Alemanha

Klaassen sai para o Werder Bremen e mostra como o mercado de transferências pode ser traiçoeiro

O Everton parecia ter encontrado uma pechincha, no começo da última temporada. Por apenas € 27 milhões, arrebatou Davy Klaassen, meia talentoso e consagrado do Ajax. Era um valor baixo para o mercado inflacionado de hoje em dia por um jogador que estava sendo bem cobiçado. No entanto, as aparências enganaram. Klaassen não deu certo no Goodison Park e, após uma única temporada, foi vendido para o Werder Bremen, por € 13,5 milhões, metade do preço pago aos holandeses.

O mercado de transferências no futebol pode ser cruel. Por mais que, analisando todos os critérios objetivos, um negócio pareça interessante, sempre há componentes subjetivos e imprevisíveis, como adaptação a um novo país ou mudanças de treinadores. E alguns reforços simplesmente não dão certo. Foi assim com Klaassen.

O jogador, agora com 25 anos, já tinha uma série de temporadas em bom nível pelo Ajax e três títulos nacionais. Atuava no clube desde 2011, com 49 gols em 163 partidas. Era, portanto, experiente, apesar de jovem. Parecia ter alcançado o auge de desempenho na temporada anterior à transferência ao Everton, com 20 gols e 10 assistências em 50 partidas, comandando a equipe à decisão da Liga Europa.

Com seu contrato chegando ao fim, o preço era convidativo: € 27 milhões era menos do que os Toffees haviam pago por Yannick Bolassie, por exemplo. Inferior à taxa de transferência de Michy Batshuayi para o Chelsea, e de Slimani para o Leicester. Além disso, Ronald Koeman estava no comando e vislumbrava um estilo de jogo que poderia tornar Klaassen uma peça central do clube.

Mas as coisas mudaram rapidamente. Naquela mesma janela, o Everton contratou dois jogadores de estatura maior para atuar na posição de Klaassen, como meia-atacante central. Gylfi Sigurdsson veio do Swansea, com experiência de Premier League e o peso de uma transferência de € 50 milhões. E Wayne Rooney, um dos maiores atacantes da liga inglesa moderna, voltou à casa onde cresceu e tinha uma bonita história. Já vinha atuando mais recuado.

Koeman foi demitido no final de outubro, após nove rodadas da Premier League. O Everton tentou contratar Marco Silva, que teria um estilo de jogo mais parecido com o do holandês, mas mudou drasticamente de direção ao acertar com Sam Allardyce. Big Sam introduziu sua maneira preferida de jogar: mais física, mais ligação direta, mais bola áerea, mais correria, potencializando as dificuldades que o jogador já teria para se adaptar na transição do futebol holandês para o inglês.

Resultado: Klaasen atuou apenas 16 vezes vestido de azul. “É difícil dizer porque não deu certo para mim no Everton. O estilo de jogo não era o meu estilo. Era muito físico e menos sobre estratégia, talvez. Todo mundo é físico e rápido na Inglaterra. É simplesmente diferente. Eu quero jogar todas as semanas e provar minhas habilidades como jogador. Eu não estava feliz porque eu não jogava. Antes disso, eu joguei uma vez por semana durante cinco ou seis anos”, disse, ao site oficial do Werder Bremen.

Para evitar um novo erro, Klaassen quis saber do treinador Florian Kohfeldt exatamente como ele pretende fazer a equipe jogar e qual seria o seu papel neste projeto. “Eu fui convencido pela ambição mostrada pelo clube. Eu conversei com Kohfeldt e ele estava entusiasmado pelos objetivos do clube. Ele explicou como ele quer que o time jogue. Ele me explicou que quer jogar um futebol muito aberto e ofensivo e estou empolgado com isso. Foi por isso que eu fui para o Werder Bremen. Agora eu posso jogar meu jogo”, explicou.

Klaassen ainda tem muitos anos de futebol pela frente e pode provar no Werder Bremen, 11º colocado da última Bundesliga, que os problemas do Everton foram apenas um acidente de percurso. Mas, se a sua passagem pela Inglaterra nos ensinou alguma coisa, é que nunca dá para ter certeza de nada.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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