Mkhitaryan, a sorte e a má pontaria do Bayern dão a Klopp a chance de dizer adeus com um título
Não foi um jogo brilhante do Borussia Dortmund. Independente do motivo, isso parece inalcançável para o time nesta temporada. Mas contra o Bayern de Munique, no último jogo contra o rival com Jürgen Klopp no comando, essa deficiência precisava ser compensada. E foi. Pelo impacto da entrada de Mkhitaryan no segundo tempo, pela raça de buscar o empate no final do tempo regulamentar e segurar as pontas até os pênaltis, pela má pontaria do time de Guardiola e pela excepcional sorte na disputa de pênaltis, como se o universo, o destino ou algum Deus, qualquer um, tivesse de fato planejado tudo para que Klopp, agora na final da Copa da Alemanha após o empate por 1 a 1 e a vitória nos pênaltis, pudesse se despedir do clube levantando um troféu.
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Porque dá para acreditar que tudo que aconteceu foi por acaso? São tantos indícios. Começou com o gol do Bayern de Munique, marcado durante um período em que o time da casa na Allianz Arena apenas pressionava o adversário e não era ameaçado quase nunca. Essa tendência durou bastante, aliás, e o grande pecado de Müller, Schweinsteiger e companhia foi ter desperdiçado tantas chances de matar o jogo. Lewandowski foi preciso, por outro lado. Lançado pela esquerda, nas costas de Hümmels, tentou encobrir Langerak e acertou a trave. Pegou o rebote e, sem ser incomodado, conseguiu, mesmo sem muito ângulo, mirar e abrir o placar.
Aparentemente, o polonês apostou com alguém que conseguiria encobrir Langerak, porque pouco depois tentou da intermediária mesmo, e a bola passou perto. Pode ter sido também apenas uma reação à tranquilidade do jogo, porque o Bayern conseguia sair bem da pressão do Dortmund, que quando tinha a bola era inofensivo. Kagawa continuou mal, como quase sempre nesta sua temporada de retorno. Marco Reus não fazia notar a sua presença em campo. Aubameyang estava isolado.
Veio o segundo tempo, e Lewandowski quase matou a partida, com um chutaço no travessão. No lance seguinte, Schmelzer claramente levou a mão em direção à bola e cometeu pênalti. O árbitro ignorou. Guardiola enlouqueceu. A torcida do Dortmund comemorou o que considera vingança pelo gol de Hümmels anulado na Copa da Alemanha da temporada passada. O placar continuou 1 a 0 para o Bayern, mas não por muito tempo. Mkhitaryan entrou no lugar de Kagawa e cruzou rasteiro para Aubameyang completar de carrinho. Neuer tentou salvar, mas a bola claramente passou da linha. Os bávaros reclamaram um pouco, embora não houvesse muito para reclamar. A 15 minutos do fim, o placar estava empatado.

O gol e a boa atuação de Mkhitaryan serviram para acordar o Borussia Dortmund, principalmente Marco Reus, que teve dois duelos com Manuel Neuer. Ambos vencidos pelo goleiro. O principal foi um chute cruzado que exigiu reflexos absurdos do goleiro do Bayern de Munique, assustadoramente acostumado a comparecer nesse tipo de lance. Evitou o castigo que seria perder no tempo regulamentar depois de jogar melhor que o adversário durante boa parte do jogo. Foram à prorrogação.
Nela, foi Schweinsteiger quem teve a bola do jogo na cabeça, duas vezes. Na primeira, recebeu cruzamento na entrada da pequena área, livre, sem marcação, com tempo e tranquilidade para mirar e exercer toda a sua frieza característica, mas a finalização passou por cima. Depois de Kampl, que havia entrado aos 38 minutos do segundo tempo, ser expulso, Schweinsteiger teve outra oportunidade com a testa, mas desta vez quem se agigantou foi Langerak, como se fosse um jovem Neuer, intervindo com a perna esquerda.
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Pênaltis. Eles não são loteria, convenhamos, têm muito treino e preparação psicológica, mas impossível não concordar que o Borussia Dortmund levou muita sorte. Philipp Lahm escorregou antes de cobrar, como John Terry na decisão da Champions League de 2008, e errou. Xabi Alonso também escorregou e também errou. Götze, o Judas, bateu mal demais e facilitou a defesa de Langerak. Enquanto isso, Gündogan e Kehl haviam convertido os seus chutes, e Hümmels, parado nas mãos de Neuer, o próximo cobrador do Bayern de Munique. Se acertasse, a disputa continuaria. Se errasse, Dortmund na final. Chutou forte, alto, no travessão. Errou. Dortmund na final.
Foi um jogo cheio de reviravoltas, à altura da grande rivalidade entre os dois times nesse ciclo que se encerra em maio com a saída de Jürgen Klopp. Pode ser mantida caso o Borussia Dortmund continue forte, mas um novo livro será escrito. Este terminou, e o último capítulo permitiu que Klopp saísse mais uma vez correndo que nem um maluco e derramasse as lágrimas de quem amou vestir aquele agasalho durante os últimos sete anos. Foi o 23º encontro com o seu nêmesis e o retrospecto é negativo em quantidade e qualidade, graças à decisão da Champions League de 2013. Mas, pelo menos, teve o gostinho de, mais uma vez, como já disse, fazer parte do time que vence o outro que tem mais dinheiro. E ainda pode se despedir com um título. Nada mal.
AHAHAHAHAHAH look at the Klopp celebration and how Guardiola look at him! pic.twitter.com/tHlKAP4pCj
— Tancredi Palmeri (@tancredipalmeri) April 28, 2015



