 vezes e não queremos mais ouvir a sua voz’. Essa é a vida. Portanto, precisamos de novos jogadores. Esse tipo de situação não é fácil, mas posso lidar com ela. Sou um cara absolutamente normal, mas não é difícil encontrar o melhor momento para ser seu amigo ou seu professor”, completou.

Os caminhos da renovação

Com os milhões arrecadados a partir das vendas, o Dortmund tem caixa para promover essa renovação. Christian Eriksen, Bernard, Kevin De Bruyne e Luciano Vietto são os primeiros nomes especulados. Além deles, obviamente, o Dortmund deverá buscar um novo zagueiro para servir de sombra a Mats Hummels e Neven Subotic, bem como um novo artilheiro, já que Schieber não tem capacidade para substituir Lewandowski.

Mais do que isso, o Dortmund também deverá procurar por bons reservas. Não à toa, Kevin Grosskreutz atuou em sete posições diferentes nesta temporada. Sinal de sua polivalência, mas também dos buracos que o grupo possui. Embora bem servido de volantes, o time carece laterais e atacantes. Moritz Leitner e Leonardo Bittencourt são ótimas promessas e podem ajudar no meio-campo, mesmo sem tanta experiência. E, dentro de sua realidade, Klopp já demonstrou que não tem receios em lançar jovens promessas.

“O Bayern quer uma década de sucesso, como o Barcelona. É possível se você tiver dinheiro, porque ele aumenta suas chances. Mas nada é garantido. Nós não estamos em um supermercado, mas eles querem nossos jogadores porque sabem que não poderemos pagar o mesmo dinheiro. Não podemos fazer como Real Madrid e Bayern, ignorando impostos – e deixar as próximas gerações pegarem nossos problemas. Precisamos trabalhar de maneira séria e sensível. Temos um tanto de dinheiro, então podemos gastar esse tanto”, afirmou.

Com os pés no chão e os olhos no balanço financeiro, o Borussia Dortmund guiará a reformulação de seu elenco durante os próximos meses. Robert Lewandowski e Mario Götze se vão, mas a capacidade de encontrar um centroavante tão letal ou um meia tão cerebral continuam no Signal Iduna Park. E o clube se agarra nessa premissa para .

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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