Mkhitaryan é o princípio de um novo United, mas lacuna difícil de se preencher em Dortmund

A torcida do Borussia Dortmund já se conformou com o processo de reformulação a fórceps para a próxima temporada. Depois de Mats Hummels e Ilkay Gündogan, os aurinegros perderam mais um de seus principais jogadores. E, por aquilo que jogou em 2015/16, o mais importante do trio. Henrikh Mkhitaryan se juntará ao Manchester United por € 42 milhões, um valor que recompensa os cofres alemães, embora deixe uma enorme lacuna em campo. José Mourinho ganha aquela que deve ser a peça inicial na restruturação do Manchester United pensando a médio prazo. Ao mesmo tempo em que Thomas Tuchel precisa quebrar a cabeça para encontrar uma reposição – provavelmente, apenas no mercado de transferências.
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Mkhitaryan alternou momentos em Dortmund. Sua temporada de estreia foi muito boa, apesar de não ter resolvido da maneira esperada nos momentos decisivos. Já em seu segundo ano, caiu de rendimento com o time. No entanto, Tuchel conseguiu tirar o melhor futebol do armênio. Aparecendo em múltiplas funções no setor ofensivo, potencializou a intensidade dos aurinegros graças ao seu raciocínio rápido e ao poder de decisão, tanto nos passes quanto nos arremates. Se os números do ataque foram tão bons em 2015/16, muito se deve ao camisa 10. Que Pierre-Emerick Aubameyang tenha terminado como o protagonista da equipe, taticamente Mkhitaryan teve uma importância até maior, pela maneira como ajudou a funcionar a engrenagem montada no Signal Iduna Park. Não à toa, contribuiu com 23 gols e 26 assistências, somando todas as competições.
A permanência de Mkhitaryan, de qualquer forma, parecia muito difícil. Desde a temporada anterior o nome do meia era especulado no mercado, mas a troca de comando revigorou sua estadia no clube. De certa forma, algo bastante benéfico ao Dortmund, não apenas pelo que fez em campo, mas pela maneira como se valorizou. Rende um bom dinheiro para que a diretoria aurinegra saia a caça de um jogador que possa suprir suas atribuições. Por mais que Thomas Tuchel conte com outros talentos, seria preciso mudar as características do time para readaptá-lo com as atuais peças. E, diante da política de contratações do clube nesta temporada, confiando em vários jovens, não seria surpreendente se apostassem em alguma promessa – embora este seria o melhor caso de mexer no bolso e buscar alguma referência que tenha se afirmado.
Por outro lado, o Manchester United ganha com Mkhitaryan. Conhecendo as ideias de José Mourinho, é um atleta que tende a potencializar o jogo vertical e pode se adaptar a diferentes posições na meia ofensiva. Em um elenco com boas promessas e craques que entram em declínio, o armênio vem maduro no ponto certo, mesmo que ainda tenha que se adaptar ao futebol inglês. O camisa 10 será o princípio do redesenho tático. Resta saber como lidará diante das cobranças maiores, em um clube que ficou devendo nas últimas temporadas e não tem correspondido em campo por aquilo que gasta em reforços.
Do ponto de vista financeiro, o ganho maior é do Dortmund. Mas, esportivamente, quem deve mesmo se dar bem é o Manchester United. Considerando a curva de ascensão de Mkhitaryan, o meia possui capacidade para causar impacto de imediato em Old Trafford. Enquanto deixa um vazio que talvez não se complete tão cedo no Signal Iduna Park.



