Alemanha

Latifúndio sem dono

Joachin Löw já tentou de tudo. Jérome Boateng, Marcel Schmelzer, Holger Badstuber e Denis Aogo. Todos eles têm algum podre para contar, e ninguém agradou inteiramente. A lateral esquerda da seleção alemã é um latifúndio sem dono a pouco mais de três meses do início da Eurocopa, e a França fez a festa no amistoso desta quarta-feira, em Bremen. Venceu por 2 a 1, com dois gols em jogadas criadas pelo bom Mathieu Debuchy em cima de Aogo. E acendeu o sinal de alerta para o Nationalelf, que teve muitas dificuldades durante a partida e mereceu perder.

Tudo bem, façamos um desconto. Philipp Lahm e Bastian Schweinsteiger seriam desfalques em qualquer time e qualquer seleção do mundo. Sobretudo o segundo, substituído por Toni Kroos, que parece ter desaprendido a jogar futebol em 2012. Sami Khedira recuado para a função de primeiro volante, tentou alguma coisa, e se movimentou relativamente bem, mas estava pouco inspirado para criar jogadas de ataque e se mandou igual um boi desorientado ao ataque na segunda etapa, dando espaço ao organizado e eficiente contragolpe francês.

A turma da frente também não estava muito a fim de papo. André Schürrle ainda tentava algo, mas foi substituído no intervalo. Diferentemente de Marco Reus, que esteve nulo em campo, sem criar praticamente nada durante os 70 minutos em que ficou dentro das quatro linhas. Thomas Müller é outro que esqueceu o bom futebol no segundo turno da Bundesliga 2010/11 e hoje está na seleção pelo nome que construiu. Miroslav Klose perdeu dois gols feitos no fim do primeiro tempo e deu lugar a Mario Gómez, que não perdeu nenhum gol daqueles que costuma perder, mas também não fez nenhum daqueles que costuma fazer. Mesut Özil jogou entre os 30 e os 45 minutos da primeira etapa. Dormiu em campo antes e depois.

Os zagueiros também não inspiram confiança. Hummels é muito bom tecnicamente, mas é lento nas coberturas. Precisaria de um companheiro rápido, e não de um Badstuber ainda mais lento e não tão bom tecnicamente. Boateng seria o nome, mas foi deslocado para a lateral direita e até não comprometeu no primeiro tempo. Wiese é um bom goleiro e jogou porque atua no Werder Bremen, mas existem pelo menos seis opções melhores do que ele para a Euro dentro da própria Alemanha. Nomes como Ron-Robert Zieler e Marc-André ter Stegen já deveriam pelo menos ter sido testado.

De positivo, vale dizer que o time perdeu em um momento no qual ainda pode se dar ao luxo de tropeçar. E a derrota vem num momento importante, após uma vitória indiscutível por 3 a 0 sobre a Holanda, para trazer de volta ao planeta Terra alguém que eventualmente possa ter se deslumbrado. O jogo mostrou também que Joachin Löw tem em mãos um elenco interessante, com potencial, mas que ainda não possui a experiência necessária para segurar o rojão sem a presença dos medalhões que fazem a bola fluir. E talvez a insistência com Schmelzer, que voltou à boa fase no Borussia Dortmund, possa amenizar o problema da lateral esquerda sem que para isso o técnico precise utilizar Philipp Lahm por ali e criar uma lacuna pelo lado oposto.

Além disso, o tropeço valeu também para dar uma boa noção do que os alemães poderão enfrentar na fase de grupos. Mesmo que a seleção francesa esteja um pouquinho acima de Dinamarca e Portugal – na melhor das hipóteses -, qualquer vacilo em um grupo complicado como esse poderá ser fatal e determinar a eliminação. O alerta está dado, e o lado positivo disso é que o oba oba será mais facilmente controlado nos próximos meses.

Podolski e o Arsenal

Na última semana, aumentaram muito as especulações que ligam Lukas Podolski, do Köln, ao Arsenal. O atacante, que não atuou contra a França nesta quarta-feira, chegaria para o lugar de Andrey Arshavin, que já foi emprestado para o Zenit e deverá ter ainda menos espaço na próxima temporada se continuar nos Gunners. A negociação pode ser interessante para todas as partes.

Podolski sairia lucrando porque finalmente poderia jogar em um time que luta por algo. Trazido ao Köln com a promessa de que lutaria por competições europeias, tudo o que ele fez nos últimos anos foi carregar o time nas costas e tirá-lo da zona de rebaixamento. Para o Arsenal, é a oportunidade de ter um jogador experiente e qualificado, capaz de jogar pelo lado esquerdo como meia no 4-2-3-1 ou centralizado, substituindo Robin Van Persie em uma eventual lesão. Para o Köln, o dinheiro da transferência seria ótimo, embora o time possa ter problemas para conseguir uma reposição qualificada.
 

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Equipe Trivela

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