Alemanha

Jogar bem é preciso. E ganhar também

A campanha foi perfeita. Em dez jogos, dez vitórias, 34 gols a favor e apenas sete contra e, mais do que os números, um futebol que enche os olhos. Vertical, objetivo o tempo todo e que faz gols naturalmente, dando a impressão de que vence os jogos sem fazer força. Essa, no momento, é a seleção alemã, que já vem sendo comparada com os grandes times da história do país, os de 1954, 1974 e 1990. Sim, a Alemanha, ao contrário da Espanha, a outra “100%”, pode fazer esta comparação, pois tem história e tradição no esporte. Mas, também ao contrário dos espanhóis, esse time ainda não ganhou nada.

A equipe, em si, é excelente. O goleiro, Neuer, é um dos melhores do mundo, se não o melhor. Seguro na maioria das vezes e capaz de defesas impossíveis. A defesa é sólida, Lahm é um dos melhores laterais do mundo, os zagueiros não comprometem. O meio-campo tem várias opções de formação, todas interessantes. Schweinsteiger, Khedira, Toni Kroos, Podolski, Özil, Thomas Müller e Götze, além de André Schürrle. No ataque, Klose e Mario Gómez são artilheiros e resolvem as paradas. O título, porém, não existe ainda, e se não vier, certamente frustrará toda uma geração de torcedores.

O jejum já é grande. Desde 1996, a Alemanha não ganha nada em torneios de seleções principais. A última conquista foi na Eurocopa daquele ano, com uma vitória sobre a República Tcheca por 2 a 1. Na ocasião, Matthias Sammer simplesmente destruiu no torneio. Atacou, defendeu, mandou prender e soltar, comandou o time. Coincidentemente, Sammer é hoje um dos principais mentores do projeto que ajudou a revelar todos esses jovens jogadores que hoje estão no Nationalelf.

Voltando à “seca” de títulos, o fato é que não adianta só jogar bonito ou encantar em eliminatórias. É necessário crescer também em grandes momentos. E isso tem faltado aos alemães nos últimos anos. Não adianta se conformar com o fato de que a Espanha tem um time espetacular, que domina a posse de bola e é campeão dos torneios que disputa. É preciso tirar a coroa dos espanhóis para entrar de vez para a história e, se considerarmos a história do futebol, a Alemanha é a seleção mais adequada para isso, pois desbancou a Hungria de 1954 e a Holanda de 1974.

As comparações, no entanto já existem. Para Franz Beckenbauer, por exemplo, o time atual tem o mesmo potencial daquele campeão mundial 1990, comandado por ele, que derrotou a Argentina por 1 a 0 na final. Para o Kaiser, a lesão de Michael Ballack antes da Copa do Mundo fez com que Joachin Löw pudesse montar um time diferente, e desde então o elenco à disposição dele só cresceu, com o surgimento de novos jogadores no país, como Schürrle e Götze.

Já surgiram comparações também com o time ultra-vencedor dá década de 70, no qual Beckenbauer era capitão e líbero. Aquela equipe, porém, manteve uma hegemonia continental por pelo menos dois anos, ganhando a Eurocopa de 1972 e a Copa do Mundo de 1974, além de metade delas ter sido composta por jogadores do Bayern Munique, tricampeão europeu na mesma época. O futebol jogado pode ser até colocado em discussão, mas os títulos não existem e, com isso, os mitos também não, o que coloca a seleção atual em um patamar inferior.

Estatisticamente, já se fala na possibilidade de Joachin Löw se tornar o treinador com o maior número de vitórias na história do Nationalelf. Com 51 no currículo, ele ainda está muito atrás de Sepp Herberger, campeão mundial em 1954, com 92, mas com a possibilidade de ficar no cargo após a Copa do Mundo de 2014 e o ritmo que vem sendo mantido pela seleção alemã, essa perspectiva deixa de ser irreal, e a marca poderá ser alcançada e superada.

A perspectiva de títulos em curto prazo também parece bastante real. Afinal de contas, alguns dos principais jogadores da seleção espanhola já beiram os 30 anos e, ao que tudo indica, a qualidade dos potenciais substitutos é um pouco menor, além, é claro, da falta de experiência internacional. Nesse ponto, o Nationalelf largará na frente, e terá algumas chances de materializar essa vantagem levantando taças e fazendo com que o brilhantismo já existente dessa geração seja associado também a vitórias.

Bundesliga: Bayern Munique recebe Hertha Berlim

Líder da Bundesliga com 19 pontos em oito partidas, o Bayern Munique receberá o Hertha Berlim neste sábado e contará com o apoio da torcida na Allianz Arena para voltar a vencer e manter a invencibilidade, que já dura 11 partidas. O time, porém, precisa tomar cuidado com o contra-ataque dos berlinenses, sobretudo com as arrancadas do brasileiro Raffael, que já fizeram algumas vítimas nessa temporada. O Borussia Dortmund, atual campeão, foi uma delas.

O Dortmund, aliás, está em franca recuperação. Venceu as duas últimas partidas e já subiu da 11ª para a sexta colocação, com 13 pontos, empatado com uma série de equipes. Enfrenta o vice-líder Werder Bremen nesta sexta-feira e, se vencer, se iguala ao adversário e, dependendo do resultado do Bayern Munique, já poderá voltar a sonhar com o título. Ponto para Jürgen Klopp, que não tem tido medo de barrar jogadores importantes do time titular, como Kevin Grosskreutz, Neven Subotic e agora Marcel Schmelzer, para que a equipe voltasse a render.

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Equipe Trivela

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