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O Bayern deu até sorte contra o Schalke, e outra atuação fraca cria nova interrogação

O Bayern de Munique pode se considerar até sortudo por ficar no empate com o Schalke 04. O empate por 1 a 1 saiu barato para os bávaros, com um jogador a menos desde os 17 minutos de jogo e que ainda teve um pênalti contra si logo em seguida. Por mais que jogasse em desvantagem, o time de Pep Guardiola teve o controle do jogo durante a maior parte do tempo. O que não significa que os anfitriões jogaram bem. E, em apenas duas rodadas do segundo turno, o Bayern já sofreu mais gols do que em todo o primeiro, além de já ter desperdiçado cinco pontos, um a menos do que nas 17 rodadas iniciais.

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O tropeço do Bayern é bastante explicado pelo pênalti de Jérôme Boateng, expulso por uma falta banal no limite da área. Mas, para o deleite de Manuel Neuer, Maxim Choupo-Moting cobrou o pênalti com o mínimo de força, facilitando o trabalho do goleiro. Também pode ser creditado à solidez defensiva do Schalke, em um recuado 3-5-2 montado por Roberto Di Matteo – que, desde aquele Chelsea x Barcelona da semifinal da Champions em 2011, possui amplo conhecimento de como parar os times de Guardiola. Mas também ficaram existentes muitos problemas dos bávaros, que se repetiram do último jogo.

O Bayern parecia incapaz de quebrar as linhas defensivas do Schalke. As trocas de bolas rápidas, que abriam espaços no primeiro turno, não existiam. Da mesma forma como a movimentação constante dos jogadores para desnortear a marcação adversária não existiu. Não havia brecha para as arrancadas de Robben, os lances individuais de Götze ou o pivô de Thomas Müller. A entrada de Lewandowski no segundo tempo deu mais presença de área ao time, e o polonês até marcou um gol anulado pela arbitragem. Daquele lance, inclusive, se originou o escanteio para Robben desviar de cabeça, após cruzamento de Xabi Alonso.

O problema é que o Bayern segurou a vantagem por apenas cinco minutos, também em escanteio, no qual Höwedes subiu sozinho. E os bávaros não demonstraram muita capacidade de reverter o resultado. O problema não foi nem exatamente o excesso de passes, como costuma-se reclamar do tiki-taka de Guardiola, mas sim a falta de espaços criados. Enquanto os Azuis Reais também prendiam um pouco mais a bola, o time da casa passou menos que o costume do que na Bundesliga. Pior, finalizaram muito menos do que estão acostumados.

Ao longo dos 90 minutos, foram apenas 10 chutes do Bayern. Quase metade da média de 18,3 por jogo do time no Campeonato Alemão e superior apenas às médias de outros dos clubes da competição. Os goleiros Giefer e Wellenreuther não precisaram fazer nenhuma defesa difícil, enquanto a defesa adversária bloqueou sete destes arremates. Somente na vitória por 1 a 0 sobre o Leverkusen, em dezembro, os bávaros finalizaram ainda menos.

Obviamente, o Bayern continua favoritíssimo ao tricampeonato da Bundesliga. Possui um elenco bastante superior a todos os outros e segue oito pontos à frente do segundo colocado, após o empate do Wolfsburg com o Eintracht Frankfurt. Contudo, os dois jogos do returno deixaram uma enorme interrogação. O time precisa reencontrar o ritmo perdido, algo que lhe custou pontos também na última temporada. Porém, àquela altura, não havia mais quem pudesse tirar a Salva de Prata de suas mãos. Desta vez, os erros constantes podem abrir um campeonato que já parecia encerrado.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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