Alemanha

Musiala e Mané inspiram um Bayern superior, que vence o Leipzig e fatura a Supercopa da Alemanha

O Bayern fez um primeiro tempo amplamente superior, mas o Leipzig aproveitou os descuidos no segundo tempo e promoveu um festival de gols

O Bayern de Munique abriu oficialmente sua temporada com uma prova de força. A ausência de Robert Lewandowski não pareceu representar qualquer problema na Supercopa da Alemanha, com uma equipe coletivamente bem encaixada e com ótimo trabalho na pressão. Assim, os bávaros derrotaram o RB Leipzig por 5 a 3, em placar um tanto quanto enganoso na Red Bull Arena. Os bávaros foram amplamente superiores até o meio do segundo tempo, mas se descuidaram no fim e permitiram que os anfitriões ameaçassem. Sadio Mané rendeu bem. Buscou o jogo, se movimentou bastante, marcou um gol e tentou outros mais. Quem saiu como melhor em campo, no entanto, foi Jamal Musiala. Se o garoto já tinha crescido bastante na última temporada, desta vez ele começou com um primeiro tempo excepcional e participação em três tentos da equipe.

O Bayern de Munique entrou escalado num 4-2-3-1. Sadio Mané era o homem de referência no ataque, municiado por Serge Gnabry, Thomas Müller e Jamal Musiala. Marcel Sabitzer acompanhava Joshua Kimmich no meio. Matthijs de Ligt e Noussair Mazraoui ficavam no banco, assim como Ryan Gravenberch. Já o destaque no Leipzig ficava para o trio de frente formado por Christopher Nkunku, Emil Forsberg e Dominik Szoboszlai.

O controle da partida era do Bayern. Tinha boa movimentação e jogava no campo de ataque, buscando o espaço para finalizar. Porém, o Leipzig conseguiu dar um susto quando Manuel Neuer saiu mal da área e Nkunku quase aproveitou ao cruzar para o meio da área. Foi uma exceção de um jogo que fluía a favor dos bávaros. E a superioridade da equipe renderia o primeiro gol logo, aos 14. Num escanteio que a zaga não afastou, Musiala recolheu a bola e limpou a marcação, antes de chutar por baixo. A categoria prevalecia.

O Leipzig balançou as redes dois minutos depois, mas o lance acabou anulado por impedimento. Mohamed Simakan pressionou e forçou o erro de Gnabry. Nkunku partiu sozinho e marcou, mas a arbitragem viu a posição irregular. A resposta do Bayern viria com um controle indiscutível, que não dava muito respiro aos Touros Vermelhos. A superioridade clara permitiu o segundo gol, com Mané, aos 31. Numa linda troca de passes, Musiala deu uma enfiada na medida. Gnabry escapou pela esquerda e só rolou para Mané definir sozinho, em seu primeiro gol oficial.

A partida caiu de ritmo depois disso, sem que o Leipzig sinalizasse muita capacidade de reação. O Bayern nem forçava muito, mas naturalmente encontrava o caminho do gol graças à pressão adiantada, que não deixava os anfitriões respirarem. Sabitzer ameaçou num tiro de longe. Já numa cobrança de escanteio, Benjamin Pavard marcou o terceiro aos 45. Musiala mais uma vez teve participação decisiva. Tabelou pela esquerda, gingou diante da marcação e rolou com carinho para Pavard finalizar no contrapé de Péter Gulácsi. Mais uma taça estava nas mãos dos bávaros.

O Bayern voltou para o segundo tempo jogando fácil. Contava ainda com a excelente apresentação de Musiala e quase anotou o quarto no chute cruzado de Gnabry, que passou perto da trave. Domenico Tedesco realizou as primeiras alterações no Leipzig aos sete minutos. Dani Olmo e André Silva entraram, dando mais ofensividade ao time. Os Touros Vermelhos voltaram a dar sinal de vida e André Silva quase descontou de cabeça. Logo depois, aos 14, saiu o tento. Nkunku cobrou o escanteio e Marcel Halstenberg cabeceou alto, vencendo Neuer.

O Bayern também deu um descanso a Musiala, para a entrada de Kingsley Coman. A pressão alta seguia funcionando e o quarto gol aconteceu aos 21. A troca de passes envolveu a defesa do Leipzig e Coman achou a enfiada para Thomas Müller sair de frente para o gol. Gulácsi até fez a defesa, mas a bola pipocou na área e Gnabry marcou no rebote. Seria a hora de Gravenberch entrar na vaga de Müller.

Com a vitória encaminhada, o jogo entrou no ritmo de amistoso. Mané teve um gol anulado por centímetros, impedido, enquanto Nkunku e André Silva tentaram reduzir a desvantagem. O segundo gol do Leipzig saiu mesmo num pênalti, aos 32, convertido brilhantemente por Nkunku. E as substituições não cessavam, incluindo ainda as entradas de De Ligt e Mazraoui entre os bávaros aos 33. O lateral quase deu uma assistência na primeira participação, em chute de Mané que passou perto da meta.

Mané ainda teria mais um gol anulado aos 40, ligeiramente impedido em passe de Leroy Sané. Só que os descuidos também causariam apuros ao Bayern na reta final. O Leipzig não desistia e encostou no placar aos 44. Num contra-ataque, Dani Olmo abriu espaço pela esquerda e bateu no canto para fazer o terceiro. O duelo ficou aberto e os Touros Vermelhos insistiam nos cruzamentos, com algumas bolas venenosas rondando a área de Neuer. Contudo, os visitantes preservaram a vitória até com cera e puderam celebrar o título com o quinto gol no último lance. Sané partiu sozinho no contra-ataque e aplicou duas fintas, antes de assinalar uma pintura. A diferença no marcador se tornava um pouco mais condizente à superioridade dos bávaros.

O Bayern de Munique chega a 10 títulos na Supercopa da Alemanha, maior vencedor do torneio. Seis dos últimos sete troféus ficaram com a equipe. E o trabalho de Julian Nagelsmann ganha um bom empurrão inicial para a segunda temporada com o treinador. O time funcionou coletivamente, apesar dos buracos na defesa durante o segundo tempo, e teve bons destaques. Mané contribuiu como nova estrela, mas foi Musiala quem parece ascender ainda mais como uma das figuras principais da equipe.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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