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Não cai: Hamburgo derruba até a última gota de suor para ficar na Bundesliga

Um desavisado poderia se perguntar por que um relógio fazia parte da discussão sobre o rebaixamento do Hamburgo. Existe um no seu estádio contando há quanto tempo ele está na Bundesliga. Desde sempre. Desde a fundação da liga, há 51 anos. E o cronômetro do Karlsruher estava a três minutos de enterrar essa marca junto com o orgulho de um dos grandes clubes do país, quando Marcelo Díaz acertou uma improvável cobrança de falta e levou o jogo para a prorrogação, na qual o hexacampeão alemão conseguiu a vitória e continua na lite.

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A missão era difícil porque, em casa, o Hamburgo conseguiu apenas um empate. Precisava vencer nos domínios do adversário ou ao menos empatar marcando mais de um gol. Bombardeou o goleiro durante boa parte da partida, mas vacilou a 12 minutos do fim. Yabo marcou o tento que decretaria o seu primeiro rebaixamento e deu o pontapé inicial do período mais maluco desses playoffs da Bundesliga.

O Hamburgo foi ávido em busca do empate, como se tivesse acabado de acordar de um longo sono. Lasogga cabeceou na trave, alguns minutos depois. Djourou foi negado pela defesa do Karlsruher, muito perto do seu objetivo. Rajkovic também testou para fora. O brasileiro Cléber, ex-zagueiro do Corinthians, entrou como centroavante, o que dá a medida do desespero do time visitante. No seu primeiro lance, quase marcou de cabeça.

Até o árbitro marcou toque de mão de Jonas Meffert na entrada da área. Falta perfeita para o especialista Rafael Van der Vaart mandar no ângulo, mas quem assumiu a responsabilidade foi Marcelo Díaz, que nunca havia marcado em sete partidas pelo Hamburgo, desde que chegou do Basel, em fevereiro. O chute com a perna direita foi perfeito, quase milagroso, e levou a disputa à prorrogação.

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Djourou comemora a permanência na primeira divisão (Foto: AP)

 

Eis que entra a crueldade com o Karlsruher: como a segunda partida foi na sua casa, se o Hamburgo fizesse 2 a 1, o anfitrião precisaria marcar duas vezes para chegar à Bundesliga, por causa da regra do gol qualificado. E o Hamburgo fez 2 a 1, em jogada iniciada por Cléber, desde os 40 minutos do segundo tempo sendo um dos jogadores mais avançados do seu clube. Müller completou às redes e jogou o desespero para o adversário.

Enquanto torcedores do Hamburgo invadiam o gramado e eram seguros pela polícia, e copos e garrafas eram atirados das arquibancadas do simpático estádio Wildparkstadion, o Karlsruher recusava-se a desistir. Pressionava como se ainda de fato tivesse chance, apesar do relógio, de novo ele, estar se aproximando do fim. Conseguiu um pênalti meio inventado pelo árbitro já nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação. Hennings cobrou e Adler defendeu.

Mesmo que a bola entrasse, o Hamburgo garantiria a sua presença na tabela da Bundesliga da próxima temporada. Novamente nos playoffs, mas desta vez foi bem mais dramático. A comemoração tem que ser curta. A reconstrução, profunda. Porque uma hora o relógio para. Quem voa perto demais do sol corre o risco de se queimar.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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