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Guardiola mais aprende do que ensina em seu início no Bayern

Pep Guardiola iniciou seu trabalho no Bayern Munique há exatos 24 dias. Tempo suficiente para conhecer os jogadores e mostrar seus métodos de trabalho. Cedo demais para cravar qualquer transformação radical no estilo de jogo dos Roten, até porque a exigência dos amistosos é mínima. Uma postura do novo treinador, no entanto, precisa ser ressaltada: a sua vontade em experimentar os jogadores em diferentes situações.

Nesta quarta, vitória fácil do Bayern Munique sobre um Barcelona bastante desfalcado, 2 a 0. E o primeiro gol foi marcado pelo volante Philipp Lahm. Pelo segundo jogo consecutivo, o capitão foi escalado na cabeça de área ao lado de Toni Kroos e se adaptou bem ao papel. Distribuiu o jogo, deu cadência ao time e, sobretudo, apareceu como elemento surpresa na área. Não à toa, o Lahm anotou três gols nos últimos quatro jogos do Bayern.

Da mesma forma, outros nomes consagrados do time foram testados em novas posições. Toni Kroos foi utilizado como primeiro volante, Franck Ribéry apareceu como um dos homens centralizados no meio-campo, Claudio Pizarro chegou a ser escalado como segundo atacante e Thomas Müller surgiu como centroavante. Além disso, o esquema tático também mudou. Ainda que o 4-3-3 tenha prevalecido nas últimas apresentações, a disposição do time no período passou também pelo 4-2-3-1 e pelo 4-1-4-1.

Por seu trabalho marcante no Barcelona, é natural imaginar que Guardiola tentará desenvolver algo parecido no Bayern, prezando a posse de bola e a pressão no campo ofensivo. Porém, bem mais difícil que aplicar um novo estilo é deixar para traz aquele que levou o Bayern a conquistar a Liga dos Campeões e a Bundesliga quebrando quase todos os recordes imagináveis. Nestas primeiras semanas, o provável é que o catalão aprenda mais com o elenco do que ensine a ele.

De início, o que já é possível prever é um Bayern mutante. Lembram do Barcelona indo em um piscar de olhos do 3-4-3 ao 4-3-3, sem definir uma posição fixa aos jogadores, que se movimentavam em blocos e trocavam de posição constantemente? Talvez essa variação tática, adaptando-se à situação de jogo, seja um traço mais marcante de Guardiola que o próprio toque de bola. Independente de como o time funcione, todavia, o espanhol deve estar pronto para fazê-lo vencer, diante da pressão após o ano espetacular vivido com Jupp Heynckes.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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