Alemanha

O desejo triplo do Bayern de Munique

As últimas duas rodadas praticamente jogaram a Bundesliga no colo do Bayern de Munique. Os resultados dos perseguidores ao título foram bastante modestos, enquanto os bávaros só ratificaram o que todo mundo já sabia – mesmo com percalços, o título alemão deve retornar para a Allianz Arena. Esse é, entretanto, apenas um dos objetivos do clube para a temporada.

Quando terminou 2006-07 em baixa, fora até da Liga dos Campeões, o Bayern se deu conta de que precisava recolocar o cenário alemão em ordem. Os investimentos realizados e as conseqüentes expectativas traduziam uma ascensão meteórica que, dessa forma, deixava os bávaros entre os maiores gigantes da Europa em termos de elenco.

A Bundesliga pintava como obrigação, enquanto o título da Copa da Uefa, mesmo que um objetivo secundário, era algo importante para exportar prestígio. Boa parte da temporada se passou, o calendário já aponta a reta final do mês de abril e o Bayern, ainda que hesitante em alguns momentos, vai se aproximando da concretização de uma temporada perfeita.

O objetivo que apresenta mais dificuldades é a Copa da Uefa. No horizonte de Ottmar Hitzfeld, pinta o complicado time do Zenit San Petersburgo. Responsável por eliminar, com contundência, Olympique de Marseille, Villarreal e Bayer Leverkusen, os atuais campeões russos serão certamente o maior adversário do Bayern de Munique nessa temporada.

Poucos dias antes de definir a Copa da Alemanha contra o Borussia Dortmund, o Bayern apresentou seu cartão de visitas aos adversários do Ruhr. Em prévia, pela Bundesliga, enfiou incríveis 5-0, com dois de Luca Toni e até gol de Podolski.

Com uma vantagem considerável na ponta da tabela, Hitzfeld poupou titulares contra o Frankfurt e reservou atenção especial para a finalíssima deste domingo. Como já tem a vaga na próxima Copa Uefa assegurada, é possível que o time de Thomas Doll não tenha ambição e força suficientes para segurar Ribéry e companhia.

Pela Bundesliga, só a matemática é capaz de ainda não confirmar o título do Bayern. Schalke e Werder Bremen, perseguidores mais próximos, não vêm tendo a menor regularidade para serem considerados como aspirantes ao título. Aliás, a própria hesitação da dupla – que se enfrentou no último sábado – na reta final da temporada passada, serve como um agravante indiscutível.

As perspectivas para o trabalho de Klinsmann, a serem tratadas nas próximas semanas, não serão exatamente perfeitas. Ainda que ganhe as três competições possíveis, o Bayern vivenciou situações, na temporada, que não são aceitáveis. O sufoco contra o Getafe e a derrota para o Energie Cottbus, por exemplo, geraram um desgaste sobre Hitzfeld.

Eis uma missão para Klinsli, responsável direto pelo renascimento do Nationalmannschaft e que, ao menos, não deverá ter Oliver Kahn como companheiro de trabalho. Já é um bom início para o próximo técnico disputar objetivos ainda maiores na temporada que vem.

Mais do mesmo

Bater o Hertha e atingir outras duas vitórias consecutivas, sendo uma delas de maneira acachapante sobre o Schalke 04. Com seis pontos conquistados em quatro dias, o Werder Bremen saltou alguns metros à frente do Hamburgo e do Bayer Leverkusen na briga por uma das três vagas para a próxima Liga dos Campeões.

Algo incrível para quem levou seis gols do Stuttgart, empatou com o Arminia Bielefeld e perdeu para Duisburg e Wolfsburg. Tudo isso em um intervalo de 40 dias e que, mais uma vez, deixa claro que o Werder Bremen é um time completamente imprevisível. Evidentemente, Thomas Schaaf tem responsabilidades por isso.

A ofensividade natural do Werder Bremen é um ponto importante. Para se ter uma idéia, na atual edição, é o melhor ataque com 62 gols, 7 a mais que o Bayern. Faz parte, da visão que Schaaf tem do futebol, atuar de maneira arrojada. Para se ter uma idéia, em três das últimas quatro temporadas, foi o Bremen que teve o melhor ataque da Alemanha. Apenas em 2004-05, o Bayern terminou à frente – mas o time então liderado por Klose veio logo em seguida.

No desenho do meio-campo das últimas duas temporadas, o Werder Bremen sempre tem, pelo menos, três jogadores com capacidade de criação. Diego e Frings, titulares absolutos, cumprem a função, geralmente acrescidos da qualidade de Borowski ou outro jogador de característica similar.

O uso de laterais ofensivos, como Fritz – que é mais meio-campista que lateral, Wome, Owomoyela e Tosic, é outro agravante. Até mesmo o austríaco Harnik, originalmente um atacante, já jogou na linha defensiva. Naturalmente, o Werder Bremen é um time que oferece enorme superexposição para os adversários.

Schaaf, porém, deve planejar melhor a próxima temporada. Até hoje, o Werder Bremen não tem atacantes confiáveis, como era Miroslav Klose. Atualmente, Sanogo, Rosenberg e Hugo Almeida são úteis e fazem muitos gols – mas não são nada regulares. Principal contratação para a temporada, Carlos Alberto provou, em pouco tempo, ter sido um grande mico no Weserstadion.

Além disso, encontrar um equilíbrio maior entre ataque e defesa é indispensável. Não há equipe capaz de triunfar com tamanha instabilidade. Caso termine a temporada entre os três primeiros, o Bremen já pode se dar por satisfeito. As últimas três vitórias, aliás, foram mais que determinantes para isso.
 

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo