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Greuther quem?

O Borussia Dortmund suou sangue e foi beneficiado por uma sorte do tamanho de um caminhão para vencer o Greuther Fürth e garantir vaga na final da Copa da Alemanha com um gol de Ilkay Gündogan no último lance da prorrogação. Mas espera aí, Greuther quem? “Nunca ouvi falar”, dirão a maioria das pessoas. “É um time tradicional, rival do Nürnberg”, dirão aqueles que adoram bancar o nerd com informações da Wikipedia. “É um timeco”, dirá a turma do “se eu não conheço, não presta”.

Você, leitor que acompanha a Bundesliga, conhecerá um pouco mais sobre o Greuther Fürth em breve, porque o time da Baviera lidera a segunda divisão alemã e muito provavelmente subirá de divisão. Com 26 rodadas disputadas, a equipe da Baviera soma 56 pontos, um a mais que o vice-líder Eintracht Frankfurt e quatro a mais que o Fortuna Düsseldorf, terceiro colocado, que iria para o play-off caso o campeonato terminasse agora. Nos últimos seis jogos, o Fürth conseguiu cinco vitórias e um empate, abrindo pequena vantagem em uma competição que chegou a ter os cinco primeiros colocados separados por apenas um ponto de diferença.

O principal jogador da equipe é o centroavante canadense Oliver Occean, que encarna o estilo “troglodita” em seu jogo e é até o momento o artilheiro do campeonato com 15 gols marcados, além de oito assistências. Aos 30 anos, Occean tem uma trajetória incomum no esporte: se destacou no futebol universitário norte-americano, na Southern Connecticut University, foi draftado como quarta escolha pelo  New York Metrostars em 2004, mas acabou indo parar no Odd Grenland, da primeira divisão norueguesa. Destaque por lá, mudou-se para o Lillestrom, clube maior, onde também foi bem e chamou a atenção do Kickers Offenbach que o contratou em 2010. No ano seguinte, chegou ao Greuther Fürth e já é ídolo da torcida.

Seu companheiro de ataque é Christopher Nöthe, jogador formado no Borussia Dortmund, e autor de dez gols no campeonato. Frequentador assíduo das seleções de base alemãs na adolescência, ele chega aos 24 anos com estigma de eterna promessa colado na testa, mas já se firma como ídolo no Furth, clube que está desde 2009. Ambos são municiados por Sercan Sararer, meia-atacante nascido em Nürnberg com nacionalidade espanhola e origem turca, autor de impressionantes 11 assistências na temporada.

Na defesa, o ponto de equilíbrio do time é o lateral direito Stephan Schröck, ídolo maior da torcida. Aos 25 anos, Schröck já chamou a atenção de diversas equipes da primeira divisão e teve muitas propostas para deixar o clube, mas recusou por ter um objetivo: chegar à primeira divisão da Bundesliga com o Greuther Fürth. Eficiente no apoio, ele também atua no meio-campo e frequentou diversas seleções alemãs de base, mas optou por defender as Filipinas, país onde sua mãe nasceu.

Caso o Fürth suba, esses jogadores serão alçados ao posto de heróis de um clube tradicional da Baviera que conquistou três títulos alemães no início do século – em 1914, 1926 e 1929 -, mas jamais disputou a Bundesliga em sua história. É também a coroação de um trabalho a longo prazo. A promoção, que bate na trave já há algum tempo – o clube conseguiu um quarto e sete quintos lugares nas últimas 11 edições da segunda divisão alemã -, deverá finalmente se concretizar e a justiça, que desapareceu do gramado no último minuto da prorrogação contra o Borussia Dortmund, enfim será feita.

Grosskreutz acusado de racismo

Depois do jogo, outro assunto tomou conta do noticiário alemão. As acusações do camisa 5 do Greuther Fürth Mergim Mavraj de que Kevin Grosskreutz teria proferido insultos racista ao veterano Gerald Asamoah, ídolo do Schalke 04, rival do Borussia Dortmund. Tudo indica que o caso vai acabar em pizza, e os motivos não são difíceis de entender.

O primeiro deles é simples: não foi Asamoah quem acusou, e sim seu companheiro de equipe. Grosskreutz, que passou férias em Belo Horizonte com o brasileiro e negro Dedê e é, de acordo com Jürgen Klopp, o melhor amigo de alguns estrangeiros do elenco, nega as acusações categoricamente. O caso ainda terá alguma repercussão, mas, caso não surjam fatos novos, deverá esfriar em breve.

Deu a lógica, mas foi no sufoco

O Borussia Dortmund fará a final da Copa da Alemanha com o Bayern Munique no dia 11 de maio em Berlim, e a decisão contempla os dois melhores times da Alemanha no momento. Os aurinegros, atuais campeões e líderes da Bundesliga, e os bávaros, que podem ainda conquistar a liga dos campeões. Mas a classificação não foi tão simples assim, como vimos já no início da coluna sobre o Greuther Fürth.

Falemos então do Bayern Munique, que vinha de três goleadas seguidas e parou, mais uma vez, na defesa do Borussia Mönchengladbach, a sua asa negra, o único time a derrotar os bávaros duas vezes nessa temporada até aqui (o Borussia Dortmund ainda tem condições de repetir o feito). O tempo normal terminou empatado, a prorrogação também, mas nos pênaltis Dante errou a sua cobrança e Neuer tratou de espanar a urucubaca defendendo o chute de Havard Nordtveit.
 

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