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Das vaias à ovação, torcida alemã dá enorme exemplo

É verdade que o futebol se torna cada vez mais um negócio, que o amor à camisa é um artigo raro, que o dinheiro passou a importar mais para os jogadores que a reputação. Independente de tudo isso, ainda é possível encontrar alguns grandes exemplos no “futebol moderno”. E um muito representativo aconteceu na segunda divisão alemã.

A história é contada por Marcus Christenson, colunista do Guardian. Tobias Levels chegou ao Fortuna Düsseldorf em 2011. Antes disso, havia feito carreira no rival dos Fortunen, o Borussia Mönchengladbach, onde havia iniciado sua trajetória aos 13 anos de idade. Foi capitão dos arqui-inimigos e, certa vez, disse que o seu coração tinha “o formato de um diamante”, em alusão ao escudo do Gladbach.

Na chegada a Düsseldorf, a primeira entrevista de Levels não pegou bem, apesar da honestidade: “Eu já dei meu coração a um clube e fiquei decepcionado [ao ser dispensado]. Não quero cometer o mesmo erro novamente”. Razão suficiente para ser tornar alvo fácil de perseguição.

Há duas semanas, uma falha de Levels custou a eliminação do Fortuna na Copa da Alemanha, contra o Wiedenbrück, da quarta divisão. E a situação voltou a se repetir na última sexta, quando o defensor errou de novo e permitiu que o 1860 Munique passasse à frente no placar, aos 30 minutos do segundo tempo.

Por conta da falha, Levels passou a ser perseguido por boa parte dos 34 mil torcedores presentes na Esprit Arena. Foi vaiado até o fim da partida, além de ouvir os gritos de “Levels raus” – fora Levels. Apesar da experiência, o alemão não aguentou as críticas. O jogador de 26 anos começou a chorar na saída de campo. Motivo para mais retaliações contra o defensor? Pelo contrário.

Um dos setores mais radicais da torcida do Fortuna Düsseldorf percebeu a reação de Levels. Resolveu apoiá-lo, gritando seu nome. O atleta ficou ainda mais comovido, agora pelo reconhecimento de seu lado humano. Algo acima da falha dentro de campo, da paixão da torcida pelo clube ou do compromisso profissional do atleta. Afinal, o futebol é bem mais do que um jogo. Muitas vezes, também é uma lição de vida.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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