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Leverkusen e o limbo

Não tinha jeito, e todo mundo sabia disso. O Bayer Leverkusen, que não conseguiu nem ganhar do Werder Bremen e do Stuttgart em condições normais, só venceria o Barcelona em uma situação atípica. Basicamente a receita era apertar o ferrolho na marcação, botar um sofá e uma geladeira para impedir a abertura da porta e, junto a isso, rezar para que a turma de Messi não estivesse em um bom dia para encaixar um contragolpe e vencer por 1 a 0. A primeira parte do plano só deu certo durante 40 minutos, instante em que o argentino tirou da cartola um passe para Alexis Sánchez abrir o placar. Depois, Kadlec empatou, em dois minutos, Sánchez restabeleceu a normalidade, e Messi, no fim, deu o golpe fatal.

O jogo de volta deverá ser mera formalidade. Os Aspirinas vão ao Camp Nou com o objetivo de fazer pelo menos três gols no Barcelona, coisa que, até agora, só o Osasuna fez na temporada.  E o Barça não costuma tropeçar contra times ruins de fora da Espanha. Guarda seus vexames para os Getafes da vida, que nem são tão ruins assim, pelo menos conseguiram engrossar o caldo contra o Real Madrid. Na Liga dos Campeões, a turma de Pep Guardiola tem sido mais maldosa: está invicta e só empatou com o Milan, num jogo em que levou dois gols, um no primeiro minuto e outro no último.

Deixemos de falar do Barcelona, afinal a coluna é de Alemanha e o foco deve ser no Leverkusen. Um time que é meio difícil de definir. Não é nem bom nem ruim. Não joga um futebol propriamente feio, mas também não encanta ninguém. Não ocupa a primeira colocação da Bundesliga, mas está longe da última. Não tem nenhum cracaço, e nem venham com a ladainha de que Ballack pode ser considerado craque – não é e nunca foi -, mas também não tem nenhum perebão. Está num limbo que, ao que tudo indica, não terá fim quando acabar a temporada 2011/12.

Sendo mais específico, há alguns jogadores que podem ser decisivos no time, e às vezes até são, mas individualmente estão um degrau abaixo dos concorrentes de Bayern Munique e Borussia Dortmund. Renato Augusto, por exemplo, tem cartaz com a torcida e faz uns gols bonitos vez ou outra, mas sofre muito com lesões e não consegue ter uma sequência. André Schürrle, contratado junto ao Mainz 05. Sidney Sam é útil e também ajuda às vezes, mas não é craque. Falta alguém para incendiar o time, para pegar a bola sem medo e resolver algumas partidas difíceis. Falta Arturo Vidal, que foi para a Juventus.

Voltando ao assunto Ballack, está claro que ele é o único jogador que rompe esse tédio. Aos holofotes, deixou de ser o mau caráter competitivo que foi durante o auge de sua carreira – pouca gente o suporta no mundo do futebol – e se transformou num chorão de marca maior, que pede à imprensa um lugar no time e reclama das declarações de alguns membros da diretoria, que estão insatisfeitos com o rendimento dele. Simon Rolfes, em contrapartida, se firmou como volante e mesmo próximos dos 30 anos sobrevive na jovem e talentosíssima seleção alemã, como reserva imediato e aproveitado de Sami Khedira e Bastian Schweinsteiger.

O grande mistério é Stefan Kiessling. O atacante teve alguns brilharecos em 2009/10, foi para a Copa do Mundo, e depois caiu vertiginosamente de produção. Em um ataque onde não existem titulares absolutos, ele foi muito mal na maioria das vezes em que foi relacionado e a prova disso é que ficou no banco de reservas no jogo contra o Barcelona.

A solução para isso? Não existe dentro do elenco. As contratações já acertadas para a próxima temporada, como o bom zagueiro Philipp Wollscheid, podem dar mais consistência defensiva ao time, mas não resolvem o problema lá na frente. Pode ser que André Schürrle amadureça, e ajude a resolver a questão, mas, enquanto isso acontece, o jeito é esperar no limbo. E tratar de não sair dele da pior maneira possível, dando vexames e deixando de lutar até por vaga na Liga Europa.

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Equipe Trivela

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